Mayer Hawthorne – Man About Town (2016)

Uma verdadeira metralhadora de hits

por brunochair

Andrew Mayer Cohen, conhecido pelo nome artístico de Mayer Hawthorne, é um artista múltiplo. Cantor, multi-instrumentista, arranjador, engenheiro de áudio e produtor. Ter este conhecimento de várias etapas do processo musical – desde a composição até os detalhes finais de estúdio, faz dele um artista bastante exigente e obsessivo. Man About Town é a sua quarta incursão solo. E, para este disco, mudou de ares (mudou de Michigan para Los Angeles) e gravadora (assinou com o selo Vagrant) para conseguir atingir os seus objetivos sonoros.

E quais são seus objetivos? Em Man About Town, a intenção do artista fica clara: gravar singles com poder radiofônico poderoso, baseando-se no soul da Motown 70’s e de uma influência marcante da dupla Hall & Oates, que experimentou o auge em fins de 70 e início da década de 80. Mayer Hawthorne, portanto, trabalha entre o soul, o r&b e o pop para criar os seus hits. Nada de new soul, new r&b, portanto: é uma revisita aos clássicos destes estilos.

A familiaridade com o já produzido faz com que o disco torne-se algo extremamente palatável, gostoso de ouvir. Man About Town é uma verdadeira metralhadora de hits. Reconhecemos passagens, influências e histórias no decorrer do álbum: aquele suingue malandro e sexy em “Cosmic Love” e “Breakfast in Bed”; aquele pop oitentista animado e rockeiro em “Love Like That” e “Book of Broken Hearts” (lembram bastante do pop do Phil Collins carreira solo); um reggae no melhor estilo The Police em “Fancy Clothes”; um quê de “China Girl” do David Bowie em “The Valley”.

Ou seja, o disco está recheado de referências interessantes. O único problema nesse processo todo (o problema do álbum, no fim das contas) é que o disco parte do pressuposto do já ouvido, e incrementa pouca coisa original ao já existente. E Mayer Hawthorne exagera nas referências, o que torna a experiência artística pobre, próxima ao pastiche. A imitação do efeito, da solução já consagrada.

Agora, se você ouvir sem se preocupar muito com esse aspecto valorativo da arte, e sim como uma música de entretenimento, o álbum funciona muito bem. Faço destaque à música “Get You Back”, que também tem lá suas referências, mas parece ter seu brilho próprio – que é o que parece faltar em alguns momentos do disco, com Hawthorne relaxando um pouco e colocando sua própria alma para estabelecer contato.

Para quem quer (apenas) curtir, é uma boa pedida.

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