2016 Indie Resenhas Rock

Explosions In The Sky – The Wilderness (2016)

The Wilderness é um trabalho com qualidades narrativas instrumentais mais poderoso que os antecessores

Por Lucas Scaliza

Após seis discos de estúdio e quatro trilhas sonoras (três delas lançadas entre 2013 e 2014), os texanos do Explosions In The Sky dão o passo previsível na discografia da banda: levam os movimentos típicos das trilhas para suas músicas. Assim, não espere o poder cru do post-rock instrumental de All Of A Sudden I Miss Everyone (2007), mas sim a beleza melódica de Take Care, Take Care, Take Care (2011) em um ambiente ainda mais contemplativo e mais aberto ao eletrônico.

Mas não se preocupe. O Explosions In The Sky não entregam um álbum ruim e nem mediano. The Wilderness é bastante imaginativo e emocional e embora não seja visceral, não é nem um pouco acomodado também. Dentro do ambiente reluzente que é o álbum, cada faixa serve a um passeio musical próprio, fazendo deste um trabalho com qualidades narrativas instrumentais mais poderoso que os antecessores.

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Se “Wilderness” é quase música ambiente e flerta bastante com o eletrônico e o sintetizado, “The Ecstatics” já propõe mais melodia, aliando teclados, guitarras e sons eletrônicos. “Tangle Formations” é um vislumbre dos primeiros discos do grupo, com sons saturados de bateria e muita harmonia, nos dando tanto o lado luminoso do grupo quanto o mais alternativo. E então chegamos a um ápice sonoro com a pesada primeira metade de “Logic Of a Dream”, uma incrível faixa que coloca as baquetas de Chris Hrasky para percorrer o kit, criando uma marcha potencializada por guitarras com muita distorção e efeitos de sintetizador que ajudam a elevar a dinâmica e o espírito do ouvinte. Quando chega ao ápice, “Logic Of a Dream” recomeça de forma gentil e contida, desembocando na ágil e mais visceral “Desintegration Anxiety”.

Se as linhas melódicas e as escolhas harmônicas do quarteto americano sempre remeteram a algo de espacial no passado, agora é como se a nave tivesse pousado em um novo planeta e o grupo começasse a explorar e contemplar o novo espaço físico. “Losing The Light” é talvez a mais evocativa deste tipo de leitura da obra. Confia totalmente no piano e nos sintetizadores para existir, criando um ambiente tão hostil quanto deslumbrante. Após uma curta aventura por esse novo pedaço de chão descoberto com excitamento (“Infinite Orb”), é hora de fazer a nave decolar de novo. “Colors In Space” usa aquele esquema de duas camadas: a primeira são dedilhados e riffs bem definidos; a segunda trata-se de uma guitarra entupida de sustain e reverb que cria aquelas notas espaciais que parecem flutuar pela trilha. Em um certo ponto, as duas camadas se combinam e ganham ritmo, para no terceiro ato tudo ser engolido por um buraco negro ruidoso e dissonante. “Landing Cliffs” é o que encontram do outro lado, marcando o final dessa jornada.

O Explosions In The Sky talvez estivesse alcançado um ponto em que fazer novas músicas com a mesma receita já esperada da banda não traria nada de novo ao público e a sua discografia. Aliar características de trilha sonora à forma como o grupo interpreta seus acordes e pensa as linhas melódicas é uma maneira de variar o processo de composição e trazer novos elementos para a banda sem que ela perca sua assinatura sonora. Os escoceses do Mogwai passaram por um processo muito semelhante com Rave Tapes e acredito que a mudança foi até maior do que a sofrida pelo Explosions.

The Wilderness valeu a espera e apresenta um novo patamar artístico para a discografia do quarteto. Acrescenta também novas possibilidades imagéticas para acompanhar as apresentações ao vivo. Agora mais do que nunca trata-se de uma banda em que a parte visual fará toda a diferença. Visto que eles trabalham com as narrativas audiovisuais há um bom tempo, é de se esperar que o show apresente também este novo patamar artístico.

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