2016 Jazz Resenhas

Norah Jones – Day Breaks (2016)

Um dos melhores lançamentos de jazz dos últimos tempos

Por Gabriel Sacramento

Uma grande expectativa foi gerada com o anúncio do novo disco de Norah Jones. A cantora andou dizendo em entrevistas recentes que este trabalho marcaria uma volta ao som mais jazzístico do início de sua carreira. Ela afirmou que voltara a compor canções de jazz depois de se apresentar ao lado de músicos icônicos do estilo, em uma festa da sua gravadora, a Blue Note.

Também foi anunciado que o disco traria nomes de peso, como o saxofonista Wayne Shorter – sim, ele mesmo, o cara que substituiu John Coltrane na banda de Miles Davis – e John Patitucci.

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Day Breaks realmente é uma volta ao jazz e representa uma ruptura com a tendência indie e country dos últimos lançamentos de Norah. Se comparado com Little Broken Hearts (2012), percebemos a diferença por apresentar um som mais orgânico e menos calcado em efeitos e recursos de estúdio.

Jones também voltou ao seu instrumento principal, o piano. Depois de se aventurar com a guitarra nos últimos anos, ela compõe mais centrada no piano. Todas as canções originais do disco foram compostas por ela tocando o instrumento.

“Wonderful Time For Love”, “And Then There Was You” e “Carry On” funcionam como peças clássicas de jazz dentro do seu repertório. Assim como nos seus primeiros discos, o que chama a atenção nas faixas é o seu jeito calmo de tocar e cantar, suave e descansado, que relaxa o ouvinte, enquanto apresenta sofisticação e um modo de pensar a música totalmente inteligente. “Flipside” possui baixo elétrico e uma dinâmica maior, tendo um refrão marcante e com mais intensidade. “Burn” traz o baixo melódico do John Patitucci e um clima jazzístico menos colorido, com melodias mais graves.

Além das suas próprias canções, Norah nos apresenta três covers: “Don’t Be Denied”, do Neil Young, “Peace”, do Horace Silver – essa com um solo fantástico de sax de Wayne Shorter – e “Fleurette Africaine (African Flower)”, do mestre Duke Ellington, para fechar. As suas interpretações são bem feitas e as faixas se encaixam bem no conjunto.

O baterista Brian Blade, que gravou Come Away With Me (2002), a estreia de Norah Jones, também foi chamado para tocar em Day Breaks. Assim como o guitarrista Tony Scherr, que também tocou no début. Para mixar, Norah convocou Tom Elmhirst, o cara que mixou o Back to Black (2006) da Amy Winehouse e o último da Adele.

A presença de Tom é notável. A influência dele foi essencial para tornar o som mais retrô, abafado e mais rústico. Esse som anacrônico é muito bem feito, de uma forma que soa natural e resgata aquela inocência e suavidade da Norah de 2002.

Em termos de arranjos, tudo é muito bem arrumado. Soa como um grande disco de jazz dos tempos dourados. A qualidade Blue Note é percebida, assim como o reforço dos músicos contratados. Além de jazzy, soa também acessível, com belas melodias em primeiro plano e instrumental descomplicado.

Day Breaks é uma continuação dos primeiros e marca um novo momento, mais nostálgico, na carreira de Norah Jones. Sua música, mesmo com as incursões por outros estilos, nunca deixou de ser relevante, mas a volta dela ao seu som favorito nos traz uma coleção excelente de faixas que pode trazê-la de volta ao centro das atenções, como em Come Away With Me.

O novo álbum é bom de ouvir e é Norah Jones em sua melhor forma. Temos easy-listening, temos arranjos típicos do jazz e quase nada de modernidade. A cantora louva o estilo que a influenciou com um disco que merece ser louvado como um dos melhores lançamentos jazzísticos do ano.

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4 comentários em “Norah Jones – Day Breaks (2016)

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