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Graveola – Camaleão Borboleta (2016)

Em seu sexto álbum, a banda mineira permanece camaleônica, e alçando novos voos

por brunochair

Camaleão e borboleta representam bem a identidade do Graveola. Durante estes onze anos de estrada e seis trabalhos lançados, a banda mineira alçou voos cada vez maiores, propôs mudanças estéticas e sonoras, teve a sua composição como grupo alterada ao longo dos anos e até mudou o nome (antes, era Graveola e o Lixo Polifônico). E, mesmo diante dessas mudanças significativas, continua a oferecer ao público uma musicalidade interessante, influenciada por diversos estilos – sejam eles nacionais ou internacionais, contemporâneos ou passadistas.

Camaleão Borboleta, o sexto trabalho do Graveola, teve a produção de Chico Neves, respeitado no meio musical pelos seus excelentes trabalhos realizados com artistas do calibre de Skank, Lenine e O Rappa. O produtor talvez tenha ajudado a banda a entregar um trabalho mais condensado que os anteriores, ainda que pautado numa sonoridade bastante elástica, extensa, intensa. A influência do tropicalismo, notada em álbuns como Eu Preciso de um Liquidificador, está presente; assim como está presente a guitarra elétrica e o indie rock, que foram bastante explorados no EP London Bridge.

Graveola - Camaleão Borboleta1

“Maquinário”, a primeira música do álbum, segue por um samba rock recheado pela escaleta, e aos poucos ganha um clima baiano – axé e afoxé. Os ritmos baianos transitam por todo o álbum e pedem espaço, estando também na canção “Talismã”. Esta música foi composta por Chico Céu, Luis Gabriel Lopes (integrante do Graveola) e Gustavito, que também gravou esta música ano passado em seu ótimo álbum Quilombo Oriental. “Talismã” possui uma melodia entre o afoxé e o acordeon, e tem a participação especial de Samuel Rosa nos vocais.

“Índio Maracanã” tem um clima paraense, um flerte com o carimbó; “Tempero Segredo” alterna momentos de reggae, psicodelia e mpb (sim, a música fala sobre drogas); “Aurora” me lembrou Amarante e o Little Joy; “Carta Convite” música que fecha o disco, faz lembrar algumas baladas do Pélico; “Costi” é um indie pop bonitinho, enquanto “Lembrete” é uma mpb contemporânea, e calcada no pop torna-se uma música com forte potencial radiofônico.

Portanto, Camaleão Borboleta é um disco riquíssimo, que apresenta – além da sonoridade elástica e bem produzida – canções que alternam entre poesia, crítica e reflexão sobre a sociedade contemporânea. Outra ótima banda da nova cena mineira (ainda que a banda tenha já uma década de existência) que traz, entre outros bons frutos, a Fase Rosa, Gustavito, Matheus Brant e Thales SilvaCamaleão Borboleta é disco essencial para a discografia de qualquer um que esteja acompanhando a música nacional em 2016.

Graveola - Camaleão Borboleta2

Ouçam.

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