Funk Pop Resenhas Soul

St. Paul & Broken Bones – Sea Of Noise (2016)

Hay que atualizar-se, pero sin perder la essencia

por brunochair

Em Half The City (2014), disco de estreia do St. Paul & Broken Bones, enalteci a habilidade do grupo em recriar uma atmosfera da época de ouro do soul americano, sobretudo os da década de 50 e 60. Paul Janeway é o St. Paul materializado, um santo nerd de óculos de garrafa que transmite mensagens positivas e reverencia o amor através da sua inconfundível voz. A forma de dançar de Paul procura desafiar as leis da gravidade e a pouca melanina, o que faz dele um personagem bastante caricatural.

Olhar para o passado e recriá-lo tem sido um caminho que grupos de diferentes estilos têm trilhado para conseguir dar vazão ao que desejam musicalmente. O soul vintage de Leon Bridges, The Suffers, o blues do Alabama Shakes e o stoner rock de bandas como Graveyard, All Them Witches e Blues Pills caminham neste sentido, na contramão de tantas outras bandas contemporâneas, que procuram desenvolver uma sonoridade “moderna”, e porque não dizer, “datada”. Há espaço e público para todo mundo.

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O St. Paul & Broken Bones olhou para o passado em Half The City, recriou uma boa atmosfera, ainda que não inovador. E talvez o grande mérito de Sea Of Noise talvez seja esse: o grupo liderado por Paul Janeway conseguiu atualizar-se, modernizar-se, dar um toque diferente ao soul vintage que estão recriando, desde o início da banda. Foi uma atualização dentro do estilo, mesmo.

Mas, ao mesmo tempo, não foi uma transição tão abrupta, quanto foi Boys & Girls/ Sound & Color do Alabama Shakes, ou Home Again/ Love & Hate do Michael Kiwanuka. Aliás, Paul Butler produziu tanto o álbum novo do Kiwanuka quanto o do St. Paul & Broken Bones. Porém, pelo que se percebe ouvindo os discos, encontrou saídas bastante distintas para cada um deles: na perspectiva do produtor, Paul Janeway e sua trupe não poderiam perder aquela característica positiva na musicalidade. As mudanças foram mais no sentido dos arranjos e do próprio cuidado do vocalista em brilhar sem precisar aparecer tanto. Mais cadenciado e “gritando” menos, Paul Janeway fez aqui um trabalho digno de aplausos.

Então, eis o grande mérito de Sea Of Noise: atualizar-se, sem precisar perder a essência. As características da banda continuam ali, intactas. Canções como “I’ll Be Your Woman”, “Waves” e “Burning Rome” conseguem provar a qualidade do St. Paul em compor excelentes músicas, ao saber dosar muito bem emoção, soul vintage e ótimos arranjos. A conferir os próximos trabalhos dos caras.

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