2016 Folk Indie Resenhas

Kevin Morby – Singing Saw (2016)

Disco não é sensacional, mas prova que o cantor tem se dado bem sozinho

Por Gabriel Sacramento

Kevin Morby é um veterano na indústria fonográfica. Sua carreira no Woods deu-lhe experiência suficiente para levar adiante sua carreira solo, que começou em 2013 e se estende até hoje. Além do Woods, o cara se envolveu em outros projetos como o The Babies, iniciado em 2009. Singing Saw, seu novo disco produzido por Sam Cohen (Shakira, Norah Jones), é uma prova de como Kevin está indo bem na nova fase.

O álbum traz um conjunto de canções com temas variados. O “principal” (no decorrer do texto você verá o porquê das aspas) tema do álbum é a serra cantante (tradução livre para singing saw), que é um instrumento musical. O instrumento consiste da serra, instrumento cortante, só que usado para produzir sons. O cantor explora a dicotomia do instrumento, que pode ser usado para algo bom e, ao mesmo tempo, para algo destrutível. É o que Kevin aborda na faixa-título.

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Em “Cut me Down”, Kevin canta sobre a morte fazendo uma conexão com o instrumento que dá nome ao disco – a serra e o seu poder cortante. A canção é marcada pela simplicidade e minimalismo. “I Have Been to The Mountain” é uma canção-protesto em homenagem ao jovem Eric Garner – jovem afro-americano que foi morto pela polícia nos Estados Unidos. Traz um ótimo timbre de baixo e um violão onipresente no arranjo. “Water” é uma boa canção folk, com boas referências à Johnny Cash e ao Bob Dylan, por exemplo. Destaca-se o vocal de Kevin, cheio de reverb. “Drunk on a Star” traz um arranjo surpreendentemente singelo e delicado. Se em “I Have Been To The Mountain” o baixo se destaca e conduz a canção, em “Ferris Wheel” é o piano que conduz a canção, trazendo ótimas frases dedilhadas. Na faixa-título, o violão dá o tom, mas também é possível ouvir a serra sendo tocada. O tema dela é o que foi citado acima: a dicotomia de algo que pode ser usado para o bem e para o mal.

Em “Destroyer”, Kevin fala sobre as mulheres da sua vida que foram embora. A canção é a mais fraca do álbum, peca por ser quadrada demais e repetitiva. Em “Dorothy”, o cantor não aposta na simplicidade, mas tenta uma base cheia, que soa confusa e distorcida demais.

O ponto forte de Singing Saw é a simplicidade. Na maioria das canções do álbum, Morby aposta em uma sonoridade minimalista, tranquila, com poucos elementos. Isso é realçado pelo destaque individual dos instrumentos em cada faixa. O minimalismo casa com as vocalizações que, muito influenciadas pelo folk, não são um show de técnicas, nem tampouco de melodias bonitas, mas que fazem o básico bem feito.

A voz de Kevin aparece cheia de efeitos como reverbs e delays, que geram um efeito interessante no resultado final. Isso realça a sensação de solidão e meio que distancia a voz do cantor. Também traz uma ideia de bucolismo (o que também é ressaltado pela forte presença de violões).

Abrir mão de grandiloquência musical e optar por algo simples para contar suas histórias: foi isso que Kevin Morby, com sucesso, fez em Singing Saw. O aspecto negativo fica por conta das letras: Kevin poderia ter aproveitado muito mais o bom tema da faixa título e o explorado melhor nas outras canções. Aí teríamos a ideia mais bem fundamentada do tema principal. Porém, o que percebemos é que não há muita coesão entre os temas do álbum. É como um amontoado de ideias distintas, que não se relacionam entre si.

O cantor vem provando que é capaz de seguir adiante sozinho, com álbuns bem interessantes. Singing Saw não é sensacional, mas também não é ruim. O minimalismo é inteligente e bem aproveitado fazendo referências bem colocadas à música folk. Mesmo com o ponto negativo proeminente, o álbum vale a pena pelas escolhas em termos de molduras musicais.

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2 comentários em “Kevin Morby – Singing Saw (2016)

  1. Pingback: Passenger – Young As The Morning Old As The Sea (2016) | Escuta Essa!

  2. Pingback: Kevin Morby – City Music (2017) | Escuta Essa!

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