2016 Indie Pop punk Resenhas Rock

Car Seat Headrest – Teens of Denial (2016)

Do cru ao cozido, eis a transição

por brunochair

Do It Yourself. Sentado no banco de trás de um carro, Will Toledo compôs doze álbuns no período de 2010 a 2015. Todos os acordes, desilusões, letras, recortes do cotidiano e experimentações conquistaram (aos poucos) um público fiel a esse niilismo cult do Car Seat Headrest. Dado o sucesso do artista na cena underground, houve o convite da gravadora Matador para que ele pudesse gravar um disco sob o método “tradicional” – um estúdio e horas à disposição, músicos contratados por ajudá-lo, e enfim… temos Teens Of Denial, novo álbum do Car Seat Headrest.

A transição de discos orgânicos (cru) para um disco profissional (cozido) talvez não tenha agradado aos fãs mais antigos, mas o ganho que Will Toledo obteve com essa mudança foi gigantesco. Teens Of Denial, do ponto de vista musical, possui uma pluralidade ímpar: flerta com o underground e mainstream, anos 90 e 2000 com imensa facilidade: vai do punk do Green Day ao grunge, passa pelo Pixies e Yo La Tengo, e chega até bandas atuais, como o Titus Andronicus e Cloud Nothings. O Palma Violets, se ouvir este álbum, ficará constrangido por não ter tomado rumo parecido.

Teens of Denial apresenta essa coesão estética: aponta para diversos caminhos e gêneros, e ainda que seja um disco de longa duração (70 minutos) não perde o fio da meada em momento algum. É um disco, sobretudo, de rock. E há músicas que possuem mais de onze minutos. Isso parece estranho para quem não conhece o trabalho do Car Seat Headrest, mas é uma realidade em trabalhos anteriores de Will Toledo – já compôs músicas com mais de quinze minutos de duração. O experimentalismo também é uma realidade, e talvez neste ponto a gravação em estúdio e a presença de outros músicos o ajudou a lapidar as ideias que possuía para este disco.

car seat headrest - teens of denial2.jpg

“Fill in The Blank” é direta e põe as cartas na mesa com relação a estes imensos espaços em branco que o eu-lírico precisa preencher. Não pode estar deprimido, não está doente, não gostou o suficiente de alguém. E a reação, no fim da música, é de ter o direito a não preencher esses espaços, a não-ser, não ter as respostas e/ou estar depressivo, desiludido. Essa mesma desilusão perante a vida surge em diversos momentos do disco: “Now What I Needed”, com os conselhos e as poucas respostas. A longa e bela “The Ballad of the Costa Concordia” traça um paralelo entre o acidente do navio (ocorrido em 2012, causando a morte de 32 pessoas) e as indagações de um indivíduo sobre a existência – ambos estão a naufragar.

“(Joe Gets Kicked Out of School For Using) Drugs With Friends (But Says This Isn’t a Problem)” narra a história de alguém que experimentou ácido e cogumelos e não experimentou nenhum tipo de transcendência, e acabou por se sentir um “pedaço de merda”. No entanto, o narrador relata um encontro com Jesus, que acusou a ele e os demais de serem “a escória da Terra” – os adolescentes de estilo, que seria algo como uma autocrítica à sua própria geração.

Ou seja, as letras não aliviam, trazem uma perspectiva bastante pessimista da geração e do público de Will Toledo. Assim como as drogas não transcendem, a bebida é apenas um risco (“Drunk Drivers/Killer Whales”) e nem há espaço para o amor, apenas para algo mais à toa, já-que-não-tem-tu-vai-tu-mesmo, “Unforgiving Girl (She’s Not An)”. Reafirmando o que já está nesta resenha: a transição do cru para o cozido fez bem ao Car Seat Headrest, pois não houve perdas – apenas ofereceu ao criativo compositor um repertório técnico para poder dar vazão às suas experiências e desilusões.

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4 comentários em “Car Seat Headrest – Teens of Denial (2016)

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