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Van Morrison – Keep Me Singing (2016)

Cantor irlandês se esforça para se manter relevante

Por Gabriel Sacramento

Disco novo do Van Morrison não é nenhuma surpresa – só nos últimos 10 anos, o cara lançou cerca de quatro álbuns, sendo que o último deles, em 2015, foi uma regravação do seu próprio material, em duetos. Disco novo em que o irlandês aborda um caldeirão de estilos e os conecta de uma forma singular também não é surpresa. Morrison já fez isso em muitos álbuns, fazendo com que rotular seu som seja uma tarefa complicada. Sobretudo, o diferencial dele é não soar confuso com a mistura, mas fazer isso de uma forma muito natural.

Keep Me Singing é o 36º da carreira e mostra que ele não vai parar tão cedo.

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Mesmo lançando muitos álbuns, Morrison não possui pressa nenhuma para mostrar novas ideias ou algo muito diferente do que ele já mostrou. Depois de tanta coisa, do místico ao jazzístico, consagrando o seu jeito irlandês de fazer soul e blues, o cantor parece descansar e agora compor dentro de um universo restrito (ainda que seja um universo vasto se comparado a outros artistas).

Se em Pay The Devil (2006) Morrison focou no country, nos seus dois últimos de inéditas – Keep It Simple (2007) e Born To Sing: No Plan B (2012) –, ele trouxe as suas variadas influências, como de costume. Keep Me Singing pode ser encarado como uma boa extensão dos dois últimos.

Sem pressa e com a idade avançada, Morrison apresenta um disco elegante e leve. Temos faixas mais voltadas ao soul (“Every Time I See a River” e “Keep Me Singing”), outras mais jazz easy-listening (“Out in The Cold Again”, “Memory Lane” e “Look Behind The Hill”), canções com acento country (“Too Late”), blues escancarado (“Going Down To Bangor”) e swing festivo e solene (“Caledonia Swing”).

A única faixa que não foi composta por Van Morrison é “Share Your Love With Me”, que ficou famosa na voz de Aretha Franklin. A canção foi gravada para um tributo a Bobby Bland. Como o disco nunca aconteceu, o irlandês decidiu colocar a sua versão da faixa no álbum.

O estilo dele é resultado de muitos estilos diferentes condensados e unidos por sua voz singular. Em Keep Me Singing, Morrison alcança um resultado satisfatório, com uma sonoridade que agrada por ser sincera, simples e direta, sem rodeios.

Não é sensacional ou um grande destaque em sua carreira, mas também não é, de maneira alguma, decepcionante. Vale muito a audição. É um disco gostoso de ouvir e representa um momento inspirado do cantor. Como sugere seu título, este é mais um esforço de Van Morrison para continuar cantando e se mantendo relevante.

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2 comentários em “Van Morrison – Keep Me Singing (2016)

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