2015 Funk Jazz Pop Resenhas Soul

Speedometer (feat. James Junior) – No Turning Back (2015)

speedometer feat james junior - no turning back

A junção de uma banda retrô a um cantor/compositor gospel traz um interessante disco de funk/soul para o público

por brunochair

Para quem nunca ouviu falar do Speedometer, e por conta disso acha que trata-se de uma banda novata, ledo engano: em 2015, o grupo (formado no Reino Unido) está no seu décimo quinto ano de formação. Quando da criação, tratava-se de um quarteto com uma ideia bem simples: procurar resgatar o funk setentista, e o soul das décadas de 60 e 70. A esse caldo, aos poucos os integrantes foram acrescentando outro tempero a essa sonoridade da banda, que é a música latina.

Seguindo essa “filosofia” musical, o Speedometer tem gravado (desde os anos 2000) diversos álbuns, mesclando participações em discos de outros artistas, gravando trilhas sonoras para filmes ou seriados, ou mesmo gravando somente para a banda. Em 2012, o Speedometer gravou o álbum Soul Overdue com a cantora Martha High, e tanto a banda quanto a cantora receberam diversos elogios em relação a este trabalho.

Parece que o Speedometer gostou da ideia de convidar um frontman para dar voz aos seus arranjos e, para este trabalho, o escolhido da vez foi o cantor James Junior. Se Martha High era uma cantora com certa expressão antes de aceitar o desafio de Soul Overdue, James Junior não era um cantor conhecido do público: como cantor e compositor, era apenas conhecido no meio gospel. Assim como Leon Bridges, James Junior parecia ter um perfil de artista mais “nativo”, distante dos maneirismos da música contemporânea, portadora de um hibridismo que (talvez) não interesse tanto ao Speedometer – na busca de uma sonoridade mais enraizada e saudosa.

speedometer feat james junior - no turning back2

O resultado? O melhor que se poderia esperar. James Junior encaixou como uma luva no projeto do Speedometer. Tanto grupo quanto vocalista conseguiram criar uma sonoridade que resgata (sim) o melhor do funk e do soul, mas oferecem a elas um frescor difícil de acreditar. É a inovação dentro de uma sistemática retrô, nos mesmos moldes de alguns discos já resenhados por este blog – que parecem discos de outras décadas, dobras de tempo e espaço (Brandon Flowers, Leon Bridges, Unknown Mortal Orchestra são outros exemplos).

O disco começa com dois funks bastante distintos: “Don’t Fool Yourself”, a primeira música do disco, traz um funk mais direto ao ponto, com James Junior evocando os mestres Curtis Mayfield e Stevie Wonder; a segunda música, “Bad Note”, foge um pouco desse funk tradicional e chega a flertar um pouco com o hip-hop. “No Turning Back”, que dá nome ao disco, tem uma notável influência da música latina, que acrescenta este caldo ao álbum:

“I Showed Them (The Ghetto)” também possui uma certa influência latina (caribenha) na percussão, sendo que a música é levemente inspirada em “The Ghetto” de Donny Hathaway. “Orisha’s Party” é uma música instrumental que apresenta um funk latino bastante interessante, enquanto a versão de “Happy” (sim, a música do Pharrel Willians!) é meio comum, não acrescenta muito à versão original e talvez seja o único deslize do álbum, que consegue ser (a um só tempo) animado e saudosista, sem deixar de ser criativo. No Turning Back certamente é uma das boas surpresas desde 2015, certamente.

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