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Mike Zito & The Wheel – Keep Coming Back (2015)

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Disco novo traz um tom confessional, mescla estilos e é o melhor da carreira do Mike Zito

Por Gabriel Sacramento

Mike Zito é um dos músicos atuais que trabalham para manter viva a chama do blues nos Estados Unidos. Estilo lendário que já teve tantos representantes como B. B. King, Muddy Waters e Albert King, agora conta com atos como Eric Sardinas, Bernard Alisson e Jonny Lang.

O guitarrista fez parte do grupo Royal Southern Brotherhood por cerca de dois anos (2012-2014), até que resolveu sair e focar em sua carreira solo. Carreira que já estava a todo vapor, com discos como os ótimos Pearl River (2009) e Gone To Texas (2013). Neste, Zito começou a contar com a colaboração de uma banda de apoio – The Wheel Band.

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Foto: Walter Vanheuckelom

Zito sempre demonstrou que domina as linguagens do blues, rock e country. Estilos que ele mesmo já afirmou que são seus favoritos. Seus discos trazem essas linguagens misturadas e dispersas, mesclando um bom som vintage com toques bem dosados de modernidade. Pearl River era um blues mais intenso e pesado, enquanto Gone To Texas apresentava um som mais acessível e influenciado pelo country.

Keep Coming Back é o mais novo disco do guitarrista/vocalista americano. O título tem a ver com sua recuperação dos problemas com álcool no passado. O disco passa uma mensagem positiva, mas realista, embasada nas experiências do músico.

O disco começa com um clima festeiro, acentuado pelas guitarras de Zito com níveis consideráveis de distorção, com canções como a faixa-título – que traz uma mensagem motivacional – e “Chin Up”, na qual Zito entrega ótimos riffs. Em uma clima mais cool, vem a confessional “Get Busy Living”, “Lonely Heart” e a bucólica “Early in The Morning”. As três faixas poderiam soar melhor se o baixo estivesse menos comprimido na mix.

A mais alternativa “Girl From Liberty” traz um pouco mais de distorção que as anteriores, porém o efeito está bem controlado para combinar com a veia acessível da faixa. “Nothin’ But the Truth” é um blues bem parecido com o estilo do Eric Clapton e “Cross The Border” traz um ótimo refrão, com acentos bem colocados. Zito gravou dois covers: “Get Out of Denver”, do Bob Seger, e “Bootleg”, do Creedence Clearwater Revival. A primeira tem até uma boa execução da banda, mas os instrumentos soam muito embolados na mix. A segunda é uma versão bem legal e moderna, com uma boa presença do saxofone.

Os melhores momentos do disco são as baladas “I Was Drunk” e “What’s on Your Mind”. A primeira – composta em parceria com Anders Osborne – tem letra inspirada que versa sobre os problemas do cantor com álcool e como isso afetou as pessoas ao seu redor. Já a segunda, mostra um eu-lírico que tenta descobrir porque o seu relacionamento com a amada não está dando certo, desembocando no refrão: “Eu preciso saber, o que se passa na sua cabeça”. A canção possui a melhor interpretação de Mike no disco e se desenvolve de uma forma apaixonante em seus longos seis minutos.

O novo disco é menos intenso do que Pearl River e um pouco mais profundo que Gone To Texas. Este último já apresentava um conceito forte incutido no título – uma homenagem ao estado americano onde Mike morou por muitos anos. Comparado com Pearl River, o novo disco traz menos blues, assim como Gone To Texas. Percebe-se que o estilo está ficando cada vez mais diluído na sonoridade do músico. Em Keep Coming Back há mais espaço para um som alternativo e acessível, que pode até angariar novos públicos.

Quanto aos instrumentos, além da guitarra de Mike, que entrega solos e riffs  convincentes, destaco também a atuação do saxofonista Jimmy Carpenter, com ótimos solos que tornam o seu instrumento onipresente nos arranjos. Já o baixo não soa tão bom, embora os arranjos exijam muito do baixista Scot Sutherland.  Ele atende às exigências, mas seu instrumento acaba sendo injustiçado na mix, com pouco volume. Quanto ao resto, as performances são boas e contribuem para o bom desenvolvimento das canções.

Keep Coming Back traz um clima positivo, confessional e inspirador. Zito canta sobre seus problemas pessoais, expondo-os de forma muito clara, sob uma visão bem otimista. Suas letras se conectam perfeitamente com os arranjos instrumentais, cheios da energia do rock, melancolia do blues e do clima relaxado e campestre do country. Aqui, o cantor equilibra os três estilos, sem deixar que nenhum tome o espaço do outro.

Conclusão: é um ótimo disco, com um conceito forte passado com muita competência. A sonoridade tem destaque para a guitarra do líder da banda, mas também há espaço para outros instrumentos, como o sax. Mistura sensações e estilos e tem força para ser classificado como o melhor disco do Mike Zito até agora.

spotify:album:01NWrURqbqlBiYhOgwCoMc

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1 comentário em “Mike Zito & The Wheel – Keep Coming Back (2015)

  1. Pingback: Mike Zito – Make Blues Not War (2016) | Escuta Essa!

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