2016 blues Funk Pop Soul

Cais Sodré Funk Connection – Soul, Sweat & Cut the Crap (2016)

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O afiado funk lisboeta do Cais Sodré Funk Connection chega ao segundo disco, com propriedade

por brunochair

Assim como temos a baixo Augusta e Vila Madalena em São Paulo, a região dos arcos da Lapa no Rio de Janeiro e o bairro do Bom Fim em Porto Alegre, Cais do Sodré é considerada a região da boemia na cidade de Lisboa, Portugal. E, como todo bairro boêmio que se preze, sempre há boa música – a que se ouve e a que se faz. Nesta região histórica da cidade de Lisboa, nos idos de 2009/2010, surgira a ideia de se fazer uma big band que reverenciasse a black music das décadas de 60 e 70. Desta vontade e dessa ideia, temos o nascimento do Cais Sodré Funk Connection.

Após algum período tocando em casas de shows Portugal afora (sobretudo a Musicbox Lisboa, instalada na região do Cais do Sodré) o grupo chega ao seu primeiro álbum gravado: You Are Somebody, de 2012. Neste álbum, fica perceptível a vontade da banda em flertar com o funk de James Brown, Sly & The Family Stone, The Comodores, Funkadelic e tantas outras bandas surgidas nas décadas já citadas.

Soul, Sweat & Cut the Crap, o segundo disco da banda e do qual iremos falar agora, segue a mesma intenção que o disco de estreia da banda, mas consegue ampliar os horizontes da black music do disco anterior: mais soul e mais blues nesse caldo (já) bastante encorpado. A banda assume uma estética vintage tanto no vestuário quanto na musicalidade. No entanto, tais escolhas servem apenas como pano de fundo para a criação. Ainda que olhem para trás para buscar inspiração, o Cais Sodré Funk Connection reelabora e reinventa o estilo à sua maneira.

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Outra característica do conjunto é esse poder em criar músicas “pra cima”, definitivamente pra dançar. Talvez a banda tenha adquirido esta especialidade por ter sido gestada na boemia, no círculo de casas de shows e clubes, o que faz com que as músicas mais animadas sejam mais festejadas.Todas as músicas de Soul, Sweat & Cut the Crap tem essa vertente festiva e animada.

O grupo possui dois vocalistas. Silk segue mais a linha de um funk (impossível evitar a comparação com James Brown), enquanto Tamin exerce um contraponto interessante para a banda – tanto em relação a Silk, como em relação a fazer a música tomar outros rumos bastante distintos. Como exemplo, podemos citar a “One of These Days”, em que a canção ganha uma força pop vintage com a interpretação de Tamin, algo próximo do que Karen Carpenter conseguiu ao regravar a música da banda The Marvelettes (“Please Mr. Postman”) em 1974. “Like no Other” é outra faixa em que Tamin exerce com propriedade essa influência mais pop para a sonoridade do grupo.

Para quem curte a boa funk music, o Cais Sodré Funk Connection é um prato cheio. Divertido de ouvir, bom pra colocar naquela festinha anos 70, ou mesmo para ouvir com os amigos. Está sozinho e precisa fazer uma faxina em casa? O disco também funciona. A faxina será mais animada e produtiva, e a vassoura será a sua companheira de dança. Para todas as idades, para todas as vontades.

Outras boas músicas: “Take It Like a Man”, “A Silk Affair”, “Soul Lady”.

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