2016 Metal Resenhas

Primal Fear – Rulebreaker (2016)

Primal-Fear-Rulebreaker

Novo disco continua erguendo a bandeira do heavy metal e ressaltando a força do estilo nos dias atuais

Por Gabriel Sacramento

A New Wave of The British Heavy Metal (NWOBHM , Nova Onda do Heavy Metal Britânico, em tradução livre) emergiu em meados dos anos 70. O movimento musical, que trazia uma nova forma de se tocar heavy metal – com mais velocidade, agressividade e de uma forma mais direta do que o que se conhecia –, revolucionou o cenário da música pesada e definiu novos padrões que são seguidos até hoje.

Com o passar do tempo, o metal se redefiniu em diversos subgêneros, a maioria deles muito influenciados pelo movimento britânico. Atualmente, algumas bandas do estilo, como Accept, Saxon e Diamond Head, têm se destacado com ótimos álbuns que reforçam a força do metal tradicional.

Dentre essas bandas, destaco os alemães do Primal Fear. Terra onde o heavy metal sempre foi sinônimo de boa música, com bandas como Scorpions, Accept e uma grande safra de bandas de power metal como Gamma Ray e Helloween. O Primal Fear foi formado em 1997, por Ralf Scheepers, ex-vocalista do Gamma Ray em parceria com o baixista Matt Sinner. Logo depois, lançaram o primeiro disco da banda, que rendeu um considerável sucesso e oportunidade de excursionar com bandas famosas do metal europeu.

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O Primal Fear faz uma mistura entre power e metal tradicional com toques de thrash. No primeiro disco, a banda tocava um power metal despretensioso. Com o tempo, a banda se desenvolveu e começou a fazer um heavy metal mais maduro e consistente, muito influenciado pelas ideias da NWOBHM.

O novo disco, Rulebreaker, foi gravado na Dinamarca, produzido pelo baixista Matt Sinner e pelo engenheiro de som Jacob Hansen, que também trabalhou no Delivering The Black (2014). O disco marca a entrada no baterista Francesco Jovino e a volta do guitarrista original, Tom Naumann.

As guitarras do início de “Angel of Mercy” anunciam que a banda não está para brincadeira. Durante toda a música, os guitarristas preenchem as linhas com harmônicos interessantíssimos. A bateria consistente do novato Francesco Jovino também impressiona. As guitarras cheias e furiosas também abrem “The End is Near”, que possui um dos melhores refrãos do disco e da banda, com a intrigante questão “Você quer morrer?” gritado a plenos pulmões pelo vocalista. A voz de Ralf soa aguda, forte e agressiva, com uma qualidade incrível. “Bullet & Tears” traz uma dosagem maior de harmonias e linhas melódicas mais leves de guitarra. “Rulebreaker”, que dá nome ao disco, empolga do começo ao fim com belíssimas melodias de guitarra na intro, ótimo refrão e um solo bem bonito executado em dueto pelos dois guitarristas. “In Metal We Trust” é aquele tipo de música com letra que exalta o estilo. A ideia, bem old school, combina perfeitamente com a sonoridade moderna, agressiva e avassaladora do Primal Fear. Se a anterior não te deixa respirar, “We Walk Without Fear” convida à reflexão. A música representa algo novo na carreira do grupo: longa duração. É um épico de 11 minutos, repleta de referências que remetem ao mais puro power metal (embora a música não seja power metal). Há alternância com momentos mais calmos, mas sem deixar a empolgação diminuir. Algumas das melhores melodias do disco se encontram reunidas nestes 11 minutos.

Destaco também a atuação do baterista Francesco Jovino, que alterna ótimas viradas com levadas intensas e criativas, cheias de bumbo duplo. O refrão de “At War With The World” nos convida a cantar junto. “The Devil In Me” é mais cadenciada, mas não menos pesada ou agressiva. A voz de Ralf no refrão nos lembra a do mestre Ronnie James Dio. “Constant Heart” remete aos memoráveis riffs criados pela dupla KK Downing e Glenn Tipton do Judas Priest, assim como os gritos do Ralf parecem bastante com os gritos do Rob Halford. A banda troca a distorção por um timbre mais clean em “The Sky is Burning”, assim como o vocal, mais grave e calmo. O refrão é a parte mais explosiva da música, com toda a sujeira e os agudos típicos. “Raving Mad” traz novamente os riffs inspirados, bem entrosados entre as cordas, a bateria sólida e os vocais rasgados para fechar o disco com estilo.

Recentemente, em uma entrevista, o baixista Matt Sinner disse que a volta do guitarrista Tom Naumann foi uma decisão bem acertada e que isso influenciaria positivamente o novo disco. E realmente foi. As guitarras de Rulebreaker não deixam nada a dever para as de Delivering The Black. Além disso, a volta de Naumann trouxe um gás e uma motivação a mais para o grupo. A outra mudança do line up – a contratação de Francesco Jovino – também foi muito bem feita. O baterista mostra serviço e impressiona com seu estilo.

O Primal Fear está em grande fase. Quem acompanha a banda pode perceber a evolução do grupo durante os últimos trabalhos. Em 16.6 (2009) a banda, ainda meio que implicitamente, flertava com um power metal mais dramático e épico. Mas em Unbreakable (2012) e em Delivering the Black (2014), vemos um metal mais direto, poderoso e empolgante. É disco após disco, em um nível constante de qualidade que busca entregar o melhor da musicalidade da banda. Portanto, este disco pode ser entendido como uma continuação saudável do que o PF vinha fazendo nos últimos dois álbuns.

É inegável a influência do Accept na sonoridade do PF. Os conterrâneos também estão em grande fase, com grandes discos lançados ultimamente. Também há referências aos últimos do Saxon e aos discos clássicos do Judas Priest.

A banda continua levantando a bandeira do metal, modernizando a proposta sem abrir mão da crueza marcante de antigamente. Esse é o brilho do disco. Agressividade andando lado a lado com melodias, em perfeito equilíbrio. Há liberdade em Rulebreaker para inserção de elementos épicos, um perfeito gatilho para ativar a nostalgia dos fãs da fase mais power da banda. Enfim, que grande fase do Primal Fear! E que continue assim, tanto para o bem do metal alemão, quanto para o metal mundial.

spotify:album:5VTJm7gXSkWrU86d1g0R7j

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1 comentário em “Primal Fear – Rulebreaker (2016)

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