2016 Indie Resenhas Rock

The Kills – Ash & Ice (2016)

Mosshart e Hince incluem o eletrônico, mas mantêm a banda entre o indie e o garage rock

Por Lucas Scaliza

Se você conheceu a cantora e compositora Alison Mosshart por meio do supergrupo The Dead Weather e depois foi ouvir sua banda, o duo The Kills, pode ter percebido uma diferença bem grande de abordagem. Embora ambos os grupos se dediquem a um tipo de rock alternativo e, às vezes, meio cru, o The Dead Weather produz músicas com um brilho maior. Já o The Kills soa contido. Ameaçadoramente contido, diria.

Ash & Ice não foge a essa regra. Quando anunciaram que começariam as gravações do novo disco, a cantora declarou que procurariam um novo som. O álbum apresenta algumas diferenças com relação aos quatro trabalhos anteriores, mas basicamente ainda é a mesma banda de sempre.

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O disco é bem soturno e não se esforça para mostrar vivacidade. Isso faz com que Mosshart pareça não encontrar o seu melhor lado e nem colocar para fora tudo o que tem dentro de si em diversas faixas. O guitarrista britânico Jamie Hince nem sempre entrega riffs ou bases realmente interessantes, fazendo todo o início do álbum soar um pouco chato. Os singles “Doing It To Death” e “Heart of a Dog” mostram a inclusão do eletrônico, mas não têm a pegada necessária para as faixas funcionarem. A balada “That Love” e a dançante underground “Hard Habit To Break” sofrem do mesmo problema. “Whirling Eye”, no final do disco, é mais ameaçadora, mas nada que chegue a causar uma explosão. É bem linear e termina Ash & Ice de forma meio brusca e fria. Curiosamente, até uma música tediosa como “Let It Drop” um trabalho de timbres bem feito. Ou seja: a dupla teve o cuidado de produzir seu trabalho, mas talvez as composições não sejam boas o bastante.

As canções do The Kills são simples e geralmente diretas, sem virtuosismos e com poucas firulas. Mas a falta de técnica é compensada com personalidade. “Bitter Fruit” soa como se tentassem emular o lado Josh Homme da dupla. “Days Of Why And How” é uma balada estranha e torta, com batidas eletrônicas e guitarra de rock insinuante. Promete decolar e nunca chega lá, se segurando, se contendo.

Parte de Ashes & Ice foi gravado em uma casa alugada em Los Angeles. Outra parte foi trabalhada no famoso estúdio Electric Lady, em Nova York, produzido por Hince e coproduzido por John O’Mahoney. A personalidade da banda e do disco o faz um item de desejo dos aficionados por vinis. Suas linhas graves, os vocais saturados e o overdrive sujo nos deixam imaginando como seria ouvir tudo isso direto de um vinil.

As faixas que mais gostaríamos de ouvir no formato vinil são as melhores, aliás. “Hum For Your Buzz” é, até sua metade, basicamente voz e guitarra apenas, demonstrando o melhor lado de ambos os músicos. A guitarra suja e embolada de distorção é interessante e o vocal de Mosshart encontra espaço para brilhar. “Impossible Tracks”, “Black Tar”, “Siberian Nights” e a sinuosa “Echo Home” completam o time das melhores criações de Alison Mosshart e Jamie Hince.

A inclusão de efeitos e batidas eletrônicas se mostra, no final das contas, uma novidade dispensável para Ash & Ice, já que esses elementos contribuem pouco para o desenvolvimento ou para caracterizar de forma prazerosa as faixas. “Echo Home”, que usa batidas constantes e abafadas, bastante minimalistas, é o melhor exemplo da utilização do eletrônico. Assim como o rock do The Kills não pretende ser contagiante, também manteve bastante underground sua porção mais eletrônica. Longe de ser perfeito, o trabalho mantém a dupla dignamente entre o indie e o garage rock, mas com pouca coisa diferente para se ver.

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1 comentário em “The Kills – Ash & Ice (2016)

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