2016 Metal Resenhas

Killswitch Engage – Incarnate (2016)

Grandes do metalcore pecam em fazer disco exageradamente melódico

Por Gabriel Sacramento

Os chefões do famoso mix entre hardcore e metal (chamado metalcore) resolveram finalmente gravar o sucessor de Disarm The Descent (2013). Para quem não conhece, o grupo surgiu em Massachusetts em 1999, depois do término de outras duas bandas da região. Desde então, gravaram seis álbuns. Incarnate é o sétimo.

Com o vocalista Howard Jones – que entrou para o grupo em 2002, depois da saída de Jesse Leach, ocupante original do posto –, a banda gravou dois dos melhores álbuns de metal pesado dos últimos anos: The End of Heartache (2004) e As Daylight Dies (2007). O equilíbrio entre o peso e melodia é impressionante nestes dois registros e marca o melhor do que foi chamado de metalcore. Depois de alguns anos, o vocalista original voltou ao grupo e gravou o já citado Disarm the Descent.

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Nessa mistura de hardcore e metal, a proposta do grupo é trazer doses descomunais de riffs agressivos e gritos, mesclando com melodias bonitas, agradáveis e acessíveis. A fórmula sonora que trabalha o equilíbrio entre o pesado e o melódico tem sido usada em todos os discos do Killswitch Engage.

Mas em Incarnate faltou justamente o equilíbrio. O que podemos ouvir no novo trabalho é uma ênfase maior nas melodias, o que sacrifica um pouco o desenvolvimento dos momentos mais pesados. Podemos perceber isso facilmente em “Hated By Design”, que traz riffs pesados, mas mal colocados, e uma perfomance vocal que fica a desejar (principalmente nas partes melódicas). Assim como em “Cut Me Loose”, que é um exemplo de como encurtam as passagens mais agressivas para dar mais espaço aos momentos mais melódicos e de como isso acaba prejudicando bastante o resultado final. Os riffs da dupla Adam Dutkiewicz e Joel Stroetzel, que sempre foram um dos pontos mais fortes da banda (é só lembrar de faixas como “Be One”, “Take This Oath” ou “In Due Time”) chamam a atenção em “Strength Of The Mind”, mas perdem a força quando chega ao refrão. O começo de “Loyalty” tem um pé no death metal, mas a faixa desemboca em um refrão descaradamente melódico que destoa da veia mais dark do início.

Há momentos bons? Sim, há bons momentos que nos lembram os velhos tempos de ouro da banda como “Alone I Stand”, que possui o estilo clássico das canções do grupo: bons riffs, vocais gritados e melódicos controlados. “Reignite” é pesadona e consistente, assim como a melhor do álbum: “Triumph Through Tragedy”, com uma influência notável do Hatebreed. Nessa, Leach não canta melodias.

A performance de Jesse Leach deixa a desejar e é bastante irregular. Seus vocais melodiosos soam muito iguais, pouco dinâmicos e criativos. Contudo, seus gritos são fortes e brutais, como um bom vocal de metalcore deve ser. Assim, Leach alterna momentos interessantes com outros nem tanto. Já as guitarras poderiam ser melhores, pois há um esforço em Incarnate para deixar tudo compiladinho, dando espaço às melodias e aos momentos mais leves. Isso afeta o desenvolvimento dos bons riffs escritos pela dupla Adam & Joel e consequentemente a apreciação deles por parte do ouvinte.

Assim como outros grupos de metalcore, como o All That Remains (ATR), que também se perdeu no excesso de melodias, o Killswitch Engage mostra que o grupo falhou no equilíbrio em Incarnate. No caso do ATR, o problema tem sido constante desde o disco Overcome (2008).

Comparado com seu anterior, fica bem visível que o grupo de Massachusetts perdeu um pouco a mão. Disarm The Descent trazia elementos de hardcore, boas melodias, excelentes riffs e momentos mais obscuros. Tudo isso muito controlado, garantindo à banda o mérito de conseguir manter uma boa consistência e a regularidade entre as partes mais pesadas e as mais acessíveis. Diferente de Incarnate.

As altas dosagens de melodias podem conferir ao grupo uma maior visibilidade, como também trazer repúdio dos mais conservadores. Pensando no futuro, talvez seja hora de mudar um pouco a fórmula que tem sido utilizada há anos, afinal é sempre bom inovar e diferenciar. Fica um questionamento: até quando a mesma fórmula funcionará?

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1 comentário em “Killswitch Engage – Incarnate (2016)

  1. Pingback: In Flames – Battles (2016) | Escuta Essa!

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