Asking Alexandria – The Black (2016)

Banda demonstra que não vive só de imagem, mas sabe fazer um bom som

Por Gabriel Sacramento

Dentro do rock/metal, algumas bandas são julgadas preconceituosamente pela sua imagem. Como o estilo ainda possui rótulos que impõem o que os músicos devem vestir e como devem se portar, alguns que não são direcionados pelos padrões, sofrem com opiniões preconcebidas dos ouvintes.

A banda inglesa Asking Alexandria é uma das que mais sofrem com esse preconceito. Quando os caras surgiram, em 2008, possuíam um visual considerado “emo”, com cabelos alisados e franjas. Por causa disso, muitos headbangers ortodoxos julgavam o grupo e não procuravam nem sequer saber como eles soavam para construir suas opiniões. Este resenhista que vos digita, em sua tenra idade, já nutriu este tipo de preconceito. Porém tudo isso foi ao chão quando ouvi com cuidado Stand Up and Scream (2009), disco que tem crueza e apresenta o velho contraste entre peso e melodia sob um ponto de vista jovial. Com o passar do tempo, eles amadureceram um pouco mais e lançaram um grande disco em 2013, From Death to Destiny, que alçou a banda ao patamar de outras grandes bandas do metal moderno. O álbum traz canções fortes, pesadas, consistentes e o melhor da mistura entre agressividade e leveza.

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Além disso, a banda tinha um diferencial que era o uso de elementos eletrônicos (isso era bem mais evidente no début). A forma como inseriam o eletrônico no metal era bem criativa e destacava o grupo.

Em 2015, Danny Worsnop anunciou a saída da banda. Então eles recrutaram Denis Shaforostov para os vocais e gravaram um novo disco com o novo vocal: The Black, lançado pela Sumerian Records e produzido por Joey Sturgis.

O disco começa com “Let It Sleep”, abrindo com uma explosão agonizante de gritos e uma camada sonora composta por guitarras e bateria bem pesada. Possui boas melodias e riffs djent. A banda faz boas músicas mesclando peso com calmaria, como “Sometimes It Ends”, que possui uma transição incrível entre essas partes contrastantes, e “We’ll Be Back”. Em “Lost Souls” há passagens bem obscuras que evidenciam o flerte com o black metal.

O grupo demonstra um cuidado maior com melodias em “Send Me Home”, “I Won’t Give In”, “Here I Am” e na balada emocionante “Gone”, que é executada ao piano e com um sofisticado arranjo de cordas.

A faixa-título é a melhor do álbum. Possui a fórmula perfeita para fazer uma boa música no contexto do disco: bons riffs + vocais guturais bem executados e variados + boas levadas de bateria + vocais melódicos excelentes, cheios de feeling. Tudo bem, o refrão remete ao passado mais adolescente da banda? Sim, mas perceba como a produção tomou cuidado para que fossem utilizado efeitos espertíssimos para não escancarar e deixar a composição muito melódica e melosa.

A produção é justamente um dos grandes destaques de The Black. Desde a parte da organização das ideias e maturação das canções até a mixagem e escolha de timbres, tudo é elogiável. Os timbres de guitarra são marcantes, as cordas soam bem percussivas e se encaixam perfeitamente na ideia dos riffs executados por Ben Bruce e Cameron Liddell. Soam mais balanceadas que as de From Death to Destiny, mixadas por David Bendeth, que soavam um pouco mais graves.

Boa parte das letras refletem a situação mal resolvida e o conturbado relacionamento com o antigo vocalista Danny Worsnop. Há frases que podem ser entendidas como disparadas diretamente para ele. O próprio letrista Ben Bruce afirmou que a maior dificuldade ao escrever o novo álbum foi tentar não pensar somente no ex-vocalista. Felizmente, Bruce conseguiu diversificar, inserindo um pouco da experiência de sua própria vida, como um recente divórcio, que inspirou as letras de “Let It Sleep” e “We’ll Be Ok”, por exemplo.

O novo do Asking Alexandria vem para provar que a banda não vive só de imagem, mas sabe vender um bom produto, consistente e convincente. Há um avanço no cuidado com as seções melódicas. Com relação aos anteriores, temos partes melódicas grandiosas, bem executadas e tratadas. O novo vocalista Denis Shaforostov tem uma ótima performance no disco, usando uma gama diferenciada de vocais agressivos, junto com um senso de interpretação que o permite variar de vocais calmos à agudos invejáveis nos momentos certos.

É um disco pesado e obscuro, mas emocionante, que representa mais um passo da banda rumo à emancipação artística. Nos últimos trabalhos, o desejo por ser e soar mais maduro já era bem evidente. Em The Black podemos concluir que a banda continua perseguindo essa condição. Ouça este disco com atenção e sem preconceitos para perceber que pode ser classificado como um dos melhores discos de rock/metal do ano.

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