Birdy – Beautiful Lies (2016)

Melhor produzida, está pronta para ganhar um público maior

Por Lucas Scaliza

Se Birdy cortasse as canções fillers (que só estão ali para encher espaço mesmo), Beautiful Lies seria pelo menos 1/3 menor e faria um bem danado ao álbum.

A cantora tem boas composições, boas letras e boa voz, mas perde-se às vezes em passagens menos inspiradas e que apenas ficam na média do pop mais simples e comum. Baladas como “Deep End”, “Words”, “Save Yourself” e “Hear You Calling”, que possui apenas um refrão marcante pouco mais que isso para ser ouvido.

birdy_2016

São várias as faixas boas, embora não sejam especialmente únicas, como é o caso de “Hear You Calling”, “Wild Horses” e “Lost It All”, “Lifted” (uma música de toada quase relaxante, linda melodia e feita para poder ser um dos singles do trabalho) e “Take My Heart” (toda construída em volta de uma atmosfera que configura o lado dream pop do disco).

Já as faixas que conseguem sair da média e fazer parte Beautiful Lies valer a pena devem muito à beleza de suas melodias de voz e boa interpretação de Birdy. É o caso de “Growing Pains”, “Shadow”, “Keep Your Head Up” e “Silhouette”. O instrumental não é ruim, mas não possui grande ênfase, apenas mantendo a música acontecendo e servindo como base para a voz, subindo a dinâmica e o volume em diversos refrãos. Embora tenha um pouco de Florence Welch (do Florence + The Machine) em como Birdy estrutura e canta suas músicas, Florence faz uma utilização mais consistente da banda que a acompanha.

Embora tudo pareça mais redondo, profissional e bem acabado em Beautiful Lies, faz parecer também que Fire Within (2013), o disco anterior, tem mais personalidade (como esquecer a bela interação dos dedilhados folk com a orquestração em “Words As Weapons”? Ou a doçura despojada com que “Maybe” faz sua mágica?). Perder algumas dessas características mais orgânicas é o que pode acontecer quando a produção melhora e trata de aparar as arestas da música. Mais profissional, porém, quando se trata do cenário pop radiofônico, fica também mais homogêneo.

Dessa forma, a jovem inglesa Jasmine Lucilla Elizabeth Jennifer van den Bogaerde se apresenta não apenas como uma potencial cantora e compositora para aparecer em festivais e ganhar mais exposição e mais público, mas se apresentar principalmente “vestida” de acordo com as regras do mainstream para “merecer” essa posição que pleiteia. Os fãs que gostavam da forma mais indie como suas músicas se apresentavam podem, porventura, notar as diferenças de produção em Beautiful Lies e não terem certeza do que pensar por um momento sobre Birdy. Mas o novo público que ela deverá abocanhar não tem o mesmo apego e vai adotá-la já sabendo que trata-se de uma artista bem produzida (e bem assessorada, se levarmos em conta o espaço que ela já mostra ter ganho nos Estados Unidos).

Embora seja um pop que não oferece perigo e nem desafio, há muita dignidade na música de Birdy. Por mais que a tenham formatado, ainda é possível reconhecer suas composições e seu jeito próprio de cantar. As faixas bônus da versão deluxe possuem desenvolvimento lento, como a triste “Start Again”, mas guardam bons momentos da cantora. “Winter” é a canção mais orgânica e praticamente a única em que sentimos uma banda real tocando ao fundo, adornada posteriormente por uma atmosfera bem construída que a liga ao resto da sonoridade do álbum.

Beautiful Lies representa um crescimento para Birdy. Deixou sua cidade natal para morar em Londres, favorecendo sua carreira. Perdeu as marcas das dificuldades de gravação dos dois primeiros discos e ganhou uma forma, exatamente como Elliphant e seu Living Life Golden. O pop praticado por ela ao longo do álbum pode deslumbrar ou soar enfadonho, depende de como você se relaciona com o estilo dela. Mas nunca vai te deslumbrar por tempo suficiente para ser considerado o melhor disco do ano e nem cansar ao ponto de não reparar seus vários pontos positivos.

birdy_beautiful-lies

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s