2015 Pop r&b Resenhas Soul

Seal – 7 (2015)

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Depois de nos agraciar com pérolas da música soul, Seal nos mostra um dos lançamentos mais curiosos e intrigantes desse ano

Por Gabriel Sacramento

Inovação na música é essencial. Inovar é trazer algo diferenciado, criativo e que desafia o comum. Quando se trata de música, está associada a expressão da pessoalidade do artista, ou seja, a expressão das emoções no momento da composição. Visto que cada pessoa possui uma personalidade diferente, se isso fosse impresso na música, seria um grande diferencial entre um artista e outro.

Porém muitos artistas, principalmente no cenário contemporâneo, se limitam a apresentar ao público fórmulas preestabelecidas que fizeram sucesso com outros. Esses artistas raramente buscam inserir personalidade nas suas criações. Tornando esse algo novo que deveria ser destaque, algo raro.

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No cenário pop mundial, Seal é um dos cantores atuais dignos de atenção. O cantor britânico que compôs a música tema do filme Batman Forever (a famosa “Kiss From a Rose”), é um dos poucos que merecem destaque por fazer um som guiado por seus sentimentos e sua criatividade. Sua sonoridade é compreendida entre os limites do soul, passando pelo pop e R&B. Em sua musicalidade há várias referências à sonoridade setentista americana de artistas como Marvin Gaye, Stevie Wonder e Sam Cooke.

Recentemente, Seal embarcou em uma proposta de regravação de clássicos do soul. O cantor fez isso em Soul (2008) e Soul 2 (2011), com músicas de Al Green, Marvin Gaye e Smokey Robinson. O projeto deu muito certo comercialmente e serviu para mostrar ao mundo um pouco da paixão do cantor pela soul music e representou uma bela homenagem dele aos seus ídolos.

7 é o nono álbum de estúdio do cantor, no qual é preservada a antiga parceria com o produtor Trevor Horns, que trabalha com ele desde a década de 90. O disco mostra um Seal intimista e introvertido, apostando em timbres e tonalidades escuras e melancólicas, que funcionam muito bem.

As melodias densas que soam diferenciadas, se comparadas com os padrões melódicos do pop atual, são apresentadas em “Daylight Saving”, canção que também possui arranjo econômico, priorizando a letra e a interpretação do cantor, e um bom refrão. É perceptível uma certa melancolia no desenvolvimento dos arranjos cheios de quebras. Melancolia que dá o tom das baladas pianísticas “Love” e “The Big Love Has Died”, cuja bela interpretação destaca a voz de Seal. O piano também abre a romântica “Every Time I’m With You” que demonstra um bom desenvolvimento dos vocais no refrão,  com um acompanhamento singelo dos instrumentos. Destaco mais uma vez a interpretação do cantor, nesta música. As melodias são grandiosas e impressivas também em “Half a Heart”.

Seal faz várias experimentações eletrônicas no ritmo de “Life on The Dancefloor”, que possui uma linha harmônica bem tensa, além da climática e sintetizada “Padded Cell” e “Let Yourself”. Já “Do You Ever” começa bem atmosférica com teclados distantes, desembocando em um bom refrão, com uma sonoridade típica do resto do disco. A setentista “Monascow” traz um groove bem interessante.

Em seu novo trabalho, Seal tenta se afastar mais ainda da mediocridade pop, buscando sua própria sonoridade, investindo sem preocupação em bases simples e nas melodias bem compostas, mesmo que um pouco obscuras, mas ainda assim envolventes. O cantor trabalha baladas e músicas mais dançantes, com elementos eletrônicos muito bem dosados. Vale destacar sua voz, que soa muito bem, com intepretações impecáveis e melodias belíssimas. O disco pode soar diferente ou “ruim” para ouvidos acostumados ao que é vendido em massa atualmente, mas isso não é um demérito, afinal, o que é original, muitas vezes, acaba sendo um pouco mais “exigente” do ouvinte.

Há momentos em que Seal se aproxima bastante da R&B moderna. Mas sua abordagem do estilo é única e sua música não cai no defeito de soar descartável ao longo do tempo. Ao contrário, 7 possui uma força que só o tempo poderá demonstrar. Quanto mais você ouve, mais se sente tentado a ouvir outras vezes.

Por isso afirmo com certeza: este é um dos discos mais intrigantes de 2015. Possui uma capacidade grande de tocar o ouvinte e envolvê-lo em sua massa sonora, ao mesmo tempo em que entrega concepções diferenciadas e expressa os mais puros sentimentos de Seal. A sonoridade é incomum e isso é o ponto forte.

Se afastar das fórmulas predefinidas e entregar um disco coeso e original: foi o que fez o britânico em seu mais novo trabalho. Esse é um disco que talvez precise de mais audições para a total compreensão, mas que, uma vez, entendido o propósito, se torna um grande álbum, que você não vai querer parar de ouvir tão facilmente.

spotify:album:4b1teRyaSUaoDSRWdyz8JH

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1 comentário em “Seal – 7 (2015)

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