2016 Folk Indie Pop r&b Resenhas

Bibio – A Mineral Love (2016)

Disco tem ótimos singles, mas peca pelo conjunto

por brunochair

Bibio, pseudônimo utilizado pelo inglês Stephen Wilkinson, chega ao seu oitavo álbum na carreira com A Mineral Love. A pretensão artística de Bibio, desde o início de sua incursão pelo mundo da música, foi a mesma: experimentar, combinar referências setentistas (disco, soul, psicodelia) a uma sonoridade mais contemporânea, como a r&b e o dream pop. Ora apontando para um estilo, ora para outro, Bibio conseguiu produzir algo realmente inovador em 2009, com o álbum Ambivalence Avenue.

Ainda que não tenha alcançado o mesmo sucesso estético nos discos posteriores, seria injusto dizer que Bibio tornou-se um artista acomodado. Pelo contrário, seus trabalhos continuam pautados pelo experimentalismo. A Mineral Love é prova cabal disso: uma miscelânea de possibilidades, de estilos, de colagens, de décadas e de sensações. Enfim, um álbum corajoso e múltiplo, que satisfez ao público que o acompanha há algum tempo.

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A leve pitada de psicodelia e a pegada eletrônica de A Mineral Love nos faz lembrar dois discos lançados ano passado: Multi-Love, no Unknown Mortal Orchestra; e Currents, do Tame Impala. Boa parte do disco está banhada nesta psicodelia: a voz de Stephen Wilkinson, no baixo, nas guitarras, no sintetizador. “A Mineral Love”, “Town & Country”, “C’est La Vie” possuem essa característica disco/psicodélica, algo de refrescante e solar, que também o aproxima um pouco do disco do Mocky.

Mas, como já dissemos anteriormente, o disco apresenta outras possibilidades. O que dizer da presença do folk em “Petals” e “Raxeira”? E o mergulho ainda mais substancial na sonoridade disco em “Feeling”, no melhor estilo KC and the Sunshine Band? A world music oitentista de “The Way You Talk”? O synthpop presente em “With The Thought Of Us”? E o r&b eletrônico e surpreendente de “Why So Serious”?

Os singles citados são muito interessantes. Se ouvidos de forma separada, são ótimas canções. O problema (e é a questão principal do disco) é que, caso analisemos sob o ponto de vista de um disco, tais músicas carecem de algo que as represente, que as una. São muitas ideias e experimentos que, se ouvidos num conjunto, parecem não dar liga. Pular de uma música para outra é como sair do calor de quarenta graus de uma cidade e entrar numa câmara de congelamento, sem a preparação física e psicológica devida.

Fora essa questão, um disco muito gostoso de se ouvir. Para quem quer ouvir algo de forma descompromissada, pra fugir do stress ou para pegar a estrada com uma música colada nos ouvidos, torna-se um álbum bastante interessante. Altamente recomendado!

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1 comentário em “Bibio – A Mineral Love (2016)

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