2016 Metal Resenhas Rock

Kvelertak – Nattesferd (2016)

Continua muito bom, mas continua sempre o mesmo som

Por Lucas Scaliza

Lá da cidade de Rogaland, na Noruega, vem a inusitada proposta de misturar o black metal com o hardcore e o rock clássico, uma salada que já ficou conhecida como crossover thrash nos arquivos da história (e rótulos) do heavy metal. Com três discos de estúdio, a banda Kvelertak é um sexteto que se mantém fiel à proposta inicial em Nattesferd.

O sexteto mostra energia de sobra e um poderio de rock’n’roll de fazer cair o queixo. Embora tenha diversos momentos mais intensos ao longo de seus álbuns, com direito até a alguns momentos de parede sonora intransponível, como é comum no metal extremo, o black metal praticamente resume-se aos vocais guturais de Erlend Hjelvik, um cara que incendeia as apresentações ao vivo do Kvelertak e já chamou a atenção de James Hetfield (vocalista e guitarrista do Metallica) e do príncipe herdeiro da coroa da Noruega.

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Com três guitarristas à disposição, não falta peso e riffs ao álbum. Mas ao contrário do que a rotulação black metal possa fazer parecer, a sonoridade do grupo não é sinistra e down como a maior parte das bandas do estilo. É mais hardcore, acelerado e animado. “Dendrofil for Yggdrasil”, que abre Nattesferd é uma perfeita combinação dos estilos: os vocais e a intensidade do black metal com as guitarras melódicas do hardcore. “1985” e “Ondskapens Galakse” são totalmente clássicas, lembrando Kiss, Alice Cooper e diversas outras bandas de metal da virada dos anos 1970 para 1980. E “Nattesferd” é divertida, criando uma vibe roqueira direta, com alguns quês de psicodelismo. De sombrio, a banda não tem nada. De violento, apenas a velocidade de algumas músicas e os vocais apimentados.

Embora tenham Vidar Landa, Bjarte Lund Rolland e Maciek Ofstad nas guitarras, em momento nenhum eles se atropelam em nenhuma das nove faixas do disco. Cada um sabe a hora de fazer riffs, solos, solos dobrados ou bases dobradas. Isso demonstra uma preocupação bem-vinda com a mixagem e com a edição de suas músicas. O baixo de Marvin Nygaard é muito bem aproveitado e não faz apenas o óbvio, ressaltando inclusive as aproximações com o blues. Kjetil Gjermundrød sabe ser veloz e destruidor quando preciso e consegue segurar a onda muito bem nas faixas menos violentas. Em faixas como “Bersrkr” ele mostra como consegue variar bem a dinâmica e acompanhar os arranjos. Na stoner “Nekrodamus”, baixo e bateria ganham maior destaque e fazem uma das melhores faixas do álbum – ainda que seja a música mais lenta e crua.

Nattesferd é tão bom quanto os dois discos anteriores dos noruegueses, Kvelertak (2010) e Meir (2013), porque as diferenças entre eles são mínimas. A proposta de “black’n’roll” é a mesma desde o princípio, fazendo com que pela terceira vez a banda repita a mesma fórmula, sem inovação, sem arriscar. A música continua ótima, mas a maturidade técnica e artística que o tempo deu ao grupo não fica evidente. Como até mesmo o black metal se renova – como mostram experiências de bandas como Deafheaven, Abbath e Rotting Christ –, parece que falta criatividade e ousadia ao trabalho.

Vale a pena conhecer e acompanhar o trabalho. Se ao menos mantiverem a qualidade e musicalidade, teremos uma banda como Motörhead no heavy metal: sempre a mesma, mas sempre instigante.

Kvelertak_2016-Stian-Andersen

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