2016 Folk Pop Resenhas Rock

Travis – Everything At Once

Entre o potencial radiofônico e a complexidade, novo disco aponta para a primeira opção

por brunochair

Em 1999 eu ainda não tinha dezessete anos, por isso não menti. Mas não conseguia entender porque sempre chovia na cabeça de Fran Healy. Travis, um bom nome para uma banda… despertou a curiosidade. Mas, nesses remotos tempos de 90’s, não era tão fácil ouvir um CD como é hoje, e acabei não comprando o álbum The Man Who, lançado naquele mesmo ano. Fui ter contato com um álbum da banda só anos depois, quando peguei emprestado o excelente Good Feeling, lançado em 1997.

Good Feeling rezava na cartilha do britpop: singles radiofônicos, que consequentemente traziam melodias e letras acessíveis, ainda que com qualidade admirável. Com este primeiro disco, a banda recebeu elogios de Noel Gallagher, que se dizia já “fã da banda”. Para um álbum de banda iniciante, é surpreendente a habilidade do Travis em desenvolver canções que flertavam com o rock (“U16 Girls”, “Good Day To Die”,”The Life Is Fine”), e baladas tão contundentes como “I Love You Anyways”, “More Than Us” e “Funny Thing”.

Muito tempo depois, ouvi The Man Who. Dois anos separam ambos os discos, mas são duas formas de se encarar a pop music. Este disco de 1999 é muito mais complexo, ainda que pop. Foge daquela concepção clássica do britpop com suas melodias introspectivas e atmosféricas. Não é tão palatável quanto o disco de estreia. Mas, a partir do momento que se compreende a pretensão da banda em criar algo original (ainda que caracteristicamente britpop) o disco ganha uma importância tremenda.

Toda essa digressão envolvendo os dois discos para falar de Everything At Once, o mais recente álbum lançado pelo Travis? Sim. É importante pensar nessa dicotomia que envolve a carreira da banda, que lança álbuns ora mais complexos, ora mais acessíveis. Assim tem sido, e Everything At Once traz o Travis mais palatável, mais preocupado com o poder dos singles do que com um conceito/complexidade que possa permear tudo.

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São dez canções que tem essa característica de single. Todas elas podem tocar tranquilamente na rádio, e obterão sucesso. “Radio Song” é o que é. “Everything At Once”, que por acaso foi escolhida como o primeiro single do disco, tem uma pegada moderna, até estranha para o que estamos acostumados com o Travis. “Paralysed” tem uma intro que os aproxima do Muse.

“Animals” também possui uma influência muito forte de Muse nela, sobretudo na forma de cantar de Healy. É claro, Muse é uma banda posterior ao Travis – mas uma banda hoje importante, que acaba por influenciar todas as bandas que estão na ativa, sejam elas novatas ou não. “Magnificent Time” é um single bem solar, agradável. O que também causa uma estranheza na primeira audição, para quem está acostumado com aquela melancolia peculiar ao Travis.

Enfim, o Travis permanece compondo boas canções, sejam elas de um caráter mais complexo ou radiofônico. Everything At Once não é um álbum brilhante, mas é um bom registro e certamente será lembrado com carinho pelos admiradores da banda daqui 15, 20 anos. Ah, e por falar em tempo…Fran Healy hoje é um homem grisalho. Será que ainda chove na cabeça dele, por ter mentido aos dezessete? Não sei. Só sei que o tempo do Travis são singles.

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