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Lorena Chaves – Em Cada Canto (2016)

Disco divertido, inocente e com um conceito

Por Gabriel Sacramento

Representante da nova safra da MPB, Lorena Chaves começou a fazer seu nome no cenário musical depois da participação no programa Ídolos da Rede Record. O destaque no programa levou a cantora a emplacar uma música em uma novela da Rede Globo. Esse contato com a emissora levou ao contrato com a Som Livre e resultou no primeiro álbum da carreira – Lorena Chaves (2013).

Lorena já chegou trabalhando muitas linguagens: folk, MPB, pop e rock. No autointitulado, a cantora trata diversos temas como esperança, amor e algumas considerações sobre o comportamento humano no geral.

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O novo disco – dessa vez lançado de forma independente – é a tentativa de Lorena firmar de vez sua carreira. Ela continua trabalhando as linguagens do primeiro disco de uma forma despretensiosa e despreocupada. Os elogios começam a partir da capa: um baile de cores proporcionando uma ótima experiência sensorial. Assinada pelo designer Thiago Thal, a capa não possui o nome da artista, uma estratégia ousada e pouco utilizada no mundo da música, mas que costuma surpreender. [Led Zeppelin e Beatles fizeram isso em suas obras primas – Led Zeppelin IV (1971) e Abbey Road (1969), respectivamente].

A criatividade da capa se repete na música. Lorena produz uma sonoridade leve, simples, tranquila e divertida. Sua música não se prende a rótulos, mas à ideia de ser descomplicada e fluida. Tudo flui muito naturalmente em Em Cada Canto.

“Tracejo” abre o disco, com um ritmo contagiante e divertido. Tranquilidade, alegria e disposição são transmitidas com um quê dançante e brilhante que agrada logo de cara. As coisas ficam ainda melhores em “Alma na Gangorra”, com o melhor refrão do disco. A cantora dá novamente ênfase no ritmo em “Amanheceu”.

“Envelhecer com Você” tem uma harmonia simples e evoca uma doçura graciosa. Isso é reforçado pelas notas cristalinas de guitarra que passeiam pelo arranjo. Em “De Platão para Neruda”, a cantora trabalha uma sonoridade climática e sonhadora com uma base harmônica que soa distante. Já “Lugar Sem Fim” encerra o disco trazendo muita calmaria e um crescendo ao final.

Em Cada Canto é um álbum com conceito. Não me refiro à storytelling, mas às ideias sonoras que auxiliaram a construção do disco. O álbum possui uma capacidade incrível de transportar o ouvinte a um lugar tranquilo, pacato, distante, tudo isso com a ajuda de seus poucos – e bem aproveitados – elementos, que transmitem a mensagem de Lorena de forma eficaz.

O tema é o amor. A cantora que atualmente colhe frutos de um bom relacionamento, passa para as letras a sua visão de mundo e o que tem orientado seus sentimentos. Se o álbum tem um defeito, é este: temas pouco variados e letras um tanto inofensivas. É uma visão positiva da vida e do amor, alegre e inocente demais. Não é muito convincente acerca da profundidade dessa vida e amor ou acerca de como os bons sentimentos são caracterizados.

As letras inofensivas também impactam as músicas: as escolhas musicais que determinam os caminhos pelos quais o disco envereda deixam claro que o lance de Lorena Chaves é fazer algo despretensioso, inocente e puro. E nada mais do que isso. Pode desagradar os ouvintes que prezam por algo um pouco mais contundente.

Como disse a própria Lorena em uma entrevista, “É um disco para ouvir e relaxar, para viajar na estrada com o vidro aberto, para jantar com os amigos, agradecer a Deus pela beleza da vida e da criação”.

E claro, as comparações com Clarice Falcão são muito bem-vindas. Ambas posuem uma proposta sonora bem parecida e buscam espaço na nova onda da música popular brasileira. A diferença é que a nova fase de Clarice é muito mais confusa, com a cantora tentando lances mais agressivos, sem muito conforto, embora explore temáticas mais contundentes, como o feminismo expresso em seu cover de “Survivor”. Lorena é bem sincera com sua música e permanece dentro da proposta do primeiro álbum, prezando pela tranquilidade e pelas boas vibrações. Embora arrisque pouco, Lorena parece consciente de sua música e de onde quer chegar com ela.

Apesar de tudo, Em Cada Canto não é um disco ruim. É divertido e feliz e, embora possua seus defeitos, consegue passar bem a ideia e representar seu conceito sonoro.

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