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Blues Pills -Lady In Gold (2016)

Um stoner rock mais… malandrinho

por brunochair

Neste blog, já falamos sobre algumas bandas que procuram desenvolver uma sonoridade que nos faz lembrar a piração de Woodstock: os nomes de Jimmy Hendrix e Janis Joplin são os primeiros que veem a mente, e nos transferem a estilos como o blues psicodélico e o stoner rock. Nomes como Radio Moscow, Wolfmother (talvez a mais popular delas), Rival Sons e Graveyard são apenas alguns dos nomes possíveis de lembrar. A banda da qual falaremos a partir de agora, Blues Pills, também faz parte desta gama de grupos que procuram resgatar essa psicodelia pura e viva, que faz tingir os céus e os ouvidos de quem transita, alucinado, por esta experiência sonora.

Blues Pills surgiu para a cena musical em 2012, com o lançamento do EP Bliss. Fruto de uma reunião entre dois americanos (Zack Anderson e Cory Berry, ambos ex Radio Moscow)*, um francês (Dorian Sorriaux) e uma sueca (Ellin Larson), o Blues Pills acaba sendo mais lembrado por esta proximidade com a Suécia por conta da sua vocalista. Em 2014, o grupo lançou o álbum homônimo, que obteve reconhecimento mundial dentro da cena do blues psicodélico e do stoner rock. O que já ficava como “marca” da banda após Blues Pills era, sem dúvidas, a guitarra em chamas de Dorian Sorriaux (lembra a de Hendrix, sem pestanejar) e o vocal certeiro e bastante eclético de Ellin Larson. No disco Blues Pills, tudo era bastante efervescente: a guitarra tinha eco, grudava em todas as paredes e camadas possíveis; a vocalista destilava energia e poder, cavando seu espaço com muita elegância ao cantar baladas e power rocks.

Blues_Pills - Lady_In_Gold2

Agora temos Lady In Gold, o sucessor. E o que mudou? Para onde a banda preferiu caminhar? E, ouvindo as dez canções que compõem o álbum, fica claro que o grupo preocupou-se em usar, com mais frequência e cuidado, o excelente vocal de Ellin Larson. As guitarras ainda estão ali, mas elas abrem espaço para que o baixo e o órgão possam também protagonizar alguns momentos. Não colocam tudo para queimar neste álbum, como foi o primeiro: continuam abrindo a caixa de ferramentas woodstockiana, mas sobretudo querem aproveitar os talentos e singularidades da banda.

Mais uma vez, Ellin Larson não decepciona. Consegue contaminar o restante da banda com a sua performance vocal, e não arreda o pé das baladas. “I Felt a Change” é o maior exemplo disso – lindíssima música, com aquele toque psicodélico e muito da pop soul music setentista. Mas a psicodelia e o stoner rock estão em todas as músicas, presente e pulsante. No entanto, e resumindo um pouco do espírito do disco, o Blues Pills está mais “malandrinho”, mais atento a essas percepções sensoriais que passam aos ouvintes, mais conhecedores de suas potencialidades, e digamos… menos selvagens. Tão bom quanto o primeiro, a escolha é sua: prefere algo mais rústico ou com maior nível de experimentação? Se rústico, primeiro álbum; se mais experimental, o segundo. De todo modo, dois excelentes discos.

*Cory Berry foi substituído por Andre Kvarmström neste segundo álbum

Blues_Pills - Lady_In_Gold3.jpg

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2 comentários em “Blues Pills -Lady In Gold (2016)

  1. Pingback: The Brew – Shake The Tree (2016) | Escuta Essa!

  2. Pingback: Mothership – High Strangeness (2017) | Escuta Essa!

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