2016 Pop Resenhas Rock

Cotton Salamander – The Pale and Crescent Moon (2016)

Cotton Salamander the Pale and Crescent Moon

Influenciado pelo rock progressivo, Martin Randle aborda temas, sonhos e sentimentos em seu primeiro álbum

por brunochair

Em mais uma destas buscas que faço pela web atrás de novidades musicais, pude conhecer o Cotton Salamander. Antes de fazer qualquer pesquisa sobre o artista, antes de pensar no que escrever ou por qual motivo escrever, eu simplesmente ouço os álbuns: independente de gênero, de letras, de nacionalidade, de intencionalidade. A fruição é despida de quaisquer ideias preconcebidas: é o primeiro contato, aquilo que dirá se o arrepiar de pele foi pra valer, ou se foi apenas um vento. É como o primeiro olhar, o primeiro toque em alguém, a paixão que poderá vir a ser o amor – mas que deve passar pelo choque inicial, por aquela indescritível sensação (prazerosa) da empatia.

Cotton Salamander promoveu uma imensidão de sentimentos em mim. Ainda que eu não tenha a familiaridade suficiente para entender o inglês, The Pale and Crescent Moon transmitia algumas sensações muito intensas. Havia muito ali, para explorar. Ao mesmo tempo em que o álbum explorava com maestria a busca por um belo estético (presente nas melodias e também na capa do álbum) cada música possuía uma atmosfera completamente distinta, oferecendo desde o sublime até a confusão, desesperança.

Após ter ouvido o álbum por algumas vezes, chegou o momento da pesquisa: descobri que Cotton Salamander, assim como Photo Ops, é a ideia de um único artista: enquanto Terry Price é o homem por trás do Photo Ops, Martin Randle é quem dá vida ao Cotton Salamander. Martin gravou todos os instrumentos do álbum The Pale and Crescent Moon, além de escrever todas as letras. Trata-se do primeiro projeto do artista, residente em Melbourne (Inglaterra). O disco físico foi lançado em fins de 2015, e desde 15 de Fevereiro está disponível nas plataformas virtuais para audição.

Cotton Salamander the Pale and Crescent Moon2

A capa do álbum foi criada pelo pai de Martin, Brian Randle. Trata-se de um quadro confeccionado por Brian a partir de um sonho de Martin. Este sonho foi crucial para o artista, e a partir dele é que todo o conceito do disco foi desenvolvido. Segundo relato que o próprio artista (muito solícito e gentil) proporcionou a mim através de uma rápida entrevista, Martin sonhou com a avó já falecida, de quem era muito próximo. Ela caminhava por um terreno descampado, e ele a via através da luz do luar. A avó de Martin caminhava rumo à praia, e próximo a ela foram reunindo outras tantas almas, na mesma caminhada. Ao chegar à praia, todas essas almas voaram por sobre o mar, e se foram para sempre, sob a luz do luar. Esta é a história da canção “A Pale And Crescent Moon”, a última música do disco.

The Pale and Crescent Moon aborda temas como espiritualidade, fé, reencarnação, hipnose, criogênese. As músicas abordam tais temas de uma forma bastante crítica, pontuando os contrassensos entre acreditar e realmente seguir algo. Em “Nothing Inside”, por exemplo, a letra faz a crítica a alguém que diz acreditar em divindade, mas que continua entregando-se aos prazeres materiais. Fora isso, a música traz a visão de alguém que está em um leito de hospital, à mercê da medicina para encontrar novamente os seus. “So Solid Guy” faz uma reflexão sobre a criogênese: após retornar à vida, o que será do homem descongelado? O que ele verá, o que ele fará?

Sobre a sonoridade do álbum, pode-se dizer que está muito mais próxima do rock progressivo. Segundo Martin Randle, sua maior influência é Pink Floyd. E sim, fica muito evidente no álbum esta menção ao grupo inglês, sobretudo a The Division Bell, disco em que o clima do místico também está presente, com força. Martin também citou como influências Radiohead, Talk Talk, Blue Nile e The Smiths. Da minha parte, notei uma influência de Robert Smith (The Cure) na condução de voz de algumas músicas, bem como uma familiaridade com o Petrichor, banda estadunidense que lançou o seu primeiro álbum também em 2016. “Nothing Inside” possui algumas linhas de guitarra próximas das de “Spirit Carries On”, do Dream Theater.

Enfim, trata-se de mais um ótimo disco, lançado fora dos radares convencionais da música. The Pale and Crescent Moon é repleto de sensações, questionamentos e a busca por uma sonoridade autêntica, que pudesse ser pano de fundo para as histórias que permeassem o disco. Para quem gosta de rock progressivo, para quem gosta de Pink Floyd, vale a pena conhecer o primeiro disco do Cotton Salamander. Eis a dica.

Anúncios

2 comentários em “Cotton Salamander – The Pale and Crescent Moon (2016)

  1. Oi Brunochair, este é o pai de Martin. Obrigado pelas maravilhosas comentários que fez a respeito de seu novo álbum. Sua mãe e eu estamos muito orgulhosos e ele merece reconhecimento. Espero que o seu blog ajuda-lo. Mais uma vez obrigado Brian Randle

    • Hi, Brian! It was a pleasure for me listen and write about the disc of your child. The album is fantastic! The front cover of the disc is awesome! Congratulations for this! A talented family! Hugs for all, and very sucess with this album!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: