2015 Pop Resenhas Rock

The Dear Hunter – Act IV: Rebirth in Reprise (2015)

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Quarto ato do personagem que dá nome a banda traz uma musicalidade ainda mais ampla e afiada

por brunochair

Act IV: Rebirth in Reprise é a quarta parte da saga de um personagem chamado The Dear Hunter, que por acaso é o nome da banda, criada por Casey Crescenzo. As primeiras ideias para o surgimento deste projeto (personagem e banda) surgiram em 2005, época em que Casey participava de uma outra banda, chamada The Receiving End of Sirens. O músico criou este personagem em uma fase “difícil” da vida, encarando problemas de relacionamento afetivo e com os integrantes da banda que participava. Dear Hunter, por acaso, não é nem um herói digno da Marvel, tampouco um anti-herói como Macunaíma – é apenas um homem comum, falível, adepto das dúvidas de todas as sortes.

Em 2006, após saída do The Receiving End of Sirens e gravação de uma demo (ajudado pelo irmão na bateria e pela mãe nos vocais complementares), o The Dear Hunter tomou corpo com outros integrantes, e veio a gravar a primeira parte do material, chamado Act I: The Lake South, The River North. Já no início do projeto, Casey Crescenzo afirmou ter toda a história do personagem Dear Hunter projetada para seis atos. Com isso, vieram também Act II: The Meaning of, and All Things Regarding Ms. Leading (2007) e Act III: Life and Death. Para a surpresa de quem acompanha a banda, o quarto (The Color Spectrum) e o quinto disco (Migrant) não trataram da saga do Dear Hunt.

Por acaso, a ideia seria esquecida?

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Obviamente, não. Talvez Casey Crescenzo e banda tenham tomado um fôlego com estes dois discos, e ao mesmo tempo talvez quisessem deixar o público ainda mais interessado e intrigado. Também há a necessidade da própria banda de renovar a sua proposta musical, ampliar os horizontes, o que parece ter ocorrido no quarto ato de Dear Hunter. Houve uma visível evolução na musicalidade da banda, e tornou-a mais palatável ao público. Que fique claro que são duas questões distintas, aqui: o disco está menos sombrio (mais palatável) e trouxe funk, pop, outras referências do hard rock ao rock progressivo do Dear Hunter.

Com essas mudanças (e ainda que seja complicado rotulá-la) The Dear Hunter aproxima-se ainda mais do rock neoprogressivo, como o The Flower Kings, Kaipa, Dream TheaterTransatlantic, Spock’s Beard, Steven Wilson e até Barock Project, banda até mais nova que o The Dear Hunter, mas com uma proposta de referências até similar – embora mais coesa, menos grandiloquente que a turma de Casey Crescenzo. Isso ocorre porque o The Dear Hunter caminha pelo rock progressivo clássico, passa pelo hard rock e funk (“King of Swords”) e apresenta várias passagens orquestradas, o que os aproxima até do metal sinfônico – a própria capa do disco (que está lá em cima) não tem um quê de Rhapsody ou Symphony X?

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Seguindo as considerações sobre Act IV: Rebirth in Reprise, pode-se dizer que ele possui passagens memoráveis em suas uma hora e catorze de música. Em um disco de grandes pretensões e ideias, também fica evidente que algumas passagens podem se tornar completamente esquecíveis. Por exemplo, a partir das duas The Bitter Suite (músicas nove e dez do disco) parece que a banda perde o fio da meada musical, e não consegue mais encontrá-lo. Nesses momentos é que surgem o rock-funkeado (bem sem sentido, “jogado” ali no meio do disco) de “King of Swords”, o hard rock estilo Mr. Big de “If All Goes Well”, uma balada que não vingou (“The Line”) e as futuristas “Wait” e “Ouroboros”, que possui uma forte influência de Radiohead no desenvolvimento da melodia.

As três primeiras músicas (“Rebirth”, “The Old Haunt” e “Waves”) são boas, mas parecem preparar o ouvinte para o melhor, que surge a partir de “At The End of the Earth” e vai até “The Squeaky Wheel” – quarta a oitava músicas. É neste miolo que o disco acontece de verdade, trazendo excelentes passagens dignas de rock progressivo – desde excelentes solos de guitarra, excertos orquestrados, a cadência de “Remenbered” e a agitação de “A Night on the Town”. Os arranjos expõem o que há de mais moderno e o que há de mais clássico no estilo, e fazem valer a audição do disco. Fica mais uma dica de um bom álbum de rock progressivo de 2015, ainda que rotulá-lo desta forma seja apenas representar uma pequena perspectiva acerca de tudo que há. Confira.

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