2016 Pop Resenhas Rock

Biffy Clyro – Ellipsis (2016)

Nem os riffs de metal escondem a veia pop do trio escocês Biffy Clyro

Por Lucas Scaliza

O trio escocês do Biffy Clyro representam bem a escalada de uma banda que não conseguiu chegar muito longe fazendo um tipo de som mais desafiante e alternativo. Porém, quando perceberam que estavam no caminho certo – isto é, ganhando mais atenção do público e da mídia – fizeram o que a maioria das bandas fazem para se manter escalando a montanha do business do entretenimento: tiraram as dissonâncias do som, abafaram a veia mais alternativa e investiram em um som mais pop.

Por pop, entenda: refrãos facilmente pegajosos, progressões de acordes que caem bem ao ouvidos de (quase) todo mundo, muita melodia e até os “ÔooOohs” que fazem qualquer plateia de festival cantar junto em uníssono.

Biffy_Clyro-2016

Simon Neil (guitarra, piano e vocal), James Johnston (baixo) e Ben Johnston (bateria) aprenderam como se faz música assim e vêm priorizando esse tipo de composição há algum tempo. Em Opposites (2013) mostraram que tinham encontrado um meio termo entre o pop e o som cheio de pegada que queriam fazer e caíram nas graças do público. Em Ellipsis eles repetem a fórmula.

O Biffy Clyro não tem a intenção, neste momento, de se afastar do espaço que conseguiu no mainstream. Por isso, o álbum tem a mesma linha comercial hoje que o Linkin Park tinha quando surgiu. Ao mesmo tempo em que se preocupam com refrãos que podem ser cantados por uma multidão e canções que funcionem no rádio, não deixam de inundar várias de suas faixas com riffs de metal e porções generosas de distorção e peso, como demonstra o single “Wolves Of Winter” e “In The Name Of The Wee Man”. Já outras faixas são pop, com uma guitarrinha suja para disfarçar, fazendo-os parecer o Blink 182 (e todo o resto da galera do punk pop). “Flammable” e “Howl” são os exemplos mais bem acabados disso, já que a rebeldia deles nunca chega ao Titus Andronicus ou ao Car Seat Headrest.

O rock animadinho do trio é daquele tipo que soa bastante divertido, no entanto. A maioria das faixas segue o esquema pop, com elementos de rock e metal para dar uma temperada, mas nunca é picante demais. Em faixas como “Friends And Enemie”, “Animal Style” e “Herex” fazem o grupo soar bastante americanizado. “Don’t, Won’t, Can’t” é uma das faixas mais interessantes do disco. Divertida e flertando com o eletrônico, atinge seu clímax carregando no peso da guitarra e investindo em riffs do tipo que Matt Bellamy, do Muse, faria.

Ellipsis está fartamente servido de baladas. “Re-arrange” não apenas amacia demais o som do grupo e coloca um piano adocicado no comando harmônico da faixa como também nos entrega um indefectível “Tchurururu-tchu-tchu”. “Medicine” é uma faixa de violão que nos remete diretamente às trilhas de seriados adolescentes, de “The O.C.” a “Teen Wolf”. “Small Wishes” também não sai do espectro comercial do trabalho, mas encaixa uma sutil dissonância no dedilhado da guitarra e tem ótimos arranjos. “People” se destaca pela produção, um pouco mais cinematográfica e conduzida pelas atmosferas do teclado.

Não é um disco ruim. Se a intenção do Biffy Clyro é ser uma boa banda ao vivo, capaz de expressar intensidade e melodia na mesma medida, que não se importa em cantar melodias pegajosas e mandar riffs com guitarras com afinação mais baixa, Ellipsis cumpre perfeitamente bem esse papel e deverá fazer barulho e sucesso. Contudo, é mais um desses discos que parecem alternativos nos encontros sonoros que promove, mas sendo muito claro quanto a sua intenção: ser palatável e divertido, uma pequena obra de entretenimento com algum elemento mais ríspido aqui ou ali para parecer mais roqueiro. É a rebeldia que se permite o confortável público da classe média em festivais de verão.

Biffy_Clyro_2016

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