Skillet – Unleashed (2016)

Do agressivo ao pop com guitarras sem propriedade

Por Gabriel Sacramento

O Skillet é uma das bandas de rock alternativo que fizeram sucesso nos anos 2000, mas que surgiram na década anterior. O grupo chegou o auge em Collide (2003), com uma sonoridade que marcou a virada de século e praticado por bandas como Linkin Park, Seether e Shinedown.

O som do grupo era caracterizado por melodias grudentas, caprichadas, porém infestadas de agressividade e atitude. Mesmo com o potencial comercial, o grupo prezava por um som nervoso e forte. Além disso, a sonoridade também contava com a participação de instrumentos incomuns como o violino, que davam um charme a mais às canções.

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Desde então, eles vêm sendo bastante reconhecidos por esta ótima fase da carreira (2002 – 2009), onde lançaram o trio Collide, Comatose (2006) e Awake (2009). Este último estreou em segundo na Billboard, causando certo alarde na época. Os dois primeiros foram nomeados ao Grammy.

Outro detalhe que destaca a banda é o fato dos integrantes serem cristãos. Assim como o Red, P.O.D e os brasileiros da Oficina G3 e Rosa de Saron, os caras trazem letras comuns que possuem como base ideológicas os princípios cristãos.

Quando se pensa em tudo o que banda já foi, revisitando o catálogo de canções antigas, é bem compreensível que haja certa resistência a esse álbum novo – Unleashed. O álbum contou com a produção de Brian Howes, que produziu o Comatose. Mas também escalou famosos nomes como Kevin Churco (Ozzy Osbourne, Five Finger Death Punch) e Neal Avron (Weezer, Fall Out Boy). Mesmo assim, com todos os esforços, a banda não soa tão interessante em seu novo álbum, recorrendo ao “pop com guitarras”, que tem se tornando comum atualmente.

Lembrando que utilizar guitarras no pop não é errado, sendo até válido em muitos momentos. Uma banda de rock utilizando recursos estéticos do pop também não é errado. O problema, no contexto de uma banda como o Skillet, é o afastamento do que norteava a banda outrora (rock mais agressivo), sem muita propriedade para apresentação do novo (pop com guitarras). Ou seja, eles mudaram o som, mas não se mostram muito confortáveis, nem convincentes.

“Feel Invincible” foi a primeira canção liberada publicamente. Percebemos o peso das guitarras, que prezam por arranjos simples e diretos. Porém, a canção possui alguns clichês nos arranjos de guitarra e bateria que são repetidos à exaustão no resto do álbum. A segunda, “Back From The Dead”, tem um refrão que lembra o da primeira, já que possui as mesmas ideias basicamente. Bem como alguns recursos vocais utilizados para tornar mais fácil a memorização e fazer as canções mais “cantaroláveis”, como aos 0’38”, o que é semelhante ao que utilizaram em “Feel Invincible” no minuto 1’15”. Ambas possuem refrãos grandiosos, criados para serem cantados aos berros nos shows.

A açucarada “Stars” lembra as baladas das bandas alternativas do começo do século. “Out of Hell” possui “Ôoos” recheando a faixa junto aos riffs pesados. Não se diferencia muito das outras. “The Resistance” também enfada ao concentrar-se no refrão incrivelmente doce sobre uma base de guitarras distorcidas. No entanto, possui um dos momentos mais dignos do álbum – que aparece de surpresa no final da faixa: um riff excelente, com variações precisas da bateria e um solo, que poderia, inclusive, ter sido aproveitado no meio da canção.

O novo trabalho do Skillet falha, pois a banda joga todas as fichas nas mesmas ideias e não traz muita diversidade entre as faixas. Há sempre uma grande ênfase nos refrãos, nos ganchos melódicos e as estruturas das canções são bem parecidas. Além disso, as canções demonstram que a banda não tem mais o mesmo brilho de antigamente, limitando-se bastante aos mesmos clichês atualmente.

Os vocais da baterista Jen Ledger, que fizeram a diferença em Awake, não são tão marcantes em Unleashed. Aliás, só contribuem para tornar tudo ainda mais fofinho. Os vocais de Jon Cooper, embora soem roucos, não estão agressivos, mas se adequam à proposta mais acessível do disco.

Este é o produto que o Skillet vende atualmente: um disco pop com momentos pesados – mais pesados do que os anteriores, se você considerar a qualidade e a sujeira das distorções da produção mais moderna –, porém, com canções fracas, sem aquela assinatura musical pela qual a banda ficou conhecida. Para os fãs de longa data, ouvir este álbum pode ser decepcionante. Para os novos, nem tanto. Com o novo álbum, e a nova fase, o grupo deve buscar novos públicos e expandir a base de fãs, enquanto aquilo que os tornou famosos tenha sido deixado de lado em algum lugar do passado.

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