2015 Metal Resenhas Rock

Art Of Dying – Rise Up (2015)

art_of_dying_rise_up_cover

Tem bons momentos, mas fica a sensação de escorregada

Por Lucas Scaliza

Rise Up é um disco que utiliza os mesmos elementos que os trabalhos dos canadenses do Art Of Dying, mas não alcança o mesmo êxito. Apesar de toda a energia que a banda ainda possui para entregar músicas pesadas, o disco soa fraco, sem criatividade e sem aquela sensibilidade para versos, refrãos e riffs que havia em Art Of Dying (2006) e Vices and Virtues (2011).

Não se trata, porém, de um disco ruim. As músicas funcionam, só não possuem o mesmo brilho dos melhores exemplos do passado. Johnny Hetherington continua liderando a banda e sendo o frontman de voz forte que dá muita personalidade musical ao grupo. Jeff Brown continua sendo bastante competente no kit de bateria e é o músico que mais se destaca em Rise Up. A mixagem preservou a clareza de cada batida e um som bastante pomposo para as viradas mais inspiradas e partes de bumbo duplo, como em “Best Won’t Do” e “Eat You Alive”, sem falar na ótima performance de “Just For Me”.

art_of_dying_2015

Infelizmente, pouco espaço foi dado de fato ao baixista Cale Gontier, que na maior parte das faixas apenas faz a ponte entre a percussão e a guitarra. E por falar nas seis cordas, Tavis Stanley parece estar totalmente no piloto automático. O timbre do instrumento não é marcante. Faz poucos solos e praticamente quase nenhum riff parece grudar em nossa memória.

No entanto, há bons momentos. “Some Things Never Change” entrega várias das melhores partes de guitarra e bateria. “Eat You Alive” possui um interlúdio muito bem feito que poderia constituir por si só uma nova música. Em “Moth To a Flame” o grupo mostra as influências do metal industrial e, embora caiam em um refrão óbvio, os versos são muito bons, aproveitando-se de uma produção eletrônica e de uma textura de teclado, além de uma boa linha de baixo. Apesar de quebrar totalmente o clima roqueiro do trabalho, a balada “Everything” entrega sons novos e sentimentos que nos remetem às rock ballads do início dos anos 90. Já “One Day At a Time”, a outra baladinha do álbum, soa melodramática demais. Porém, no geral, o grande ponto positivo é a energia da banda e a forma como o disco é bastante divertido.

 

O heavy metal e o hard rock do Art Of Dying continua seguindo a cartilha da música pesada para rádios. Tem peso sim, mas estruturado de uma forma que consiga ter qualidades comerciais. Assim como o Disturbed, a música não é sombria ou rascante e desafia pouco as convenções da música pop. Mas essa base é encoberta por uma camada de distorção que metaliza a canção (e claro que o vocal de Hetherington ajuda a dar uma esmaltada no som e fazer tudo parecer ainda mais metal. É um truque bastante utilizado por bandas de metal que precisam criar um single radiofônico – ou um álbum inteiro que seja pesado na superfície, mas não no âmago, como é o caso do Art Of Dying.

Em vista dos dois primeiros trabalhos, Rise Up não é tão inspirado e fica uma sensação de escorregada.

spotify:album:5iP7K8ISRFPTllruB71AMS

0 comentário em “Art Of Dying – Rise Up (2015)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: