2016 blues country Folk Resenhas

The Avett Brothers – True Sadness (2016)

Inovações e expansão do espectro sonoro

Por Gabriel Sacramento

Os irmãos do Avett Brothers encontraram o seu melhor momento quando iniciaram a parceria com Rick Rubin. O trabalho com o produtor barbudo começou em I And Love And You (2009), que traz várias baladas e um direcionamento pop interessante para a música dominada pelo bluegrass, folk e country dos irmãos. Rubin, que é um grande produtor, soube como melhorar o que a banda já tinha, buscando tornar ainda mais preponderante os elementos mais acessíveis no som da banda.

A parceria deu tão certo que se estendeu por outros três álbuns. True Sadness é parte disso também. Rubin, que possui uma carreira extensa, com um currículo invejável e participações em discos que fizeram muito sucesso, sabe muito bem como tornar algo pop sem perder a essência e a criatividade.

The_Avett_Brothers_2016

Os Avett Brothers vêm passando por uma mudança em sua música, mas cada vez mais acertando em seus lançamentos. E True Sadness representa mais uma jogada de mestre do grupo, que continua sabendo exatamente o que fazer. O disco combina melodias marcantes com instrumental competente e mantém o frescor da essência sonora, ao mesmo tempo em que busca expandi-la. Aqui temos inovações interessantes que não sacrificam a identidade do grupo, mas reafirmam a capacidade da banda de surpreender o seu público.

O disco abre com palmas e notas pontuadas pelo baixo em “Ain’t No Man”. Perceba como a country music ainda está lá, no âmago da canção. Em seguida, temos as belíssimas “Mama, I Don’t Believe” e “Hard Feelings”, compostas de uma singeleza impressionante e um clima tranquilo, tipicamente country, que também encontramos em “Divorce Separation Blues”. “Satan Pulls The Strings” e “You Are Mine” combina banjos com sintetizadores, ressaltando as inovações que os irmãos buscaram propor no álbum. A primeira desemboca em um clima indie folk bem agradável e simpático, enquanto a segunda é mais experimental e mais ousada.

Em “Fisher Road To Hollywood” ouvimos uma referência clara à sonoridade da banda nos primeiros anos, com um duo vocal tocante. Distante e densa, “May it Last” fecha o álbum, reiterando o desejo pelo novo e ainda não explorado, que se torna evidente pelas timbragens escolhidas e pelos arranjos cheios de instrumentos.

Com seu novo disco, os Avett Brothers buscaram inovar, trazendo ideias diferentes ao seu som. Isso foi feito de forma saudável e responsável, tendo em vista a base sonora na qual a carreira do grupo foi construída. O resultado foi muito satisfatório. Temos um conjunto de canções que ousam (“May it Last”, “Satan Pulls The Strings” e “You Are Mine”) e um outro set de faixas que enfatizam a identidade da banda (“Fisher Road To Hollywood” e “Mama, I Don’t Believe”, por exemplo), tudo isso combinado de uma forma harmônica, permitindo uma perfeita simbiose entre as escolhas musicais diferentes.

As boas melodias do grupo confirmam o bom gosto dos irmãos na hora de compor. São tocantes, envolventes, possuem um quê melancólico, sincero e comovente. Tudo isso é realçado com acompanhamentos instrumentais calmos, que criam climas tranquilos, evocando o sossego. Bem como o que predominou no novo disco do Zakk Wylde – Book of Shadows II. Em contrapartida, temos momentos mais agitados, rítmicos e climáticos. Seja com mais participação dos violões/baixo/bateria, orquestrações ou as experimentações com sintetizadores.

Aos poucos, eles tão expandindo o seu espectro sonoro. Indo além, buscando profundidades desconhecidas e tesouros inexplorados. Estão indo bem, acertando em seus lançamentos e entregando bons álbuns. Diferente de quando o grupo surgiu em 2002, com Country Was, a sonoridade não é mais tão monótona. Agora é dinâmica, alternando estilos e ideias musicais sempre que necessário.

E repito: o country/folk/bluegrass está lá. Você pode perceber pelo sotaque dos vocalistas, presença constante de banjos, gaitas, violões adornando as canções e aquele clima de música interiorana a que os Avett Brothers não renunciam, fazendo questão de tornar isso claro em sua música.

True Sadness não é só um bom álbum. É uma aula de como manter uma estabilidade musical depois de tantos anos de carreira, arriscando-se sem abrir mão dos princípios imutáveis que formam base da sonoridade de uma banda.

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