Haken – Affinity (2016)

affinity

Em seu quarto álbum, o Haken consolida-se no cenário do metal progressivo como uma banda de muita inventividade e qualidade

por brunochair

Se a previsão de lançamento oficial do quarto disco de estúdio do Haken, chamado Affinity, está programada para o dia 29 de Abril de 2016, quem acompanha a ebulição das redes sociais em torno da banda já sabe que o álbum já vazou há algumas semanas. Mesmo assim, o resenhista que vos transmite estas palavras preferiu degustar o Affinity com a calma que ele merece, antes de vir aqui tecer algumas palavras sobre ele.

Com o EP Restoration (2014), o Haken recebeu críticas bastante consideráveis do público que os acompanha. Alguns fãs chegaram a colocar em xeque o futuro produtivo do Haken, tão elogiado em seus três discos anteriores lançados: Aquarius (2010), Visions (2011) e The Mountain (2013). Cada qual à sua maneira, os álbuns citados possuem qualidades e características que alçaram a banda a uma condição de protagonistas da cena do metal progressivo e heavy metal, recebendo elogios de Jordan Rudess (tecladista do Dream Theater) e Mike Portnoy (ex-DT, atualmente Transatlantic e Winery Dogs).

A expectativa para o lançamento de Affinity era grande, portanto. E a própria banda começou a contribuir para o hype: em sua página oficial, o leiaute da página ganhou uma roupagem diferente, que lembra as antigas interfaces de processamento de dados e programação de informática. O comunicado para a imprensa seguiu a mesma tendência. Antes disso, o Haken havia anunciado (em sua página do Facebook) nome do álbum e das canções falsos, o que deixou os fãs ainda mais curiosos com relação ao material lançado.

A espera não foi em vão. Mais uma vez, e mais uma vez de uma forma bastante distinta, o Haken conseguiu impressionar. Affinity é um disco à altura do que se espera de uma banda criativa, original e difícil de ser rotulada, como é o Haken. Um disco que conseguiu reunir influências que a banda já possuía, incrementou outras tantas e reforçou a identidade própria da banda, algo construído nos três discos anteriores e que foi fruto de elogios (sobretudo) em The Mountain.

Se anteriormente o Haken recebia elogios pela reelaboração de uma sonoridade setentista (influenciados pelo rock progressivo de King Crimson e Gentle Giant) Affinity dá um passo além, transitando pela década de 80. “1985”, uma das melhores canções do ano, é a prova concreta dessa busca e experimentação. A banda realmente mergulha em influências oitentistas, e traz desde o rock progressivo do Rush ao eletropop do Europe (The Final Countdown) além do minimalismo eletrônico do Kraftwerk e da world music do Peter Gabriel. De certa forma, tudo está em “1985”, reelaborado com requinte e com um toque de modernismo, de heavy metal – sem deixar de ser pop em momento algum. Repito: uma das músicas mais interessantes do ano.

Em contraponto a “1985”, temos outra música importante do disco: “The Architect”. Densa e hermética, a canção apresenta outras referências e direções – o que faz do Haken uma banda tão criativa e inclassificável. Enquanto em “1985” devemos destacar o trabalho do tecladista Diego Tejeida, em “The Architect” o trio Richard Henshall/ Charles Griffiths (guitarras) e Conner Green (baixos) criam uma música poderosíssima e terrivelmente experimental, que ganha retoques de agressividade com o Einar Solberg (vocalista da banda norueguesa Leprous).

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Por falar em vocalista, Ross Jennings merece todo o tipo de elogio. Sua condução, no decorrer do disco, é perfeita. Mesmo em canções que não tenham a mesma força que as duas já citadas, como “Lapse” e “Earthrise” e “Iniciate”, sua interpretação é irretocável. Ele consegue ser melódico, agressivo, pop e experimental na mesma medida. “Lapse” e “Earthrise” mostram que o Haken tem condições de apresentar ao público canções dignas de mainstream, tocar nas rádios e etc. Seria esse o próximo passo da banda?

“The Endless Knot” possui um flerte com a new metal. Por conta disso, é uma música que divide gostos e opiniões dos fãs. Para quem está acostumado com as incursões da banda por outros caminhos, nenhuma novidade. A única canção fraca do disco (opinião do resenhista) é “Red Giant”, que se pretendia experimental como “The Architect”, mas que é arrastada e preguiçosa – nada que prejudique a qualidade e o conceito do disco.

Em suma, o Haken não decepcionou aos ansiosos fãs. “Affinity” é criativo, é pop, é experimental, é heavy metal, é metal progressivo, é  anos setenta e oitenta, influenciado por recursos eletrônicos de ontem, hoje e amanhã. Excelente trabalho técnico de todos os integrantes da banda, bem como da produção técnica e de marketing. Para quem ainda tinha dúvidas da capacidade do Haken, mais uma prova irrefutável de que os rapazes são o que há de mais inventivo neste cenário do metal progressivo.

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