2016 Metal Resenhas

Rhapsody Of Fire – Into The Legend (2016)

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Velhos hábitos nunca morrem. Para o bem ou para o mal

Por Lucas Scaliza

Introdução climática com canto em latim: . Guitarras velozes: . Baterias insanas: . Vocais lá no alto: . Vocais com sustain: . Vocais com vibrato: . Refrãos épicos: .

Quem é fã de Rhapsody Of Fire desde que eles se chamavam apenas Rhapsody já espera todos os elementos acima em qualquer um de seus discos. Previsivelmente, quem se aventurar pelas fantasias propostas por Into The Legend vai encontrar, para o bem e para o mal, exatamente tudo isso. Embora a banda tenha amadurecido seu som ao longo dos anos, não resta dúvida de que o quinteto italiano continua bem apegado ao power metal e ao metal sinfônico. Aliás, dê um double check nas opções acima, já que são duas bandas: Rhapsody Of Fire e Luca Turilli’s Rhapsody. É muita farofa na mesma história, não?

Velhos hábitos nunca morrem, afinal. E quem atesta isso em Into The Legend são músicas como a vigorosa “Into The Legend” e as aceleradas “Distant Skies” e “Rage Of Darkness”, preenchidas por todos os clichês do gênero, mas com bons momentos (como os solos de guitarra e teclado de “Rage of Darkness”, os vocais agressivos na faixa-título e o refrão épico e melodioso, acompanhado por uma orquestração, em “Distant Skies”).

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Embora essas características estejam distribuídas ao longo do álbum todo, a banda conseguiu um bom equilíbrio de elementos do passado e do presente. As Crônicas de Algalord, a história épica, medieval e fantástica que a banda conta desde o primeiro disco (em 1993) até From Chaos To Eternity (2011) foi interrompida para que Fabio Lione pudesse cantar algo diferente em Dark Wings Of Steel (2013). E Into The Legend também não é conceitual e não está atrás de contar nenhuma nova saga que vai ser continuada pelos próximos 10 anos. Ainda está presente a pegada um pouco mais moderna dos últimos álbuns, amenizando a medievalização e renascentismo exacerbado pelo metal dos álbuns lá do meio da carreira.

Roberto De Micheli, que substitui Turilli na guitarra desde 2011, está voando baixo no instrumento e até propondo riffs diferenciados, como mostra a boa “Winter’s Rain”, canção que dá espaço para as orquestrações do tecladista Alex Staropoli se desenvolverem sem o desespero dos momentos mais épicos. Provavelmente, é uma faixa que passará despercebida para boa parte do público, mas há elementos nela que merecem ser notados ao longo de seus quase oito minutos e várias partes diferentes. “A Voice In The Cold Wind” traz um pouco da música folclórica europeia na forma de uma flauta que faz as melodias instrumentais marcantes da canção. Com um desenvolvimento harmônico bastante ensolarado, cada acorde do refrão é acompanhado por uma orquestração. Lione faz vocais dobrados no refrão antes do clímax encorpar a melodia de voz com um coral. O power metal volta a dar as caras nas deliciosas cavalgadas de “Valley of the Shadows”, em que Lione divide a voz com um coral e com uma soprano que alcança um registro altíssimo e estridente. Em seus interlúdios, aparecem fantasmagóricos vocais guturais. Se a parte instrumental “Valley…” não vai muito longe, as diferentes interpretações vocais valem a pena.

Falando em vocais, a melosa e melodiosa balada “Shining Star” é o tipo de música feita para Lione exibir seu vibrato, sua sustentação, sua afinação e sua apurada técnica de respiração – e muito pouco mais do que isso. O cantor, que agora também está com os brasileiros do Angra, tem um timbre muito bonito. Quando canta de forma mais agressiva, sua voz lembra a de Edu Falaschi, ex-vocalista do Angra. A grande diferença está realmente na interpretação mais lírica que o italiano usa, principalmente nos refrãos.

“The Kiss Of Life” fecha Into The Legend com toda a pompa que Staropoli e sua banda gostariam que os fãs notassem após passarem sete meses trabalhando no álbum, dividindo as atividades em quatro estúdios diferentes. Com mais de 16 minutos, é o tipo de faixa que tenta abarcar tudo o que faz parte da estética do metal sinfônico dos italianos. Introdução climática e orquestrada que se une ao heavy metal sob a égide de um acorde bem simples. Todo o trabalho de guitarra é bem simples em grande parte da música. São realmente as linhas orquestrais de Staropoli que brilham no primeiro plano. No segundo, Alex Holzwarth faz um exímio trabalho de condução na bateria no arrastado pré-refrão e no épico refrão. Ah, e não se esqueça do violão clássico, dos cânticos, dos corais, dos duetos. Lione canta baixo e limpo, agressivo e em seu modo operístico. Este épico do disco vai diminuindo a tensão e a dinâmica até ser totalmente finalizada, fazendo com que seja um final bom, mas não marcante.

Menos sombrio do que Dark Wings Of Steel e aproveitando-se muito bem de uma orquestra real composta por 32 instrumentos de corda e 14 de sopro (regidos pelo maestro italiano Vito Lo Re), Into The Legend é um bom álbum de uma banda referência no metal melódico e suas subdivisões. Não há como não gostar se você já gostou do que o Rhapsody Of Fire lançou anteriormente.

É um disco seguro de si, do tipo que sabe para onde vai e toma algumas liberdades – como em “Winter’s Rain”, “A Voice In The Cold Wind” e “Valley Of The Shadows” –, mas nada arriscado demais. Senti falta, no entanto, de dois elementos: os solos de teclado que caíram tão bem no álbum anterior e as passagens em italiano, que sempre achei um grande diferencial da banda (já que cantos gregorianos, em latim e corais já são usados pela maioria das bandas “sinfônicas”). Staropoli soube dosar os elementos musicais do trabalho. Não propõe nada novo, mas também não afunda em clichês desprovidos de graça.

spotify:album:40F6U7gvHaIt44Md0rOTwi

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