2016 Resenhas Rock

Meat Loaf – Braver Than We Are (2016)

Meat Loaf continua o mesmo – e isso é bom!

Por Gabriel Sacramento

Michael Lee Aday, conhecido como Meat Loaf, já é considerado uma lenda. Sua carreira como ator e cantor, participando em filmes cultuados, como Clube da Luta (1999), e lançando discos como a lucrativa trilogia Bat Out of Hell – o primeiro, inclusive, um dos mais vendidos de todos os tempos, junto com Dark Side of The Moon (Pink Floyd), Back in Black (AC/DC) e outros –, confirmam que o artista é renomado e possui um legado a zelar.

Na sua carreira musical, ele estabeleceu um padrão de qualidade trabalhando ao lado do compositor Jim Steinman. Recentemente, algumas brigas e desentendimentos por conta do uso da expressão “Bat Out of Hell” – registrada como uma marca por Steinman em 1995 (mas que acabou adquirida por Loaf) – resultou em álbuns sem o envolvimento do compositor, inclusive o último e excelente Hell in a Handbasket (2011).

Cinco anos depois, o cara aparece com novidades: voltou a trabalhar com Steinman e não foi para um Bat Out of Hell. O novo disco chama-se Braver Than We Are e possui algumas canções antigas de Steinman, escritas para outros projetos, bem como participações de vozes femininas como Ellen Folley (voz do clássico “Paradise by the Dashboard Light” do primeiro Bat Out of Hell).

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Um andamento bem blueseiro, com uma guitarra levemente saturada abre o disco em “Who Needs the Young”. Mas logo a sonoridade muda, passando de vocais de fundo dançando sobre os arranjos a momentos mais épicos com uma interpretação singular de Loaf. A dinâmica e a teatralidade da faixa mostram o velho jeitão de fazer música do cantor americano. Podemos perceber isso também nos 11 minutos de “Going All The Way is Just The Start”, com umas melodias mais belas dos últimos anos. A faixa possui a participação de Ellen Folley e Karla deVito e é uma balada típica do cantor, com reviravoltas inesperadas, momentos crescentes e quebras de ritmos entre o pesado e o calmo.

Em “Speaking in Tongues”, ele canta: “Há coisas que aprendemos por conhecimento, outras que aprendemos pelo coração, há coisas que aprendemos no fim da vida e outras que aprendemos no início…”. E em “Train of Love” e em “Lovin You is a Dirty Job” ele resolve falar de amor. No entanto, as letras românticas de Steinman estão longe de serem banais e recheadas de clichês, apresentando o tema sob uma ótica interessante, com frases bem elaboradas que tornam o seu ponto de vista mais convincente. “More” – que já tinha sido gravada pela banda Sisters of Mercy no álbum Vision Thing (1990) – traz um dos poucos momentos em que a guitarra chama a atenção, oferecendo certo peso aos arranjos.

Um ponto negativo do álbum a ser ponderado é o fato de canções como “Souvenirs” e “Lovin’ You is a Dirty Job” serem muito longas. Mesmo que a duração incomum de faixas seja uma marca de ML, as canções de Braver Than We Are enfadam o ouvinte. Fica claro que ambas chegam a um ponto em que não têm mais o que dizer e apenas se repetem.

O novo disco é menos roqueiro. Temos menos riffs e arranjos marcantes de guitarra, deixando o foco para o piano em diversos momentos. O guitarrista Paul Crook também cuidou da produção e talvez isso tenha provocado essa diminuição da importância do instrumento no som.

Mas o piano faz um trabalho bem feito. Mesmo que não soe agressivo, o instrumento oferece as camadas de base harmônica fundamentais para a construção e desenvolvimento de outros elementos de cada canção, como os vocais.

Meat Loaf continua o mesmo: dinâmico e teatral – fatores típicos do seu estilo e do de Jim Steimann. Braver Than We Are é  mais épico e fantasioso que Hell in a Handbasket. E mostra que o cantor sabe envelhecer artisticamente e continua investindo nas características mais marcantes que o consagraram.

No geral, é um ótimo disco com bons momentos e que o grande ponto positivo é o de apresentar Meat Loaf sendo ele mesmo, em uma ótima forma e com elegância. Talvez seja o início de uma nova fase com a cooperação de Steinman, que poderia, inclusive, resultar em um Bat Out of Hell 4 (nada confirmado, apenas uma especulação deste resenhista). Mas enquanto Bat Out of Hell não ganha uma continuação, os álbuns que não pertencem à série mostram que sua carreira ainda pode render muito.

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