Usher – Hard II Love (2016)

Usher traz um som mais urbano e forte

Por Gabriel Sacramento

Depois de Looking 4 Myself (2012) – em que Usher flertou com o eletrônico e com um pop mais comercial –, o cantor nos deixou curioso acerca de qual caminho trilharia em sua carreira. Se ele continuaria a misturar vários estilos, entregando discos longos que apontam para várias direções ou se resolveria revisitar o passado e nos trazer mais do seu R&B urbano.

O compositor/produtor que trabalhou no disco, Eric Bellinger, disse algo em uma entrevista que nos deu uma dica do que viria por aí. Segundo ele, seria mais R&B que o anterior e que seria algo do coração do cantor e não necessariamente o que as pessoas queriam ouvir.

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Hard II Love é de fato mais R&B. Salvo raríssimas exceções em que Usher busca outros elementos de outros gêneros, o álbum se mantém bem fiel à proposta que o cantor apresentava nos primeiros discos da carreira, mesmo que de maneira moderna. A produção envolve nomes como Raphael Saadiq, Tricky Stewart e o próprio Usher.

“Need U” abre o disco confirmando o que foi dito por Bellinger, mesmo que com uma base eletrônica pesada, logo desemboca na interação vocal principal/vocais de fundo que resgata aquela sonoridade típica do R&B dos anos 90. Note como a base de fundo fica desfocada diante do trabalho primoroso dos vocais. As harmonias quentes e cheias de swing estão presentes também em “No Limit” e “Missin’ U”, com uma base de hip hop no início. Perceba como Usher ainda interage com o hip hop, mas com foco no R&B.

“Bump” traz floreios vocais fantásticos que ressaltam a qualidade do trabalho com as vozes em Hard II Love. “Tell Me” é a melhor do disco. O cantor nos envolve em uma base espacial hipnótica com destaque para a batida, enquanto canta uma melodia ascendente no refrão, com uma entrega que não é tão comum ouvirmos em seus discos. A economia de elementos, junto com o fato de sua voz se desenvolver muito bem, faz com que a audição seja inesquecível. A faixa-título apresenta Usher tentando novas ideias dentro do seu som, cantando sobre uma base composta basicamente por dedilhados de guitarra.

Quem acompanha a carreira de Usher sabe que o cara é um dos grandes nomes do R&B americano. Com seu novo disco, ele mostra boa forma e uma coleção de canções que deixam claro que o tempo e a experiência ajudam muito. E no caso dele, as duas coisas o ajudaram a polir ainda mais a sua musicalidade. Por isso, ele consegue soar seguro e altamente convincente com sua proposta.

Vale ressaltar também que Usher não se mostra totalmente indiferente ao que surge de novo na música contemporânea. A prova disso é que podemos perceber elementos e ideias modernas que sugerem uma influência do R&B alternativo – como o praticado pelo Frank Ocean, por exemplo. Ele o faz de forma inteligente, respeitando o próprio legado.

Se no trabalho anterior ele explorou coisas diferentes, agora Usher prefere o som a que está mais acostumado e mostra que este tipo de som, o R&B, não está batido e está longe de ser esquecido. Por isso, com ajuda de um bom time de produtores, o cara trouxe o melhor do seu som, o uniu a referências modernas e entregou um álbum muito interessante.

Hard II Love vale muito a pena. Mais R&B, romântico, swingado, sensual e tudo isso sem soar comercial demais ou pouco original. Forte e agradável de ouvir, mais um ótimo álbum a contribuir com o legado do Usher.

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