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Black Sabbath – The End (2016)

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Não é o último álbum, apenas as últimas 4 músicas

Por Lucas Scaliza

Para encerrar (será?) uma banda tão longeva e influente como o Black Sabbath, três de seus membros originais permaneceram juntos desde as gravações de 13 (2013) para uma última turnê mundial e para um último álbum. Ou quase isso. The End não é um álbum propriamente. De suas oito faixas, apenas quatro são faixas inéditas e todas sobras do último disco. Também não é o canto do cisne, como o The Endless River (2014), do Pink Floyd. São apenas as últimas quatro músicas lançadas por Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Tony Iommi.

Como sobras de estúdio, todas as quatro novas faixas estão totalmente integradas ao espírito de 13. Riffs lentos, nada de solos à velocidade da luz, e muito peso heavy metal, com Iommi deixando os acordes soarem com seu timbre característico e poderoso. O baixo de Butler está tão presente como nunca. A bateria é do competente Tommy Clufetos, já que Bill Ward não está mais em condições de tocar. Assim como no álbum anterior, Clufetos se encaixa perfeitamente ao Sabbath em todas as faixas. Ozzy já não possui a voz que tinha nos anos 70, então nada de tons muitos altos ou de músicas muito agudas. Ele canta de uma forma limpa e confortável para seus pulmões e diafragma. E digamos que se isso não impressiona de forma alguma, também não fica ruim, já que há uma abordagem mais stoner metal tradicional da banda.

blacksabbath_theend

13 e The End, partes do mesmo contexto, possuem excelentes músicas, mas de forma alguma representam a discografia ou a ousadia que a banda já teve na primeira década de existência. Fica claro que o público do Sabbath atualmente é mais metaleiro e pode não aceitar certas experiências tão bem quanto no início da carreira da banda, quando o heavy metal ainda estava em formação. Temos que lembrar que o Ozzy, Tony, Bill e Geez tocavam rock soturno, mas também encaixaram reggae em uma de suas mais estridentes canções, “Sabbath Bloody Sabbath”; bebiam diretamente do blues e isso era evidente, como mostra “Warning”, e até usavam gaita, como em “The Wizard”; fizeram até balada de piano e violão, como “Changes”, “Laguna Sunrise” e “Fluff”; e tinham muita influência do psicodélico. As últimas canções do grupo de Birmingham não representam essa variedade e criatividade, assim como todos os últimos discos da banda – com ou sem Ozzy nos vocais – voltaram-se mais diretamente para o heavy metal, sem flertes significativos com outros estilos.

Apenas “Take Me Home”, de The End, arrisca colocar um violão para solar com a escala menor harmônica no lugar de uma guitarra. As faixas “Season of the Dead” e “Cry All Night” são o Sabbath repetindo seus bons riffs. “Isolated Man” ainda é direta, mas melhor. Iommi debulha a guitarra com um daqueles solos embolados e o baixo de Butler soa nítido e agressivo, assim como a bateria de Clufetos.

Contudo, temos que dar o braço a torcer. Quando a voz, o baixista e o guitarrista original se reuniram a Clufetos em 2012, produziram muito e nada do que fizeram fica abaixo da média. Podemos concordar que não há nada excepcional, mas o Sabbath mostrou-se em grande forma. A versão comum de 13 tinha oito faixas e 53 minutos de música. Depois vieram outras versões do álbum revelando mais cinco faixas inéditas. Agora The End nos entrega outras quatro. A volta da banda foi realmente produtiva.

Completam The End versões ao vivo de “God Is Dead”, “End Of The Beginning”, “Age of Reason” (todas do 13) e “Under The Sun”, do disco Black Sabbath Vol. 4 (1972).

A verdadeira atração não é The End o álbum, mas a turnê. Se realmente cumprirem o que prometem – a última vez que excursionam juntos – promete não ser o melhor Sabbath de todos os tempos ao vivo (a idade dos músicos já não permite uma performance exemplar e enérgica como Ozzy já entregou tantas vezes no passado), mas felizmente ainda tem a verve de tocar com qualidade, peso e consciência da referência que se tornaram para o mundo do rock e do metal.

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13 comentários em “Black Sabbath – The End (2016)

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