2016 Especial Novidades

15 melhores álbuns do 1º semestre de 2016

Uma seleção caprichada com popstar engajada, funk carioca, metal alternativo, eletrônico vintage e estreias que valem a pena

Por brunochair, Gabriel Sacramento e Lucas Scaliza

Hora da listinha do primeiro semestre. E que semestre foi este, com discos de bandas que não lançavam nada há muito tempo, diversos falecimentos de ícones da música e muitas surpresas bem vindas. As resenhas que foram ao ar no Escuta Essa Review representaram artistas tanto estelares quanto alternativos e underground, passando é claro por escolhas espertas para quem quer ampliar seu repertório musical e cultural. No meio de tanta coisa interessante que 2016 já nos trouxe, selecionamos as 15 obras que talvez sejam mais representativas. Temos desde discos engajados politicamente ou que defendem uma causa até preciosidades que estão atrás da diversão e de resgatar a nostalgia.

Confira aqui a lista com os melhores discos do 1º semestre de 2015 e aqui a épica lista com os Melhores Discos de 2015, que detalhamos em vídeo! E tem ainda os Melhores Clipes de 2015. 😉

Não deixe de conferir também a playlist que montamos com uma seleção de 30 canções de 30 artistas diferentes. Todas lançadas neste primeiro semestre de 2016, é claro, para que você ouça a diversidade musical do ano até agora. Divirta-se!

 

fernanda_abreu_amor_geral_2016

1. Fernanda Abreu – Amor Geral

O novo disco da Fernanda veio com tudo. Trazendo a inovação que marcou a sua carreira, unindo diferentes elementos de uma forma magistral e, sobretudo, autêntica. A cantora sempre soube como experimentar e surpreender e é justamente o que ele faz em Amor Geral. Além de tudo isso, o disco traz uma temática forte e toca na ferida da sociedade: a necessidade de mais amor. Recomendadíssimo! Um dos grandes destaques da música brasileira neste semestre.

 

Anderson Paak Malibu

2. Anderson .Paak – Malibu

Anderson .Paak transita pelo R&B, hip hop e soul com uma grande facilidade. Dentro da mesma música, é possível encontrar estes três estilos atuando concomitantemente. E ele não faz de forma proposital ou forçosa: os samplers enlaçam frases do piano como se ambos fossem eternos amigos, e não concorrentes. Ele apresenta arranjos e samplers animados, “pra cima”, representando frescor e um certo clima de veraneio. O compositor tem aquela habilidade de narrar os fatos e atos de forma bem leve.

 

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3. PJ Harvey – The Community Of Hope

A inglesa viajou para os Estados Unidos e por diversos países do Oriente Médio e coletou histórias, imagens e reflexões para criar as letras de The Community Of Hope. Em seguida, uniu a banda em uma galeria de arte e transformou o processo de composição e gravação do novo disco em uma instalação artística aberta ao público. Um disco que congrega a crueza da realidade com metáforas históricas, econômicas e sociais elaboradas para apontar o dedo na cara de Washington e criar um disco de rock alternativo tão político quanto o antecessor, Let England Shake (2011). Seria um erro deixar passar despercebida essa preciosidade de PJ Harvey.

 

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4. M83 – Junk

Partindo da nostalgia, Anthony Gonzalez conseguiu manter o mesmo vigor emocional que marca a sua música sem se repetir. É música pop, é eletrônica, é orgânica, é colaborativa, mas é de um autor que não mostrou medo em olhar para o passado. Mesmo com som diferente, continua tendo o DNA do M83 dos discos anteriores. Sintetizadores dividem espaço com solos de guitarra e de saxofone; o minimalismo e o etéreo ganham ares vintage. Junk é um disco que pode cair no gosto do ouvinte facilmente ou levar um tempo para que ele se habitue totalmente. Mas fica a impressão de ser uma obra atemporal.

 

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5. Deftones – Gore

Angustiante, intrigante, experimental, pesado, gritado, emocionante, obscuro. Muitos adjetivos podem descrever Gore e a sensação de ouvir o álbum é tão boa que eu aconselho que você ouça e busque suas próprias palavras para descrever a experiência. Os caras lançam mão da criatividade e de elementos sensoriais para tornar a sua música algo grandioso. Vale a pena cada minuto do novo trabalho da banda que nunca decepciona.

 

car seat headrest - teens of denial

6. Car Seat Headrest – Teens of Denial

Will Toledo, o cara por trás do Car Seat Headrest, pela primeira vez em sua carreira pôde entrar em um estúdio de gravação e colocar todas as suas angústias e perspectiva niilista em composições e letras. Teens Of Denial, do ponto de vista musical, possui uma pluralidade ímpar: flerta com o underground e mainstream, anos 90 e 2000 com imensa facilidade: vai do punk do Green Day ao grunge, passa pelo Pixies e Yo La Tengo, e chega até bandas atuais, como o Titus AndronicusCloud NothingsTeens of Denial apresenta essa coesão estética: aponta para diversos caminhos e gêneros e ainda que seja um disco de longa duração (70 minutos) não perde o fio da meada em momento algum. É um disco, sobretudo, de rock.

 

mahmundi mahmundi

7. Mahmundi – Mahmundi

Marcela Vale (Mahmundi) começou a carreira como técnica de som no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Essa experiência, próxima a artistas, instrumentos e equipamentos, deu a ela possibilidades de formar a sua própria visão sobre música e composição. Sem pressa, a cantora carioca lançou singles bastante elogiados pelo público. Finalmente, em 2016, Mahmundi lança o seu primeiro álbum, com canções inéditas e outras retrabalhadas. Para quem curte synthpop, MPB e pop nacional dos anos 80, uma excelente pedida.

 

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8. Gojira – Magma

Se não é tão feroz quanto L’enfant Sauvage (2012), os franceses do Gojira diversificar sem perder o que faz do seu metal algo a se prestar atenção: o bom gosto e o uso da música pesada com intenção. Dessa vez, problemas familiares – como a morte da mãe – foram definitivos para que Magma soasse soturno, com vocais limpos interpretados como se estivéssemos em uma celebração religiosa, no meio de um mantra. Embora profundamente emocional, o Gojira não apela para refrãos melosos em momento algum. Um disco de metal adulto e poderoso que extrai beleza da dor.

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9. Charles Bradley – Changes

Charles Bradley chegou a morar na rua, mas venceu as intempéries da vida e se fortaleceu para disseminar a sua música e falar ao mundo através dos sons. Seu novo álbum resgata elementos preciosos da música americana dos anos 60 e 70 e sua voz lembra Otis Redding e James Brown. Além disso, Bradley mostra que também consegue ser original com uma regravação de “Changes”, do Black Sabbath, que é, no mínimo, emblemática. Imperdível!

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10. The Suffers – The Suffers

Assim como Charles Bradley, o The Suffers viaja nessa onda de resgatar uma sonoridade dos anos 60 e 70, deixando de lado tantas modernizações. Mas o que eles fazem aqui soa tão atual e dentro do contexto musical contemporâneo que é como se o soul tivesse sido inventado hoje. Disco de estreia irrepreensível, com canções fantásticas e performances precisas da banda toda. Tudo isso propicia uma vibe muito legal e nos convida a ouvir o disco repetidas vezes, do início ao fim.

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11. Ludere – Ludere

Ludere assim se fez, construído na base do lúdico e da mágica, do deslumbramento. É fazer música com qualidade e a seriedade, mas nunca se esquecendo da simplicidade, de divertir-se ao fazer, de provocar aquela alegria mais genuína. Ludere nos faz lembrar que é preciso levar a vida a sério, mas nem tanto.

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12. Beyoncé – Lemonade

O melhor álbum de Beyoncé, o mais engajado até agora e também o mais pessoal. Em Lemonade ela reflete sobre uma possível traição de seu marido, o rapper Jay-Z, e a partir daí discute a situação da mulher negra e tenta empoderá-las. Um disco que mostra a estrela levando seu pop a um novo patamar e embora todas as participações especiais sejam feitas por homens (Jack White, Marcus Miller, James Blake, The Weeknd, Kendrick Lamar) ela está no controle, ela é quem manda – e até isso é uma mensagem que agrega valor ao disco e ao momento histórico que vivemos. Mas não é só de ideologia que vive Lemonade: as músicas são todas muito boas também.

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13. Haken – Affinity

Affinity é criativo, é pop, é experimental, é heavy metal, é metal progressivo, é  anos setenta e oitenta, influenciado por recursos eletrônicos de ontem, hoje e amanhã. Excelente trabalho técnico de todos os integrantes da banda, bem como da produção técnica e de marketing. Para quem ainda tinha dúvidas da capacidade do Haken, mais uma prova irrefutável de que os rapazes são o que há de mais inventivo no cenário do metal progressivo.

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14. Metá Metá – MM3

MM3 é a confirmação de que o Metá Metá é uma das melhoras bandas de art rock do Brasil. E não digo apenas uma das melhores da nova década ou da “nova música” brasileira. Quero dizer uma das melhores que já colocaram disco no mercado desde o pioneirismo dos Mutantes. É nítida a coesão estética do trio principal e como as canções de MM3 soam roqueiras, étnicas e puxadas para a música mineira, tudo ao mesmo tempo. A criatividade para unir diversas referências do metal, do jazz e da MPB de uma forma tão única é o que mais impressiona neste trabalho.

 

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15. Megadeth – Dystopia

Com Kiko Loureiro na guitarra ao lado do vocal/chefe Dave Mustaine não podia dar errado. E de fato, o guitarrista atendeu às expectativas com seus solos, ótimas performances e ainda contribuiu com um tema instrumental que serviu para mostrar aos fãs que ele chegou com tudo. Dystopia é o melhor disco do Megadeth em anos e mostra que o entrosamento e a harmonia do novo line up está rendendo bons frutos para o grupo. Claro, você não ouvirá nada icônico como em Rust In Peace, mas ouvirá um disco que tem potencial para ser classificado como um dos melhores do ano. Um Megadeth empolgante, pesado, de bem com seus fãs e com uma formação muito boa. Se já ouviu, ouça de novo!

Playlist especial – 30 melhores do 1º semestre de 2016

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2 comentários em “15 melhores álbuns do 1º semestre de 2016

  1. O trabalho de vocês é sensacional. As análises são interessantíssimas e demonstram que vocês entendem o que estão fazendo. Parabéns! Continuem.

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