2016 Indie Pop Resenhas Rock

Blue October – Home (2016)

Disco é atmosférico, carismático e eclético, dando um pouquinho de cada elemento do Blue October

Por Lucas Scaliza

Chegou a vez da banda Blue October, com seu oitavo disco de estúdio, reencontrar o lar e o coração. O quinteto texano mantém a introspecção de Sway (2013) e chamam de Home (casa) o novo trabalho, gravado em um estúdio de Austin, no Texas, e no estúdio que fica na casa do vocalista e guitarrista Justin Furstenfeld, em Houston. Para quem não sabe, ele é irmão do baterista do grupo, Jeremy Furstenfeld, e a capa do disco é uma foto antiga de seus pais se beijando.

O disco fala muito sobre sentimentos e relacionamentos (às vezes amorosos, outras vezes pode ser um relacionamento mais fraternal mesmo) e as letras são bem comportadas, usam bastante metáforas e se beneficiam bastante das linhas melódicas bem cativantes que a banda cria. Contudo, nunca entram de cabeça na própria intimidade. É um disco íntimo, mas do tipo que o ouvinte aceita para si, não do tipo que o ouvinte entra de fato no mundo e nos sentimentos do compositor/banda.

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Seja como for, Home é mais um passo na direção que limpa um pouquinho mais as veias do Blue October do rock guitarreiro e investe em harmonias, produção caprichada e atmosferas. A excelente e empolgante “Coal Makes Diamonds” e a mediana “The Lucky One” são o tipo de música que você ficaria feliz em rever o U2 fazer, congregando o que a banda irlandesa mostrou de melhor ao longo do tempo: coesão, clima, bons arranjos instrumentais e capacidade de envolver o ouvinte em sua escalada sonora.

Há também vários momentos em que a banda enverada por uma sonoridade mais próxima do Portishead e do Depeche Mode, como em “Driver”, “Break Ground” e “The Still”. Não são tão melancólicos como as bandas referências, mas o pop/rock do Blue October se dá bem mesmo assim. “Home”, o primeiro single do disco que foi liberada no final de 2015, destoa um pouco do resto do álbum. É uma música bem jovial e pop, trocando as guitarras por violões, mas fazendo todo um caminho até os últimos refrãos mais altos, mais cheios de som e teclados.

Se o single mira o rádio e o público médio norte-americano, a banda sabe que não pode descuidar dos shows e entrega refrãos grandes e sonoros em “Heart Go Bang” e “I Want It” feitos pare serem acompanhados por uma plateia animada, um recurso usado por muitas bandas que querem incentivar a plateia a se tornar um coral ao vivo, como o Imagine Dragons. Já “We Know Where You Go” tem cara de música fofa de banda inglesa.

Sem muito aviso, e no final do disco, estão as músicas pesadas de Home. “Leave It In The Dressing Room (Shake It Up)” é bastante ameaçadora e flerta com o metal. “Houston Heights” mantém o clima pesado, mas uso o hip hop como condutor da pressão em bateria, baixo e guitarra. “Times Changes Everything” e a instrumental “The Still” é uma volta à vertente Trent Reznor do grupo, sem apelo pop e com mais gravidade, além de inclusão de elementos da música eletrônico.

Como se vê, Home é um disco eclético que tenta mostrar as várias caras do grupo sem se preocupar muito em criar uma estética geral. As músicas mais pesadas e experimentais estão concentradas no fim do disco, enquanto a primeira parte tenta mostrar uma banda sentimental, empolgante e bem montada.

O disco não é ruim, mas fica a impressão de tentar agradar a gregos e troianos, alternando momentos muito bons com outros nem tão bons assim e algumas passagens feitas sob medida para fisgar o restante do público. Contudo, mesmo que a montagem do repertório no álbum seja um pouco irregular, o Blue October não é uma banda de rock coxinha. Apesar de começarem a galgar mais espaço no mainstream, não caíram na armadilha da superprodução das faixas, que poderia eviscerar o que há de mais autêntico no som dos texanos. E Home é carismático como a banda sempre foi, sem forçar a barra.

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