2016 Pop Resenhas

Foxes – All I Need (2016)

Valeu a tentativa, Louisa

Por Lucas Scaliza

A inglesa Louisa Rose Allen vai tentar convencer você de que All I Need é mesmo o que você precisa. E é capaz de você deixar se convencer se tudo o que você precisa é somente mais uma musiquinha dance e pop descarada com pouca imaginação, ou uma música animada para injetar disposição no seu dia (com uma boa dose de café ao lado), já que o Anti da Rihanna não é baladeiro como você esperava. Ou talvez as novas músicas da Foxes seja tudo o que você precisa porque, convenhamos, não há muita coisa para você querer no momento (nesse caso, pode ser que ou você já esteja bastante confortável com o que tem ou simplesmente lhe falte mais perspectivas).

Espero que a falta de perspectivas e horizontes não seja o seu caso. Seguramente, é um dos problemas de Louise R. Allen, mais conhecida como Foxes no mundo da música. Claramente há potencial nessa mulher de 26 anos, mas igualmente transparente é sua falta de coragem para ousar e fugir do pop padrão, algo enfrentado também por Rachel Platten em seu Wildfire. “Rise Up”, que abre e fecha o disco, soa até como algo que esperaríamos da Grimes, mas tirando uma ou outra faixa, All I Need tem muito pouco a mostrar e a contribuir com a música pop.

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A voz de Louisa Allen é boa, agradável, afinada e responde bem ao tipo de som que pretende fazer. Não é, contudo, muito marcante. Daí a necessidade de uma assinatura musical mais forte. “Amazing”, “Cruel”, “Wicked Love” e “Shoot Me Down”, só para citar algumas, seguem o que o pop vem fazendo nos últimos anos. É verdade que ela tenta colocar alguns detalhes que fujam do extremo convencional (como a ótima bateria de “Money”), mas além de escassos, não são decisivos para a composição. “Devil Side”, que poderia mostrar sua assinatura, chega ao refrão lembrando uma pancada de outras músicas do mesmo tipo. Esse é outro problema de Foxes: seus refrãos são comuns demais.

Mas há alguns destaques positivos. No conjunto de seu disco, “Body Talk” seria o indie pop do repertório, e é uma das poucas faixas que se salvam. Ela usa um sintetizador no lugar da guitarra para marcar os acordes mais destacados da música e preenche a canção com uma camada de som cheio de eco. “If You Leave Me Now” é a balada de coração partido obrigatória em discos pop. Dentre todas as outras baladinhas de All I Need, é a que melhor funciona.

As referências são bem claras. Quando aposta em um pop mais leve, parece Carly Rae Jepsen. Quando usa crescendos ou aposta em algo mais baladeiro, lembra bastante Ellie Goulding (ouça o refrão da faixa “All I Need” e diga se não parece a própria Goulding cantando).

Além de ousadia, falta personalidade à Foxes. Enredada pela pressão de fazer uma música de fácil assimilação, apostou demais no familiar e perdeu a chance de fazer algo mais original e consistente. Se a maioria de suas canções se parecem com outras tantas canções que ouvimos antes e já supriram nossas necessidades musicais, All I Need está longe de ser o que precisamos nesse momento.

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9 comentários em “Foxes – All I Need (2016)

  1. All i need é exatamente o que eu preciso!

  2. Sua crítica é mais uma opinião própria sobre Foxes do que sobre o álbum em si.

    Em um cenário onde o que tos atualmente são muitas músicas compradas e artistas sem o menor talento, Foxes é de longe muito talentosa e All i need é sim um bom álbum, pode não ter letras ou arranjos complexos, mas cumpre muito bem o seu papel de álbum POP.

    As pessoas andam muito obcecadas com o termo farofa e genérico e acreditam – erroneamente que – qualquer música que sai dessa fórmula automaticamente já se torna uma “música de verdade” ou até mesmo uma “obra prima” .

    Anti da Rihanna é uma boa prova disso, não é porque sai do convencional que seja melhor que qualquer pop genérico que toca nas rádios de hoje.

    • Oi, NB. Garanto que a resenha é do disco, e não da Foxes, porque caso fosse uma crítica à pessoa, não teria dito no início do texto que ela tem potencial (só falta mostrar). Como se vê, eu lido com a obra o tempo todo e como ela se expressa por meio do que produziu.
      A Foxes pode ser talentosa, como você disse, e eu acredito que realmente seja. Porém, “All I Need” não ultrapassa a linha mediana do pop. Como já subentendido no texto, pode ser que esse pop sirva a várias pessoas que não estejam mesmo esperando inovação ou uma carga de criatividade maior, seja da Foxes ou seja de qualquer outra/o artista/banda; mas se estiver querendo fugir do pop que já ouviu diversas vezes em diversos outros álbuns, “All I Need” não é a melhor pedida.
      “Anti” tem que ser contextualizado: a Rihanna nunca propôs um álbum como este, menos balada, menos dançante, mais alternativo, mais calcado no R&B. É por isso que “Anti” surpreende. E não quer dizer que no próximo trabalho a Rihanna não voltará para as pistas, para a festa. Mesmo assim, “Anti” surge como uma peça diferenciada de sua discografia e que continua muito coerente com quem Rihanna é.
      A Foxes está começando, é natural que aposte no que é mais seguro. É que ousar um pouquinho mais não faria mal. Ou faria?

      • Não, eu concordo neste ponto com você, mas, ainda sim acho que o álbum cumpriu o seu propósito de ser um álbum POP – só isso –

        Acho que talvez pelo fato da grande maioria das cantoras que tentaram sair do convencional (exp marina and the diamonds com o incrível Froot) fracassaram, a Foxes preferiu essa “zona de conforto” para tentar o mainstream..

      • All I Need parece um álbum encomendado pela gravadora para tentar atingir o mainstream, e de fato é bem comercial, de fácil assimilação, visualmente agradável. Foxes tem potencial sim, só escutar o primeiro Álbum dela, Glorious e o Ep Warrior, com musicas bem mais intimistas e coesas.
        Porém achei All I Need um álbum gostoso de ouvir, e ele é bom para o que se propõe, ser um álbum comercial, e apenas isso. Mas foi uma pequena decepção depois de outras experiências com as músicas antigas dela.

  3. Recomendo Froot da Marina pra vocês, é muito completo.

  4. ALL I NEED, tudo o que gente precisa!

  5. A gente esperando ela vir com um pagodinho pra inovar e ela vem com esse álbum… Como assim um álbum POP, de uma cantora POP vir abarrotado de músicas POP?! Que absurdo!
    A verdade é que o mundo da música está uma chatice, as pessoas deixaram de simplesmente curtir o som pra ficar criticando.
    Ela fez o que tinha que fazer, entregou um álbum POP , com músicas gostosas de ouvir e pronto. Essa obsessão por “inovação” já deu, porque parece que agora isso se tornou uma regra e tudo que se mantém com qualidade, porém de forma linear, é apedrejado por não “sair da caixa”. Chega de buscar (e exigir) conceitos e contextos em tudo, apenas curtam a música e pronto!

    • Você esperava pagode? Eu não. Também não vejo problema em um álbum pop (ou rock, ou hip hop, ou samba…) ser só um disco como todos os outros sendo lançados ao mesmo tempo. O público que decida.

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