2015 Pop r&b Rap/Hip-Hop Resenhas

Chris Brown – Royalty (2015)

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Brown surpreende em novo disco com postura mais madura e responsável, resultando em um som mais orgânico

Por Gabriel Sacramento

Do garoto de 16 anos que estreou com um disco autointitulado ao homem que agrediu fisicamente sua namorada – Rihanna –, Chris Brown passou por muita coisa. Por exemplo, durante esse período (2006-2009), o cantor lançou dois álbuns: o début (que leva o seu nome), que foi lançado em 2005 e outro que consolidou sua carreira, Exclusive, de 2007. Desde então, é comum ver seu nome entre as playlists de jovens e adolescentes no mundo inteiro. Sua aproximação e capacidade de fazer um tipo de música comercialmente lucrativo e que está na moda atualmente são os principais motivos.

Em 2011, ele lançou F.A.M.E, conquistando um sucesso não esperado, principalmente depois do incidente com a namorada que lhe gerou até mesmo condenação judicial. Então lançou mais dois: o quinto Fortune (2012) e o sexto X (2014). Seu sétimo disco, lançado em 18 de dezembro, leva o nome da sua filha: Royalty.

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A música de Brown é sempre associada aos padrões do R&B, hip-hop e pop contemporâneo. Mesmo manifestando desejo pelo resgate de sons oitentistas como os do Stevie Wonder, Michael Jackson e companhia, Brown permanece sempre em sua zona confortável, variando com cuidado dentro do seu espectro musical.

Estabelecendo uma fria comparação com tudo que já ouvi do Brown anteriormente, esse disco traz uma atitude mais madura do cantor com relação à sua musicalidade. Traz também tendências mais voltadas ao R&B, com toques de hip-hop e até mesmo leves nuances dos rastros dançantes da música setentista/oitentista americana. Em alguns momentos, o disco soa bem orgânico, tanto na parte instrumental quanto na parte dos vocais, contrariando algumas tendências esperadas, tendo em vista os discos anteriores.

“Back To Sleep” nos traz uma ênfase interessante no timbre vocal do Chris. Não tem um refrão excelente, mas um que funciona. Brown traz um pouco dos seus discos anteriores em “Anyway”, misturando momentos típicos de pistas de dança com momentos mais românticos do R&B. “Fine By Me” traz alguns arranjos bem interessantes e um refrão bem legal. É possível ouvir sutis frases de guitarra ao fundo. “Wrist” traz um arranjo simples e cheio de quebras, cedendo mais espaço para a voz do Brown. O baixo dá o tom de canções como “Make Love”, que é uma balada romântica bem sensual, com harmonias vocais quentes e precisas, com uma ótima performance de Brown. Novamente o baixo se destaca introduzindo “Zero”, que traz boas harmonias vocais e um refrão grudento, com guitarras suingadas ao fundo. Nesta, é possível notar a influência do funk clássico na sonoridade do cantor.

O disco é bem mais maduro do que os anteriores. Isso pode ter sido motivado pelo fato de Brown ser pai agora e buscar uma imagem mais responsável. Além de maturidade, este novo lançamento traz um ótimo trabalho vocal, com boas melodias, cativantes e pouco melosas. Também conta com belíssimas harmonias vocais, um trabalho bem preciso e admirável.

Brown apostou em uma sonoridade mais orgânica, se afastando dos excessos eletrônicos que marcavam seus discos anteriores. Aqui, é possível ouvir guitarras e baixos, fazendo soar como uma banda real tocando e não somente instrumentos programados. Isso foi estimulado pela influência do funk americano clássico, praticado por artistas como James Brown, Earth, Wind & Fire entre outros. O resgate aqui é sútil, mas agrada bastante.

Brown também investiu na dinâmica e criatividade de seus arranjos. Em vários momentos, ele brinca com climas diferentes, trazendo mais diferenciação do padrão típico do R&B. Soam bem dosados e aparecem nos momentos certos, complementando cada canção com o necessário. Também há presença de momentos mais suaves e calmos, que priorizam a voz crua, sem muitos efeitos realçando seu timbre.

As letras (algumas bem explícitas) falam sobre amor, relações amorosas cheias de sensualidade. A exceção é a linda letra que o Brown escreveu para sua filha em “A Little More”.

Royalty realmente vale a pena ser ouvido. Tem poder para agradar fãs de R&B, com um pouco de brilho que pretende chamar a atenção de ouvintes de atos famosos e clássicos como os já citados Stevie Wonder ou Michael Jackson. Mesmo com todas as polêmicas que o cantor se envolveu, ele parece buscar mais foco em sua música, sua arte, com um pouco mais de esmero neste novo trabalho.

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2 comentários em “Chris Brown – Royalty (2015)

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