Especial Pop Resenhas Soul

Amy Winehouse – Back To Black (2006) faz 10 anos

10 anos de uma grande obra-prima da música soul e pop moderna

Por Gabriel Sacramento

O que é?

Back To Black é o segundo e último álbum que Amy Winehouse lançou em vida, em outubro de 2006.

Histórias e curiosidades

Em 2003, o mundo assistiu ao surgimento de uma cantora londrina amante de jazz chamada Amy Winehouse. Isso mesmo, jazz cinquentista era uma das coisas que a garota mais gostava e foi o que ela preferiu registrar em seu primeiro trabalho, mesclando com soul music e R&B. Frank chegou ao mercado em 2003, com a maioria das canções escritas pela própria Amy.

Mas foi no segundo registro que a cantora se superou. Amw Winehouse declarava estar cansada de compor jazz e, muito influenciada pela música das girl groups dos anos 60, decidiu fazer um álbum com uma direcionamento mais próximo do soul clássico. Para tanto, ela convocou Salaam Remi e Mark Ronson para a produção e contratou os músicos do grupo Sharon Jones & the Dap-Kings para tocar com ela em estúdio e na turnê. A ideia de Ronson e Remi na produção foi emular um som típico das girl groups, com direito à Wall of Sound (técnica de gravação usada para contornar os vocais com camadas densas de instrumentos). Os instrumentos de base – guitarra, baixo, piano e bateria – foram gravados ao vivo em uma única sala, sendo que a bateria foi gravada com apenas um microfone. Tudo isso para conseguir uma crueza bem característica dos anos 60.

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Ronson então foi para o Metropolis Studios, em Londres, gravar alguns overdubs como metais, cordas e percussão que podemos ouvir complementando os arranjos. Tom Elmhirst foi chamado para mixar o álbum e contribuiu com seus conhecimentos para trazer um pouco de contemporaneidade ao som de Amy. No geral, podemos perceber que além de aludir a um som tipicamente sessentista, o som de Back To Black também possui boas referências modernas.

“Rehab” – talvez a mais famosa canção de Amy – abre o álbum com uma letra autobiográfica sobre quando ela se recusou ir a uma clínica de reabilitação para tratar o vício alcoólico. A sonoridade é totalmente anos 60, com direito a andamento típico e metais adornando os versos, como outrora faziam Ray Charles e Otis Redding. Nesta faixa, a voz de Amy foi comparada com a de ninguém menos que Ella Fitzgerald. “Rehab” é a canção de assinatura da inglesa e mostra exatamente o que ela sabe fazer de melhor. A história da composição da canção é curiosa: os versos que abrem a música foram ditos por Amy em uma conversa sobre reabilitação, na qual ela deixava claro sua falta de vontade de frequentar clínicas do tipo. Ao ouvir, Ronson pensou que a frase daria uma boa canção. E realmente deu. Amy escreveu em 3 horas, gravando logo em seguida, no estúdio de Ronson em Nova York. A ideia original era utilizar elementos de blues, mas Ronson sugeriu que a canção soasse como uma mix de R&B contemporâneo com um quê dos anos 60.

“Me and Mr. Jones” possui um leve andamento R&B da década de 1950 combinado com backing vocals que nos levam ao início da soul music. “Just Friends” é Amy flertando com o ska e acrescentando uma sonoridade diferente ao repertório do disco. A faixa-título deixa bem explícito as referências clássicas, do som das girl groups, com o Wall of Sound aplicado na base instrumental da canção. Sendo franca, Amy fala sobre um triste fim de relacionamento. Totalmente cool e jazzy, surge a bela “Love is a Losing Game”. Já “Tears Dry on Their Own” traz a mesma progressão harmônica do clássico “Ain’t No Mountain High Enough” de Marvin Gaye.

Passa pelo teste do tempo?

O sucesso de Amy Winehouse impulsionou a carreira de muitas mulheres na música. No som, na moda e na atitude. A cantora foi uma grande representante feminina dos tempos modernos, algo como foi a Madonna nos anos 80. Ela também revigorou o cenário musical britânico nos anos 2000.

Back To Black também foi fundamental por trazer de volta às paradas pop o som da soul music e todos os seus trejeitos clássicos. Essa onda, conhecida como neosoul, que resgasta o estilo e o mixa a alguns elementos modernos, foi fortalecida depois do sucesso do álbum. Cantoras como Adele e Duffy foram fortemente influenciadas pelo estilo de Amy. Beyoncé, Sam Smith e Troye Sivan são outros artistas que fizeram covers de canções dela. Bruno Mars elogiou o produtor Mark Ronson e se inspirou no som de Back To Black para compor uma de suas canções mais conhecidas, “Locked Out of Heaven”. Já a popstar Lady Gaga afirmou que a cantora britânica era sua heroína pessoal.

O disco é muito reconhecido comercialmente até hoje. Está presente na lista dos álbuns mais vendidos em território britânico junto com os Beatles, Queen e Oasis. Além de ser um dos discos mais vendidos do século no Reino Unido. Por sua sonoridade única, emocional e suas letras autobiográficas, o disco causou um impacto muito forte na indústria da música, difícil de ser batido. Uma obra-prima da música soul e pop.

Amy foi ousada o bastante para exprimir tão claramente suas influências, sua personalidade, decepções com o amor, problemas com os entorpecentes, bem como sua criatividade, resultando em um ótimo trabalho. Um álbum que possui uma sonoridade que remete ao passado, cheio de recursos utilizados no século anterior, mas que conseguiu ser mais chocante e expressivo que muitos lançamentos novos da época. Amy, Ronson e Remi souberam aliar o moderno e o clássico. Ela homenageou seus ídolos ao mesmo tempo em que escrevia seu nome na história da música.

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7 comentários em “Amy Winehouse – Back To Black (2006) faz 10 anos

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