2016 Funk Nacional Pop Resenhas

Fernanda Abreu – Amor Geral (2016)

Ousada e sensual, cantora carioca reafirma as inovações que marcaram sua carreira

Por Gabriel Sacramento

Depois de um longo hiato de mais de dez anos, Fernanda Abreu decidiu lançar mais um disco. Desta vez, a cantora se certificou de que faria um bom disco, trabalhando nele em mais de dois anos, com muitos produtores envolvidos.

A cantora tem uma carreira marcada pela inovação. Pouca gente sabe, mas Fernanda foi pioneira e essencial no desenvolvimento do funk carioca na década de 90, trazendo elementos eletrônicos inovadores, que influenciaram e marcaram a música pop brasileira. Não somente funk carioca: o pessoal do hip hop brasileiro também deve muito à cantora, já que ela foi além no uso de samples, beats e outras ideias eletrônicas. Além disso, ela unia samba, rap e funk de uma forma singular e autêntica.

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Amor Geral vem para quebrar o período de silêncio e trazer a carioca de volta à mídia. Receosa pelas mudanças na indústria fonográfica, acontecimentos familiares (como a morte da mãe e separação conjugal), Fernanda se manteve um pouco fora do cenário musical durante esses anos. O novo álbum também serve como uma compilação dos sentimentos e do que pairou na mente da cantora durante todo esse tempo.

O trabalho traz um tema forte, que vem logo estampado no título: amor. O tema permeia as letras do disco, de um jeito nada clichê, inclusive. Segundo Fernanda, o álbum é uma espécie de antídoto para os problemas sociais gerados pela falta de amor. A cantora resolveu, do seu jeito, falar abertamente sobre o amor, a falta dele e as implicações nas relações sociais.

“Outro Sim” começa com um manifesto à união e a aceitação entre as pessoas. Mas também fala sobre esperança. Ela afirma que não adianta se desesperar com uma frustração ou perda, pois sempre haverá outra oportunidade. O pai do hip hop e do Miami Bass – predecessor do funk carioca –, Afrika Bambaataa, dá as caras na sensual “Tambor”. “Deliciosamente” traz um groove forte, marcado pelo baixo. Além da sonoridade meio disco music, versa sobre a sensação de se apaixonar.

Na sequência, vem uma série de canções que mostram Fernanda abusando de harmonias complexas, climáticas e hipnóticas. Elas funcionam e se encaixam perfeitamente umas nas outras. São elas: “Saber Chegar”, “Valsa do Desejo”, “O que Ficou” e “Antídoto” – esta última feita em homenagem a sua mãe, que morreu em decorrência de um tumor no cérebro. “Por Quem” traz um pouco de funk americano, com referências diretas ao som do Jota Quest. “Double Love Amor em Dose Dupla” fala sobre a característica dual dos relacionamentos modernos, com uma sonoridade mais próxima do funk carioca. E por fim, a faixa-título aborda de forma completa o tema do álbum, regada à samples, samba e hip hop.

Amor Geral é o álbum mais pessoal e intimista da cantora. Segundo ela mesma conta em uma entrevista, os outros discos eram mais como crônicas, que possuíam histórias e alguém em terceira pessoa para contá-las. Dessa vez ela busca contar sua própria história, de forma clara e direta.  Além disso, o disco traz os elementos inovadores que marcaram sua carreira, bem como sua ousadia e sua coragem para se arriscar pelo bem de sua música.

Um dos pontos positivos da produção do disco é o setlist. As músicas foram perfeitamente posicionadas, funcionam bem juntas e se completam muito bem. Os produtores souberam colocar cada faixa em seu devido lugar para criar as sensações necessárias. Também destaco o repertório de estilos da Fernanda. Uma verdadeira amálgama de referências: hip hop, samba, funk americano, disco music e funk carioca.

Amor Geral cumpre o seu objetivo, tem uma mensagem forte, resume a vida da cantora nesses últimos anos e traz seu caldeirão de influências musicais. Um disco excelente que pode estar na lista dos melhores da carioca. Além de ser importante por apresentar Fernanda Abreu para uma geração nova, que pode nunca ter ouvido falar dela.

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2 comentários em “Fernanda Abreu – Amor Geral (2016)

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