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Matheus Brant – Assume que gosta (2016)

matheus brant assume que gosta

Assume que gosta, vai.

por brunochair

Caro leitor, antes de iniciar a resenha sobre o segundo álbum do Matheus Brant, gostaria de fazer uma pergunta a você: por acaso você gosta de algum artista/banda e tem vergonha de dizer aos seus amigos, parentes, cônjuges ou pessoas próximas? Sei lá, de repente você é rockeiro e não gosta de assumir que gosta de um pagodinho, ou gosta de Frank Sinatra e não diz pra ninguém que adora os Carpenters. Gosta do Mc Bin Laden, acha o cara original e inteligente, mas prefere não repercutir o tá tranquilo, tá favorável? Não venha com esse sorriso amarelo para o meu lado que eu sei que você gosta de algo que é visto por alguns como “duvidoso” e prefere não assumir.

Alguns, ao avaliar música, partem de alguns referenciais um pouco estranhos, como se a música dispusesse de uma hierarquia – em que alguns estilos musicais estivessem em degraus acima por conta da complexidade de ritmos e melodias, enquanto ritmos mais populares estariam nos últimos degraus, por conta da “pobreza” em letras e arranjos. Ocorre que tal argumento incorre em um tremendo erro e está despido de preconceito, haja vista que a música porta significações e necessidades distintas. Para algumas situações, o rap ou o funk soam muito mais verdadeiros que a música clássica. O caráter revolucionário do rock (que anda bem conservador por esses tempos) traz uma veracidade que às vezes a mpb não consegue preencher.

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Assume que gosta, vai. Essa é a mensagem de Matheus Brant para o público ouvinte, com o lançamento do seu segundo disco. Assume Que Gosta trafega por diversos ritmos brasileiros adorados por muitos, enquanto outros preferem torcer o nariz, fazer cara de nojo. No disco tem arrocha (“A Levada do Arrocha”), brega (“Do Prazer”, “A Balada”), axé (“Me Namorar”), samba e pagode (“Carnaval”, “Pagode”). Os ritmos populares estão presentes no disco, pulsam com autenticidade e ganham uma roupagem mpb/indie, de quem também trafega (e tem como referenciais) Novos Baianos, Tom Zé, Caetano Veloso. É desta miscelânea entre o superpopular e a mpb que Assume Que Gosta está calcado.

Matheus Brant faz parte de um movimento interessantíssimo da cena musical de Belo Horizonte, como o de Gustavito e a Bicicleta (“#Magrela” tem um quê do que Gustavito se propõe a fazer musicalmente) e Thales Silva (A Fase Rosa). São artistas que desenvolvem uma musicalidade despida de qualquer preconceito – aceitam o popular, o erudito e elaboram a sua própria versão daquilo que acreditam ser música. Porém, há que se ressaltar que Assume Que Gosta é o disco mais enfático nesse sentido, transitando com expressividade pelas duas esferas.

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Outras boas músicas do disco: a balada “Abandonado”, o indie rock “Hoje o dia é seu” e a “Marchinha Francesa”.

 

Youtube: https://www.youtube.com/user/matheuscbrant

Página do artista: http://matheusbrant.com.br/

2 comentários em “Matheus Brant – Assume que gosta (2016)

  1. Eu simplesmente adoro o álbuns de Brant.

  2. Pingback: Graveola – Camaleão Borboleta (2016) | Escuta Essa!

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