2016 country Pop Resenhas

Keith Urban – Ripcord (2016)

Pop fácil, inofensivo e embaladinho

Por Gabriel Sacramento

Desde que casou com Nicole Kidman em 2006, o cantor Keith Urban vem se tornando uma celebridade pop, bem mais em voga do que antes. Como é de se supor, sua música acompanhou essa crescente fama e popularidade, se tornando cada vez mais pop e deixando de lado aquele molho country que outrora temperava seus álbuns.

Com o passar dos anos, o country foi ficando cada vez mais diluído na sonoridade do australiano. Hoje, temos o cantor em uma tentativa de soar mais pop, mais acessível, mesmo que continue sendo considerado por muitos como artista country.

American Idol XV (2016 tv) - Keith Urban
Foto de Michael Becker

Seu novo trabalho, Ripcord, foi gravado em Hollywood, o que confirma ainda mais a grandiloquência pop na qual Keith está envolvido. Outra característica típica de música popular é a presença de diversos nomes famosos como Carrie Underwood, Nile Rodgers e Pitbull. A produção e a mixagem também envolvem vários nomes.

Bem, vamos às faixas. “Gone Tomorrow (Here Today)” abre com um banjo onipresente, executado pelo próprio Keith Urban. Segue ideias bem padronizadas, sem muitas surpresas pelo meio do caminho. “John Cougar, John Deere, John 3:16” e “Wasted Time” também não surpreendem, muito parecidas com músicas de country pop que já ouvimos em outros álbuns, com melodias comuns e arranjos básicos. Já “Habit of You” parece algo do Nick Jonas.

Em “Sun Don’t Let Me Down”, Urban chamou o fantástico Nile Rodgers para ajudá-lo. Porém, como a canção é diferente do mundo de Rodgers, sua participação acaba sendo bem tímida. A faixa também possui um rap do Pitbull. “Blue Ain’t Your Color” é inocente e adolescente, nem parece estar sendo cantada por um cara de 48 anos. A participação de Carrie Underwood em “The Fighter” só contribui com a sonoridade pop jovial – e padrão –, com um duo pergunta-resposta no refrão.

O novo disco de Keith Urban é totalmente pop. E o pop do cantor é inofensivo, padrão, easy listening e embaladinho. O disco é embalado no formato típico e seguindo os parâmetros da música pop comum. Não é um disco que irá te surpreender ou te deixar maravilhado. O objetivo de Urban é soar pop, mesmo que isso signifique abrir mão da identidade ou de uma marca pessoal mais significativa.

Se a falta de personalidade é um convite ao ouvinte para entender melhor quem é Urban e isso configura um problema, a falta de ousadia configura outro. O australiano investe em bases simples, sem muitos elementos que tornem os arranjos preciosos. Há simplesmente o necessário para fazer a “cama” para seus vocais. Em si, não é um demérito. Mas a simplicidade se transforma em monotonia, indo em sentido contrário ao dinamismo musical. Assumir riscos tornaria as coisas mais quentes no álbum.

Como consequência, a música do cantor soa comum demais. Os andamentos, arranjos e os direcionamentos musicais pelos quais o disco passeia são bem conhecidos e nos dão a sensação de previsibilidade. Ao seguir as regras de forma tão obediente, o músico acabou suprimindo um pouco a liberdade que guia a criatividade e que gera destaque à música.

Embora seja fraco musicalmente e pouco marcante, o disco preenche bem as lacunas da música country pop atual. Daí vem o sucesso do cantor e seu reconhecimento na cena. Seu som emula o desejo de muitos outros cantores do estilo que vem se rendendo ao pop cada vez mais em detrimento do country. Devido ao seu sucesso também fora da música, Keith pode ser visto como um grande representante (comercial) desse cenário musical. Há que se lembrar que Taylor Swift é uma das maiores estrelas da música atualmente, uma das que mais vende discos e das mais cobiçadas, e também veio do country, largando o estilo somente em 2014 para assumir de vez o pop. Deu no que deu.

A tendência é que Urban continue produzindo álbuns pop inofensivos como este. Não é de hoje que a carreira do cantor vem se tornando alvo de clichês. Desde quando o cantor começou a se tornar uma figura pública e seu nome passou a ter como referência a atriz famosíssima de Hollywood, sua música tem sofrido com a grandiloquência e com o sucesso exacerbado. Isso é tudo o que Ripcord é. Um disco superpop de uma celebridade famosa.

Keith_Urban_2016-billboard

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1 comentário em “Keith Urban – Ripcord (2016)

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