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Rachel Platten – Wildfire (2016)

rachel platten - wildfire

Disco tenta passar um visão de mundo ilusória e utópica, mas peca ao ficar na superficialidade

Por Gabriel Sacramento

Lançado exatamente no primeiro dia do ano, tentando aproveitar o momento de virada de ano como estratégia de divulgação, o novo disco da Rachel Platten intitulado Wildfire me surpreendeu. Este é o terceiro disco da cantora de 34 anos e possui canções que foram lançadas anteriormente no EP Fight Song (2015) e mais algumas inéditas.

A canção que dá nome ao EP fez um sucesso considerável alcançando a sexta posição na Billboard Hot 100 (chart para singles). Além disso, a música foi utilizada em séries como Pretty Little Liars e Supergirl e também em comerciais para TV da empresa automobilística Ford.

Rachel faz o pop já conhecido praticado por cantoras como Katy Perry, Taylor Swift e Kelly Clarkson. Não há ousadia ou inovação. A proposta do disco é trazer algo simples, popular e comum. E este é justamente o grande demérito do álbum.

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“Stand By You” abre o disco, trazendo aquele espírito adolescente, inocente e utilizando melodias fracas que não empolgam. A famigerada “Fight Song” nos deixa com a impressão de “já ouvi isso antes”, pois as escolhas melódicas e harmônicas são batidas, simplórias e não fogem ao comum. A letra pode até tentar ser tocante, mas falta consistência instrumental e vocal para suportar a força que a mensagem quer passar. Em um formato mais simples, ela canta sobre um piano em “Better Place” e quase chega lá. Talvez se a escolha de instrumento fosse um violão ao invés de um piano, isso poderia reforçar o acento folk que se encontra implícito na canção. As escolhas erradas também prejudicam o desenvolvimento de “Astronauts”, que começa com um piano, mas é substituído por uma fraca base típica para pistas de dança. Por fim, vem a sonolenta “Superman” para fechar o disco, com uma sequência harmônica simples, que soa banal. Traz novamente aquela sensação de algo que você já ouviu bastante por aí e que, portanto, nem possui mais força para cativar ou marcar.

Os arranjos do disco são repetitivos e maçantes, as escolhas harmônicas/melódicas/rítmicas são todas muito parecidas. Quase todas as músicas possuem o mesmo esquema estrutural, abusando de batidas rítmicas fortes e acompanhamentos harmônicos irrelevantes. Irrelevantes no sentido de não possuírem nenhum arranjo que realmente chame a atenção, somente aquelas velhas e típicas sequências, nada muito interessante. Até mesmo o tratamento na mix denuncia: os instrumentos de base, que marcam a harmonia, soam baixíssimos, enquanto que a bateria soa bem mais alta. Isso reforça o aspecto rítmico das canções.

As melodias são do tipo que agradam e levam à euforia adolescentes de 14 e 15 anos. No entanto, falta força e solidez à Rachel Platten. São os mesmíssimos clichês melodiosos que a gente ouve às dúzias por aí, nas rádios e nos vídeos mais visualizados no YouTube. Como disse acima, falta ousadia e inovação.

Disse que o disco me surpreendeu, mas a surpresa foi negativa. O Wildfire evoca uma sonoridade inocente demais, desprovida de maturidade. Isso incomoda o ouvinte um pouco mais exigente ou mais “rodado”. A preferência pela superficialidade é o que compromete a qualidade do trabalho.

Mesmo sendo uma mulher de 34 anos, Rachel se comporta no disco como uma garotinha de 15. Soa como uma adolescente ingênua que parece pensar que o mundo é algo colorido e maravilhoso e ainda não conhece os espinhos e as dificuldades. Sabemos que não é bem assim, essa é uma visão ilusória (até os discos da Taylor Swift, destinados ao mesmo público, possuem mais clareza sobre o mundo). O disco tenta vender essa imagem diferente do que o mundo realmente é. O mundo ao qual me refiro é o mundo fonográfico, cheio de barreiras e desafios que requerem trabalho e muito esforço. Rachel Platten precisará de muito mais que isso se quiser vencer nesse mercado e não somente ser uma sensação adolescente temporária.

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3 comentários em “Rachel Platten – Wildfire (2016)

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