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Bryan Adams – Get Up (2015)

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Jovial, roqueiro e vintage. Novo disco do cantor canadense traz muitas surpresas

Por Gabriel Sacramento

Nos últimos anos, muitos artistas que estão há tempos na música têm lançado discos realmente dignos de atenção especial. Foi o caso de Bruce Springsteen com o High Hopes (2014), David Gilmour com o ótimo Rattle That Lock (2015), Buddy Guy com o Born to Play Guitar (2015), Keith Richards e seu Crosseyed Heart (2015) e Rod Stewart com o Another Country (2015), sem falar no recém-lançado Blackstar de David Bowie. É bom ver que esses artistas sabem gerenciar suas carreiras e continuam buscando nos surpreender, mesmo depois de consolidados e bem-sucedidos.

Bryan Adams se encaixa nesse contexto. O cantor ficou conhecido por músicas românticas como “Heaven” e “Everything I Do”, mas pouca gente lembra de sua veia roqueira e da sua paixão pelo rock. Nos primeiros lançamentos esse estilo era mais evidente, mas acabou se diluindo com o passar do tempo. Aos 56 anos, o cantor continua lançando discos e busca impressionar o público com novas ideias. Seu mais novo álbum, Get Up, foi lançado em outubro de 2015 e é o 13º de sua safra.

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Os fãs acostumados com o direcionamento que a sonoridade de Adams nos últimos anos tomaram um grande susto com o que ouviram dessa vez. Adams traz uma atitude roqueira que há muito tempo não se via nele. É notável a vontade de Bryan resgatar a sonoridade agressiva e rebelde dos primeiros discos, principalmente Reckless (1984).

“Belong To Me” traz de volta o espírito roqueiro do início da carreira, com linhas vocais bem cativantes e faz uma referência explícita ao country rock. “Go Down Rocking” soa como se Bryan tivesse 17 anos de novo, possuísse uma guitarra em suas mãos e saísse pelo mundo com a única missão de expressar toda a sua rebeldia tocando o mais puro rock and roll.

“We Did it All” é uma balada que traz ideias harmônicas bem elaboradas e que não soam tão previsíveis. “That’s Rock and Roll” é uma ode ao estilo, com um ótimo timbre de guitarra limpo, que lembra muito Chuck Berry, além de possuir um ritmo contagiante acentuado por palmas. “Don’t Even Try” tem ritmo intrigante e um foco maior nas melodias. “Do What Ya Gotta Do” é outra que enfatiza o ótimo timbre da guitarra, com um refrão simples e harmonias vocais interessantes. As harmonias e os riffs também roubam a cena em “Thunderbolt”. “Yesterday Was Just A Dream” é a segunda balada do disco, com vocais bem entrosados. “Brand New Day” é bem pop/rock, com arranjos acessíveis e guitarras distorcidas, mas bem dosadas. Sentimos o peso da idade do cantor em Get Up, já que é perceptível como ele não canta mais como antes. Agora, sua voz soa bem limitada. Lembra levemente o rock oitentista que Bruce Springsteen fazia. Para os fãs de Bryan Adams das melodias bonitinhas, ele inseriu quatro versões acústicas de “Don’t Even Try”, “You Belong To Me”, “Brand New Day”  e “We Did It All”, que ressaltam a beleza e elegância dessas composições.

O cantor declara que cada música foi sendo escrita e gravada esporadicamente entre 2013 e 2015, sem pressão de gravadora, selo, empresário ou produtor. Para isso, contou com a produção de Jeff Lynne, o líder da Electric Light Orchestra, que dava o acabamento de cada faixa conforme podia. Na outra ponta da composição está o amigo Jim Vallance, que já é um velho colaborador de Adams. Pela internet, os três iam trocando figurinhas e gravações, fazendo os arquivos serem transmitidos do Canadá para a Europa e para Los Angeles ao longo do processo.

Bryan Adams não tem que provar nada para ninguém. Possui uma carreira de sucesso alavancada por seus singles românticos e acessíveis. Mas mesmo assim, o cantor resolve surpreender com um lançamento roqueiro, jovial, agressivo e rebelde, que faz parecer que ele ainda está nos anos 80. O disco possui uma sonoridade direta, vintage, independente e forte que faz algumas bandas de rock atuais soar infantis.

O último disco de inéditas que Bryan lançou foi o 11 em 2008. Comparando este com o novo Get Up fica ainda mais evidente a ousadia ao escrever as novas canções. 11 soa como um pop/rock bem dosado, com arranjos acessíveis e limpinhos. Já o novo soa como algo rústico, excêntrico e obstinado ou, se preferir, soa como o bom e velho rock and roll.

Com esse lançamento, há surpresa para todos. Tanto para os que adoram ou adoravam Bryan Adams, quanto para os que não gostam/gostavam do seu som. O disco é, simplesmente, um “back to basics”, mais ou menos como o Nheengatu (2014) do Titãs, que se afastou da sonoridade comercial para novelas e voltou a pisar sem dó no pedal de distorção. Assim, Get Up nos deixa muito curiosos com relação ao que há de vir.

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