2016 Pop Resenhas

Meghan Trainor – Thank You (2016)

Cantora melhora, mas ainda falta muito para chegar à maturidade

Por Gabriel Sacramento

A cantora pop Meghan Trainor apareceu para o grande público em 2014, com seu contrato com a Epic Records e com “All About That Bass”, seu mais bem sucedido hit. Desde aquela época já se percebia que Meghan trazia ideias diferentes para a proposta sonora: algo mais retrô, com influências de doo wop e elementos musicais do século passado. Resgatar um som antigo é interessante, porém foi o jeito como Trainor inseriu essas referências em seu ultrapop que não funcionou.

O primeiro álbum da cantora foi lançado em 2015 e recebeu o nome Title. Mesmo com os elementos diferenciados, Meghan acaba soando fofa, adolescente confortável demais, sem se arriscar muito. É o problema de muitas cantoras pop, como Rachel Platten em seu último disco. Uma visão imatura do mundo, que pode até agradar jovens adolescentes, mas à medida que os mesmos vão amadurecendo e ganhando experiência, o discurso dessas cantoras passa a ser ingênuo demais para eles, o que os motiva a buscar outras coisas para ouvir.

meghan_trainor_2016

Primeiro ponto: Meghan amadureceu um pouco de Title para Thank You, seu novo álbum. A música dela no novo disco encontra-se um pouco mais ousada, com ideias mais interessantes. A cantora trabalha com boas bases eletrônicas e ritmos empolgantes em canções como “Watch Me Do”, “Me Too” e “NO”. Vale destacar seu rap peculiar, que combina com a proposta das canções e funciona bem. “Kindly Calm Me Down” é uma bela balada que demonstra um lado mais sentimental da cantora, com uma letra singela. “Hopeless Romantic” é outra canção que demonstra o upgrade da cantora com relação às suas baladas, com uma instrumentação bem simples e o destaque para sua voz, que se desenvolve muito bem. “Just a Friend to You” pode entrar na definição de boa balada, apelando novamente para a simplicidade e singeleza.

Segundo ponto: temos momentos ruins em Thank You também. “Friends” é uma música chata, com uma letra bem clichê e simplória, falando sobre as vantagens de possuir amigos, só que tudo de uma forma bem superficial. A cafonice impera em “Mom”, com uma letra bem infantil (“Você pode ter uma mãe, ela pode ser a melhor/ Mas ninguém tem uma mãe como a minha, Seu amor vai até o fim, ela é minha melhor amiga”). Suas melodias não impressionam e a faixa não traz nada de destacável musicalmente. “I Won’t Let You Down” tem uma base repetitiva e um ritmo pouco empolgante.

A jovem cantora também repete os mesmos problemas de algumas de suas letras em Title. Na tentativa de valorizar seu corpo (diferente dos padrões de beleza ostentados pela maioria das jovens cantoras pop), ela acaba exagerando nos elogios a si mesma. A intenção é válida como forma de se valorizar e servir como representante de um público que também merece ter autoestima por sua aparência, mas Trainor não usa a situação para criar letras sacadas. Isso acontece na primeira “Watch Me Do”, em “Me Too” e em “I Love Me”, que traz a participação do rapper LunchMoney Lewis.

Em uma parte do set-list, Thank You traz alguns bons arranjos eletrônicos, casados com sacadas rítmicas bem inteligentes. O outro ponto forte do álbum são suas baladas. Nessas, Trainor parece estar mesmo desejando fugir do normal, trabalhando com texturas e timbres diferentes, mais ousados e se arriscando um pouco mais na sua sonoridade. Porém o disco esbarra em clichês, com letras fracas, melodias comuns, timbres comuns e muitos outros arranjos quadrados e repetitivos. O contraste é tão forte que é como se fossem dois álbuns diferentes.

Sua insegurança sobre si mesma, que é ressaltada no exagero de autoelogios em suas letras, além de sua preferência pela zona de conforto em boa parte do álbum, demonstra que ainda falta muito para Meghan Trainor alcançar a maturidade com sua música. As boas ideias desse álbum demonstram o crescimento da cantora com relação à Title, mas o caminho a ser trilhado é longo. Embora possua algumas canções que funcionem bem destacadas do álbum, o trabalho é inconsistente.

Falta coesão. Falta unir e conectar melhor as ideias. Pode ser que Meghan esteja tentando, aos poucos, diferenciar sua música, sem chocar. Isso até nos deixa esperançosos para o futuro da jovem. Porém, enquanto ela continuar insistindo em canções pop normais baseadas em clichês, sua carreira não vai ganhar um destaque maior.

Meghan_Trainor_2

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2 comentários em “Meghan Trainor – Thank You (2016)

  1. Ainda não ouvi o álbum inteiro, mas, pelas músicas que ouvi até agora, realmente as melodias são muito comuns e as letras muito fracas. Uma pena :/

  2. Pingback: Dua Lipa – Dua Lipa (2017) | Escuta Essa!

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