2016 punk Resenhas Rock

Ignite – A War Against You (2016)

Em novo disco, hardcore do grupo se encontra cada vez mais diluído em melodias pop bonitinhas

Por Gabriel Sacramento

O Ignite é uma banda californiana que surgiu na cena do hardcore na década de 90. Depois de alguns pequenos lançamentos, alcançou maior notoriedade com A Place Called Home (2000), mostrando um hardcore diferenciado, com mais melodias vocais do que o comum para o estilo, mas a mesma crueza e velocidade.

A inserção de mais melodias no estilo derivado do punk era muito bem feita. Em A Place Called Home (2000) e Our Darkest Days (2006), a melhor fase da banda, eles mostram consistência e convencem os ouvintes acerca do seu jeito de fazer hardcore. E não é só isso: a banda também trabalha com boas letras críticas de cunho político-social.

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Depois de um longo hiato de dez anos desde o último lançamento, o grupo reaparece com A War Against You (chamarei aqui de AWAY). A produção continua a cargo de Cameron Webb, mesmo produtor dos discos anteriores.

A produção é a mesma, mas a sonoridade não. Em AWAY, o grupo avança a passos largos para um som mais próximo do pop-punk, com melodias mais fáceis de serem assimiladas. AWAY é ainda mais melódico do que os anteriores. As influências de bandas como Green Day e The Offspring, que já eram notáveis nos outros discos, aqui se tornam ainda mais evidentes.

A mudança consistiu em um foco ainda maior nas melodias vocais, que já existiam na música dos californianos. Isso afetou até as guitarras, que agora mostram linhas mais simples, para que os vocais sejam mais realçados.

Isso tudo fica bem claro em “Begin Again”, a faixa de abertura. Possui um excesso de melodias e agudos, que inclusive trazem até um pouco de heavy metal para a sonoridade do grupo. “Nothing Can’t Stop Me” foi composta com um objetivo nobre: dedicada a um amigo da banda que estava sofrendo com um tumor no cérebro. A faixa poderia, facilmente, ser incluída em um dos discos do Black Veil Brides. Daí, então, vem uma série de canções que possuem as mesmas características: melodias palatáveis, simples, comerciais e não muito marcantes, além de riffs e passagens instrumentais mais simples. Podemos perceber isso em canções como “Alive”, “How is This Progress”, “Rise Up” e “Where I’m From”, que não prendem a atenção, nem se diferenciam muito entre si.

O intenso e esmagador riff de “This is a War”, combinado com sua letra, funciona bem. Mas o peso é atrapalhado pelos vocais ultramelódicos de Zoli Téglás, que não fornecem a força necessária que a música necessita. Em se tratando de bons riffs, “You Saved Me” também não fica para trás. A fantástica “You Lie” é a melhor do álbum, pois sai da mesmice e traz melodias menos comuns, vocais fortes, mais agressivos e uma boa consistência instrumental.

O caminho ultramelódico, pop e comercial pelo qual a banda enveredou está bem claro e fácil de perceber. O hardcore se encontra cada vez mais diluído em melodias legais, feitas para angariar mais fãs e maior reconhecimento do público. Se você espera a crueza de A Place Called Home e Our Darkest Days pode se decepcionar com as escolhas da banda neste disco. Ouça preparado.

Ou seja: o desejo por maior sucesso comercial e visibilidade além do hardcore torna a música do Ignite algo bem diferente da sonoridade com a qual eles ficaram conhecidos. A nova fase da banda representa também um passo para longe da originalidade que tornava a banda bem interessante em seus lançamentos anteriores. Mas se o seu lance for esse e já estiver acostumado com música punk encharcada de melodias pop bonitinhas, vá fundo.

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