2016 Pop r&b Rap/Hip-Hop Resenhas

Drake – Views (2016)

Vinte faixas e eu só me lembro de “Hotline Bling”

Por Gabriel Sacramento

“You used to call me on my cellphone/ Late night when you need my love”

Não há como não lembrar desses versos quando se fala no rapper Drake. Seu sucesso no ano passado esteve bastante associado à performance comercial de “Hotline Bling”. A canção alcançou o segundo lugar na Billboard hot 100, o ranking para singles da revista. Ganhou um videoclipe famosíssimo no YouTube, que já passou das 738 milhões de visualizações. A imagem do cantor foi bastante valorizada desde então.

Aliás, Drake trabalhou bastante em 2015. Além de “Hotline Bling”, ele liberou outras duas canções, “One Dance” e “Pop Style”, que também fizeram bastante barulho. Também gravou duas mixtapes: What a Time to Be Alive e If You’re Reading This It’s Too Late. Já em 2016, ele participou de uma canção gravada pela Rihanna em seu álbum ANTI, “Work”, que já se tornou um enorme sucesso da cantora de Barbados também. Além disso, seu single inspirou Erykah Badu a sair da toca com a excelente mixtape But U Can’t Use My Phone (2015), só com músicas sobre telefones.

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Como um típico álbum pop deste presente século, de alguém com muitos recursos financeiros, VIEWS – novo disco do rapper – possui muitas participações de peso. Rihanna, Future, Kyla e Kanye West são alguns dos nomes. Tanta gente opinando e trabalhando em um disco pode gerar, ou algo MUITO bom ou algo MUITO ruim.

Primeira consideração: VIEWS é bem menos interessante que as mixtapes lançadas por Drake no ano passado. Desde os primeiros momentos do disco, é perceptível que Drake não quis inovar nem diferenciar muito sua sonoridade típica e costumeira, e ao longo das vinte faixas percebemos que o disco fica chato e repetitivo. As canções não apresentam mais elementos significativos que permitam distinguir umas das outras, apenas samples pouco criativos e o mesmo estilo vocal, ora melódico, ora rapeado.

O instrumental de “Keep The Family Close” até se destaca por ser tenso e dinâmico. Mas a interpretação quadrada de Drake é bem tediosa e prejudica a canção. “U With Me”, coproduzida por Kanye West, traz um pouco de rap mixado com melodias, mas nada célebre ou digno de atenção especial. “Still Here”, “Grammys”, “Controlla” e outras confirmam o que disse antes: pecam por serem repetitivas, trazendo sempre os mesmos elementos. “Too Good”, com Rihanna, também não passa de uma canção esquecível.

O grande ponto alto de VIEWS está justamente no final: a já famosa “Hotline Bling”, com seu sample de uma canção do Timmy Thomas chamada “Why Can’t We Live Together”. Nela, Drake prioriza os vocais com ótimas melodias que são difíceis de esquecer. O sample combina e coopera com a canção. Mas é só: “Hotline Bling” é o grande ponto positivo em um disco cheio de canções medianas.

Drake não é um rapper ruim, mas não entrega sua melhor performance em VIEWS. Seus vocais cantados, seu flow, suas rimas não fogem muito do previsível. Em algumas canções ele parece seguir uma lógica preestabelecida, sem muito feeling, nem ousadia para criar algo mais impressionante, ou simplesmente algo que o destaque dos muitos rappers que ouvimos por aí. Ele não corre riscos, apenas se limita à zona de conforto.

Outro grande problema de VIEWS é o número de canções. Quando se ouve um disco com tantas músicas, é de se esperar que no meio do repertório surjam músicas diferentes, com elementos destacáveis, que surpreendam o ouvinte e garantam sua atenção até o fim, o que não é o caso deste álbum.

VIEWS é um álbum de hip hop formuladinho, pronto para vender bastante e tocar muito em playlists no mundo afora. Mais pelo que o rapper representa na cena pop, pelo seu prestígio e pelas participações milionárias, do que pela qualidade. Assim como o Black Market (2015) de Rick Ross, Drake respeita as regras do estilo e só. Não é memorável, nem deve ser lembrado depois de algum tempo. Aliás, deve ser lembrado sim, mas apenas como o disco que contém “Hotline Bling”, sem um conjunto coeso de boas canções.

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4 comentários em “Drake – Views (2016)

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