2016 Folk Pop Resenhas Soul

Shawn Mendes – Illuminate (2016)

Cantor é interessante mesmo sem abrir mão da inocência

Por Gabriel Sacramento

O canadense Shawn Mendes é mais um dos artistas novos que se beneficiaram do poder da internet. Ele postava vídeos de covers no aplicativo Vine, até que lançou em 2015 seu primeiro álbum, Handwritten, que fez um estrondoso sucesso, atingindo o topo da Billboard. O artista também conquistou o status de artista mais jovem a liderar a parada, com 16 anos.

Seu som é claramente influenciado por Ed Sheeran e John Mayer. Seu novo disco, Illuminate, Mendes resolveu posar com sua guitarra à John Mayer na capa. A voz do cantor é muito parecida com a de Sheeran e sua capacidade de fazer um pop inocente, simples e jovial é impressionante.

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Boa parte do disco é produzido pelo parceiro de Sheeran, Jake Gosling. Um dos elementos típicos da sonoridade do britânico que também aparecem na música de Mendes é o predomínio da guitarra limpa como base. Como em “Three Empty Words”, que é só ele e essa guitarra limpa. O instrumento também dita o ritmo da soulful “Don’t Be a Fool”. A faixa de abertura, “Ruin” – que poderia estar no X do Sheeran –, possui uma tranquilidade e um clima relaxado bem próximo do soul. Ao mesmo tempo em que lembra o ruivo, a canção também remete à Mayer, com floreios de guitarras nos versos e uma instrumentação mais densa no refrão. “Mercy” não soa nem grandiosamente pop, nem cool demais. É equilibrada. Sua voz é muito bem colocada e o refrão é marcante.

“Treat You Better” é mais animada e mais pop teen. De todas, é a mais radiofônica e a mais fraca. Seus falsetes inspirados chamam a atenção em “No Promises”, enquanto sua guitarra pontuando notas traz o charme que faz a diferença em “Lights On”. A fantástica “Understand” soa como se James Morrison e John Mayer resolvessem compor algo juntos.

Mesmo sendo pop adolescente, simples, radiofônico e polido o suficiente para tocar muito por aí – aliado à sua imagem de jovem promissor –, Shawn Mendes não faz feio em seu segundo trabalho. Emulando grandes artistas que já estão bem estabelecidos, busca seguir os passos deles e trilha seu caminho com cuidado, tentando não ceder ao anseio desenfreado por sucesso no mainstream e não sacrificar sua personalidade.

Sim, sua personalidade está garantida em Illuminate, ainda melhor do que em Handwritten, sendo mais sincero, mais soul e mais inspirado. Sua entrega é precisa e contribui com o todo. A guitarra não fica só na capa, mas traz arranjos que se destacam e preenchem bem as canções. O canadense deixa bem claro em quem se baseia para compor suas canções, trazendo influências de soul clássico e temperando isso com um molho pop, moderno e jovial.

Ou seja: Mendes soa muito interessante sem precisar abrir mão da sua inocência para isso.

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1 comentário em “Shawn Mendes – Illuminate (2016)

  1. Pingback: OneRepublic – Oh My My (2016) | Escuta Essa!

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