2016 Metal Resenhas Rock

Gone Is Gone – Gone Is Gone (2016)

Supergrupo apresenta proposta de rock distorcido com paisagens sonoras que funciona

Por Lucas Scaliza

Como se já não bastasse a voz carregada de drive de Troy Sanders, o amplificador de seu baixo também emite uma sucessão de notas carregadas de overdrive em “Violescent”. Uma forma não apenas de deixar a faixa de abertura do primeiro disco da banda mais ruidosa, mas também para preencher o som pesado do grupo enquanto a guitarra de Troy Van Leeuwen se aventura por bends esquisitos fora da base.

Gone Is Gone é uma superbanda formada pelo baixista do Mastodon, o guitarrista do Queens Of The Stone Age, Tony Hajjar, o baterista do At The Drive-In e o multi-instrumentista Mike Zarin (Sencit Music e Sweethead). Juntos tocam um rock poderoso, distorcido, guitarras com afinações mais baixas e batidas poderosas. As loucuras rítmicas do At The Drive-In e a progressividade do Mastodon não estão presentes, mas sobra pegada e vontade de fazer rock e metal alternativo mais cru (“Stolen From Me” e visceral até quando querem ser melódicos (“Starlight”).

gone-is-gone-press-2016

A participação de Zarin é evidente na criação das atmosferas do disco. Ao mesmo tempo em que parece um álbum direto e seco, com bateria, guitarra e baixo e alguns pedais, temos também vários momentos em que a manipulação de sons é evidenciada, como em “One Divided” e nos interlúdios “Character” e “Recede and Enter”, que são basicamente duas paisagens sonoras.

As mudanças de dinâmica e as várias partes diferentes em cada faixa mostram que se trata de uma banda bem à vontade com diferentes mindsets de composição. “Praying From The Danger” começa opressora, com guitarras graves que mais parecem o motor de uma máquina de demolição acompanhada de uma percussão tribal, entra em versos mais ritualísticos e cai em um refrão mais lânguido. É a faixa em que Hajjar demonstra sua habilidade de condução e Leeuwen se esbalda com notas altas, repetitivas e beirando o esquizofrênico.

“This Chapter” é a faixa sinistra e densa, lenta e arrastada que finaliza Gone Is Gone. Tem a mesma qualidade emocional que o Mastodon, o QOTSA e o ATDI é capaz de criar, mas não há nenhuma sobreposição do estilo de uma das bandas na faixa ou no disco como um todo. A proposta estética do álbum está bem definida desde o princípio, como já era esperado de um grupo experiente que se une para fazer música nova, e não repetir o que já propõe com outro nome. Nesse sentido, exibem o mesmo potencial e certeza da proposta estética que o saudoso Audioslave na década passada.

Embora seja um bom álbum, Gone Is Gone é o típico primeiro álbum de uma banda. Curto e despretensioso, deixa entrever que há muito mais para ser explorado com esse grupo. Como todos dependem da agenda de suas bandas (QOTSA já pensa em gravar o sucessor do disco de 2013, At The Drive-In voltou a tocar e Mastodon não deve demorar a mostrar trabalho novo), o Gone Is Gone pode levar algum tempo para gravar novamente. Mas vai valer a espera, não tenho dúvidas.

1 comentário em “Gone Is Gone – Gone Is Gone (2016)

  1. Pingback: Gone Is Gone – Echolocation (2017) | Escuta Essa!

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