2015 Resenhas Rock

Dave Gahan & Soulsavers – Angels & Ghosts (2015)

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As músicas são boas, mas repisam os temas de sempre

Por Lucas Scaliza

A voz do Depeche Mode, Dave Gahan, tem aproveitado a carreira solo tardia e as parcerias com os produtores ingleses Rich Machin e Ian Glover (o Soulsavers), para explorar uma música diferente daquela que o tornou famoso. É uma forma de soar contemporâneo e sem as expectativas que carregariam qualquer novo lançamento do Depeche Mode, libertando-o para fazer a música que achar melhor para o momento. No caso de Angels & Ghosts, temos um disco de rock lento, com a voz marcante de Gahan divindo o espaço com os arranjos bem feitos e bastante contemplativos dos Soulsavers.

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Não é um disco para pessoas ansiosas e nem para quem espera um flerte eletrônico do Depeche Mode. A proposta do álbum está mais próxima dos últimos discos solo do Mark Lanegan. Inclusive na forma como se aproxima levemente do blues para criar um som simples, mas emotivo, como em “Tempeted” e “Don’t Cry”, faixas com uma guitarra bluseira arranhando a canção toda com um leve crunch. Se “Shine” é totalmente pé no chão, “You Owe Me” é quase um gospel. “All Of This And Nothing” é uma das melhores músicas do disco e mostra como ele trafega bem entre um estilo e outro. Com teclados e sopros elevando a dinâmica e uma bateria constante, quase como uma marcha, a faixa tem um quê de hino. Embora simples, não soa piegas.

“One Thing”, inteira construída por piano e um naipe de cordas, é o momento mais reflexivo e profundo do álbum. A voz de Gahan está muito bem colocada, sem excessos, como sempre. Existe uma maturidade em seu som que evoca não só seu bom gosto e sua vasta experiência na música, mas também um momento na carreira em que a música pode se apresentar da maneira mais pura possível. Gahan e os Soulsavers não estão atrás de experimentalismos e nem de reinventar o rock. Nesse sentido, Angels & Ghosts é bastante convencional. Mas é inteirinho composto de boas músicas, nenhuma abaixo da média.

“Lately”, outro dos momentos mais lentos e dolorosos do trabalho, lembra o Trouble Will Find Me (2013) do The National. A climática “The Last Time” lembra Nick Cave em quase tudo, desde a forma de cantar até a forma como a guitarra se insinua perigosa, como se a qualquer momento pudesse mandar sua atmosfera às favas e criar um momento de agressividade.

Os temas do disco são os velhos assuntos que acompanham Gahan onde quer que ele vá. Pecado, salvação, uma vida tortuosa, sentimentos pesados, passos arrastados, a redenção do homem. Ele continua repisando o mesmo terreno e não traz nada de novo nesse campo.

Angles & Ghosts talvez sirva melhor a não fãs de Gahan do que a seus seguidores enquanto uma novidade. Para quem já está com ele desde os tempos áureos do Depeche Mode, a parceria com os Soulsavers é apenas uma outra forma de se expressar. Veja bem, os três donos do trabalho se expressam muito bem no disco, mas nada que vá causar impacto na carreira deles ou no mundo da música de alguma forma. Mas se não há ambição em Angles & Ghosts há pelo menos uma voz tão bonita quanto antes.

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