Britney Spears – Glory (2016)

Britney Spears inclui o indie no mainstream e arrisca muito mais em novo álbum

Por Lucas Scaliza

Melhorou, e melhorou bastante. Basta ouvir uma vez Glory para ver que Britney Spears entrega a seu público algo muito melhor que Britney Jean, seu criticado disco de 2013, e que aponta uma bem-vinda evolução capaz de surpreender. Ela continua sendo a mesma de sempre, dialogando com o mesmo público e para o mesmo segmento de mercado, mas seu novo álbum tem frescor, o que já a coloca a frente de diversas “concorrentes” do mainstream e mostra às indies que também está antenada com o que acontece nesse mundo paralelo da música – e que não deve ser ignorado.

Madonna e Gwen Steffani possuem boas vozes, mas o último disco de ambas sofreu atirando para todos os lados e apostando em tendências cansativas. Spears conseguiu diversidade de som ao mesmo tempo em que manteve uma estética geral para Glory. “Invitation” é talvez a canção mais experimental e etérea que Britney já gravou para um álbum. O single “Make Me…” se aproveita dos sons do indie pop para fazer uma canção sexy. Repare na guitarra que complementa o arranjo. Um recurso que parece tirado de Lana Del Rey e aliado ao estilo pop de Britney. Antes de ouvir “Private Show” seria impossível esperar dela uma música em que a percussão são estalos de dedo e um sample de voz em loop é o grande responsável pela base harmônica. Se tiver que escolher uma música que atesta como B. S. realmente resolveu arriscar mais desta vez, seria essa. “Clumsy” começa com uma parte 2 de “Private Show” e evolui para algo próximo do trance. Ainda assim, os arranjos dos versos são criativos e não repetem o EDM comercial que homogeneizou o cenário pop.

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O show de Britney continua com “Man On The Moon”, canção melodiosa que, se fosse gravada de 3 a 8 anos atrás, teria ganhado uma percussão para boates e teclados gigantescos, perdendo a doçura inocente com que se apresenta agora. “Just Luv Me” aposta novamente em sons mais etéreos e aveludados. “What You Need” é outra que vai contra as apostas de qualquer um, com sopros em staccatos durante sete minutos. Só ouvimos um acorde completo deles no último compasso da música. Mais uma que surge como “a” diferente do álbum, apesar de sua melodia fácil e ritmo animado que teria tão bem servido para mais uma faixa dançante comum. (A música ainda é dançante, mas com um leve toque de smooth jazz agora).

Conforme as faixas avançam, o ouvinte é apresentado aos diversos timbres vocais de Britney Spears. Desde o registro mais graves, passando pelos mais naturais e também a sua voz mais aguda e infantilizada, aquela que serviu tão bem ao longo da carreira para canções chiclete. Aposta até em vocais suspirados, como na interessante “Coupure Électrique”.

Glory tem potencial para as pistas de dança e tem potencial para ser sensual. Nem todas as faixas são exemplares, mas se esforça bastante para ser interessante até o fim. Ao mesmo tempo em que mantém alguns clichês do gênero, inclui elementos do dream pop e do indie que garantem o equilíbrio de Glory. Se Britney Jean parecia um pastiche do eletropop de 2013, este novo álbum tem mais personalidade, e a pontinha de ambição que percebemos em metade das músicas do repertório fazem a diferença.

A cantora americana começou a trabalhar em novas músicas ainda em 2014. Foi paciente e deixou o disco acontecer, sem pressa. O resultado é um trabalho que soa muito menos ansioso e desesperado, mais maduro e preocupado com a expressão musical. Aquelas frases vocais e sonoras repetitivas e irritantes que eram tão cafonas e datadas em Britney Jean se foram.

40 nomes aparecem nos créditos do álbum, entre produção e composição. Das 17 faixas, B. S. é coautora de sete, ficando abaixo da média de participação que Rihanna e Beyoncé tiveram em seus mais recentes álbuns. No entanto, vale destacar que Lemonade teve 70 colaboradores e Anti, 67. E apenas o single “Make Me…” tem o feat do rapper G-Eazy. O recurso das participações especiais, tão comum no pop e no R&B, também é evitado, mostrando que Britney Spears dá conta sozinha de conduzir um álbum inteiro e de atrair a volátil atenção do público. A bem da verdade, ela usou bem pouco esse artifício ao longo de seus nove discos de estúdio e agora reduziu ainda mais do que em Britney Jean e Femme Fatale (2011).

B. S. não vai ganhar mais público com Glory. Suas novas músicas não têm a mesma verve de Beyoncé e Rihanna para propor algo tão diferente ou levantar uma bandeira política, mas é um grande lançamento pop que vai fazer barulho. Não vai mudar a visão que temos da artista e nem elevá-la a um novo patamar musical, mas talvez ela passe mais credibilidade ao ouvinte mais atento. Ainda é comercial, mainstream e pop acessível, mas agora com um feeling para o diferente que antes era quase inexistente.

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2 comentários

  1. Como fã q a acompanha desde criança senti um orgulho tão grande em ouvir esse album. Ele é tão ela, tão diferente de Britney Jean e Femme Fatale e até msm de Circus, é uma sensação parecida do q se tem ao ouvir Blackout e In The Zone. Eu vi ela nesse album! Tem essa sonoridade estranha e ousada q ñ se encaixa em nada da atualidade q ela tanto proporcinou ao pop e q hoje faz tanta falta. Sempre tem no mínimo 1 música de seus albuns q ñ suporto mas ouvi as 17 faixas sorrindo e ñ irei passar uma no play.

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